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Dormindo até chegar ao planeta Marte

Matéria publicada em 29 de setembro de 2016, 18:37 horas

 


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No filme “Passageiros” Chris Pratt e Jennifer Lawrence acordam depois de dormirem vinte anos a bordo da nave estelar Avalon. Eles não envelheceram porque se encontravam em um estado de suspensão de vida. O problema é que os dois ainda deviam ficar mais cem anos congelados até a espaçonave chegar ao seu destino. O que indica que aconteceu alguma coisa errada com a missão.

A ideia de congelar astronautas para que eles suportem viagens de centenas de anos até as estrelas não é nova. Já apareceu em filmes como “Perdidos no Espaço”, “2001: Uma odisseia no espaço” e “Planeta dos Macacos”. Até aqui era pura ficção científica. Não é mais. No mês passado a empresa Space Works apresentou o projeto de uma nave capaz de levar 100 pessoas em um estado de coma induzido, que a empresa chama de “torpor” durante uma viagem de seis meses até o planeta Marte.

O estudo foi apresentado durante a Conferência Internacional de Astronáutica em Israel, no início do ano. O projeto prevê que os hibernautas terão seu metabolismo reduzido de 50 a 70% usando hipotermia. Isso reduz o volume de habitat pressurizado para habitação. Dormindo os hibernautas não precisarão de instalações como cozinha, ginásio com equipamento para exercícios e entretenimento.

Eles não vão sentir tédio durante os seis meses de viagem além de consumirem menos comida, água e oxigênio. O sistema de suporte de vida da nave. Como os hibernautas não ficam andando pela nave será possível criar uma gravidade artificial por rotação que reduz o raio de rotação e torna a nave menor.

A perda de cálcio e outros minerais, que deixa os astronautas com ossos frágeis, é reduzida pela gravidade artificial. Assim como o aumento da pressão intracraniana, que é outro problema de saúde em naves sem gravidade. Para combater a atrofia dos músculos será usado um sistema de estimulação elétrica neuromuscular chamado NMS. Quem já assistiu na TV o desembarque dos astronautas que passam seis meses na Estação Espacial Internacional deve ter notado que eles saem da cápsula carregados em cadeiras. Porque são incapazes de ficar de pé depois de passarem meses na ausência de peso. São necessários dias de tratamento médico para que eles possam andar de novo.

Uma expedição a Marte não pode ter esse tipo de problema. É preciso que os exploradores desembarquem andando no planeta. Segundo o estudo os hibernautas poderão fazer isso já que não sofrerão atrofia dos músculos ou descalcificação. Outra vantagem é que os astronautas em hipotermia serão menos expostos a radiação cósmica galáctica e a radiação proveniente do Sol. Eles vão ficar parados em um local blindado e por isso a exposição será menor.

Como os homens e mulheres da expedição estarão inconscientes durante toda a viagem não sofrerão tédio nem efeitos psicológicos desagradáveis provocados pelo confinamento. Durante a viagem sistemas robóticos cuidarão dos tripulantes, administrando remédios e alimentação via intravenosa. O estudo lembra que esse tipo de hipotermia tem sido usado no tratamento de pacientes na Terra, com pessoas tendo passado já 14 dias em um estado de hibernação. A técnica da alimentação intravenosa de pacientes em coma já foi usada por períodos de até um ano ou mais.

O projeto prevê uma espaçonave com cem tripulantes pesando 200 toneladas. Uma nave sem hibernação pesaria 700 toneladas. Noventa e seis ficarão dormindo e quatro serão mantidos acordados. Para cuidar dos sistemas da nave e reagirem no caso de uma emergência. É o primeiro passo em direção as naves estelares como a mostrada no filme “Passageiros”. Que será exibido no final do ano.

 

 Torpor: Temperatura do corpo será reduzida para 32 graus

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Tripulação: Nave levará cem tripulantes

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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