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E a casa do Dorminhoco foi tombada

Matéria publicada em 6 de agosto de 2019, 08:22 horas

 


Residência espacial fica no Colorado e foi construída em 1963

A casa do dorminhoco foi vendida. Trata-se de uma residência de formato futurista usada no filme “O dorminhoco”, do Woody Allen. Um anúncio na internet me trouxe a informação de que ela mudou de dono. Mas como foi tombada pelo governo, ela não pode ser destruída ou modificada, não importando quem seja o proprietário ou o morador. Chamada de Sculptured House ela foi criada em 1963, no auge dos futurísticos anos 60 pelo arquiteto americano Charles Deaton. Ele subiu na montanha, sentiu a natureza ao seu redor e quis criar uma obra que representasse a vastidão da Terra e a força dos ventos.

O resultado ficou parecendo um disco voador pousado no alto do monte Genesee, no Colorado. Com o passar dos anos a casa virou atração turística e chamou a atenção do cineasta Woody Allen. O ano era 1972 e Allen queria filmar uma comédia de ficção científica. Um filme que satirizasse aqueles clássicos distópicos como “1984” e “Admirável mundo novo”. Naquela época Allen era conhecido pelo humor de seus filmes e ainda não tinha recebido o status de gênio.

O filme, que assisti lá no Rio de Janeiro em um cinema que já não existe mais, é uma pequena obra prima. Allen é o dono de uma lojinha que vende produtos naturais em Greenwich Village, Nova York, que acaba sendo congelado durante uma cirurgia. Parece que os médicos cometeram um erro e o único meio de impedir que ele morresse foi coloca-lo em animação suspensa. Como os astronautas do filme “2001: Uma odisseia no espaço” que tinha feito um sucesso tremendo cinco anos antes. Allen passa duzentos anos congelado e é despertado  no futuro, no final do século 22, aí por volta do ano de 2274.

Nosso herói descobre que se encontra nas mãos de um grupo de rebeldes liderados por uma bela mulher, Luna Schlosser (Diane Keaton, que era a musa do cineasta naquela época). O futuro é bem diferente da nossa época. O sexo saiu de moda porque as pessoas desfrutam de orgasmos múltiplos dentro de uma máquina chamada de Orgasmotron. Que parece uma cabine telefônica. Os robôs humanoides se tornaram comuns e substituíram os padres nos confessionários.

Mas é claro que esse futuro tem alguns problemas. No ano de 2274 a América é governada por um ditador que reescreveu a história e suprimiu todo o conhecimento sobre a nossa época. E o tal grupo rebelde, da Luna Schlosser, descongelou o homem do século vinte para que ele possa fornecer o conhecimento de que eles precisam sobre o passado. O que permite que Woody Allen trace um retrato nada favorável dos políticos da nossa época, com ênfase no ex-presidente Richard Nixon.

Graças ao uso inteligente de cenários reais, “O Dorminhoco” custou apenas 2 milhões de dólares. O que é um orçamento de seriado de televisão. E parte da economia foi feita com o uso da casa futurista lá no Colorado. As cavernas que ficam perto da cidade de Denver, como a casa, também serviram de cenário para o filme. Embora seja uma comédia, “O Dorminhoco” é bem realista na sua visão de futuro. A polícia do ditador se desloca dentro de umas cápsulas voadoras. Existem helicópteros pessoais e a engenharia genética produziu vegetais gigantes, como a enorme banana que aparece no cartaz do filme.

Já não se fazem mais filmes como “O dorminhoco”. As comédias inteligentes saíram de moda talvez porque a inteligência das plateias sofreu uma queda nos últimos quarenta anos. Mas ainda é possível baixar “O dorminhoco” da internet. E quem vai a Denver, no Colorado, pode olhar a famosa casa, que fica perto da rodovia I-7. Dizem que o Orgasmotron continua lá, na sala principal. Mas na vida real é só um elevador. Às vezes fico pensando qual seria a sensação de acordar e olhar o mundo daquela varanda. Eu me sentiria o próprio Buck Rogers. Que também foi congelado e acordou no futuro.


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10 comentários

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    Errar é humano , persistir no erro é burrice. Votei no Bolsonaro mas não dá para defender este sujeito

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    Toco cru pegando fogo

    Era bozolitica ,as trevas somente os fortes sobreviverão.

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    Eleitores do Bolsonaro tem ascaridíase na cabeça.

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    Vocês vão todos para o inferno, uma matéria espetacular desta e vocês escrevendo abobrinhas nos comentários.

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    Muito interessante, parece até um projeto do Oscar Niemeyer.

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    Pelo que vejo o Platão está se referindo ao capitão fujão e seus seguidores.

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    Eu estava congelado e acordei aqui neste futuro distópico, com um ditador escroto “eleito” numa farsa tida como eleição. Ele também quer reescrever a história e apagar fatos, demolir a ciência e criar sua “ciência”; ele é escorado por milicos vagabundos e atrasados como ele, assim como os zumbis que apertaram a tecla podre – não esquecendo das elites que coordenam todo o processo.
    Com a liberação dos pesticidas na agricultura teremos bananas gigantes também, com o desmatamento aumentando teremos um mundo melhor certamente.
    Viva a ignorância,ordem para o povão, progresso para a elite , seus generais e seus capangas menores.
    É melhor dormir mais um pouco!!!!!!!!!

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      Eu acordei em futuro distópico comandado por um molusco intitulado “pai dos apedeutas”, acompanhado por uma camarilha de hipócritas e criminosos travestidos se intelectuais. Viva a demagogia, o populismo barato e as teorias rasas e preconceituosas. É melhor dormir mais um pouco.

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      Provavelmente se trata de um petista.

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      Petralhas, vocês são doentes!

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