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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / E o calor voltou a bater recordes em 2016

E o calor voltou a bater recordes em 2016

Matéria publicada em 26 de janeiro de 2017, 07:00 horas

 


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O ano de 2016 foi novamente o mais quente da história. É o que afirmam a agência espacial americana Nasa, e a Agência Nacional da atmosfera e do oceano, NOAA. É o terceiro ano seguido em que se registram recordes de calor. 2014 e 2015 já tinham ficado com o título de ano mais quente desde que começaram as medições da média anual de temperatura, em 1880. A Nasa lembra que as mudanças nos métodos de medição e na posição das estações meteorológicas atrapalham um pouco o cálculo. Mesmo assim há 95% de certeza de que 2016 foi o ano mais quente da história.

A temperatura média da superfície do planeta Terra subiu 1,1 grau, desde o final do século XIX. Um aquecimento que as equipes da Nasa e da NOAA atribuem as emissões de gases do efeito estufa, como o dióxido de carbono, pela civilização humana. No caso de 2016 as temperaturas médias do planeta ficaram 0,99 graus celsius mais quentes do que em meados do século XX.

A maior parte do aquecimento aconteceu nos últimos 35 anos, com 16 dos 17 anos mais quentes já registrados acontecendo depois de 2001. O fenômeno do El Niño, que aquece as águas do oceano Pacífico, contribui para variações de curto período nas médias globais. O El Niño esteve ativo em 2015 e no início de 2016, mas isso só contribuiu em 0,1 grau celsius para o aquecimento global.

Um aumento de temperatura de 1,1 grau parece pouca coisa. Mas se continuar acontecendo todo o ano, vai provocar mudanças catastróficas na superfície do planeta. Como o aumento do nível dos oceanos, o que pode submergir ilhas e inundar regiões costeiras. É bom lembrar que a maior parte da produção de alimentos do mundo vem de regiões planas que podem ser invadidas pelos oceanos se o aquecimento continuar.

Além disso, quanto mais quente ficar a superfície dos oceanos mais violentas serão as tempestades provocadas pela evaporação. E os furacões e tufões, que atualmente se formam apenas nos mares quentes próximos do equador, vão migrar para as latitudes mais elevadas, atingindo os mares subtropicais, como o oceano Atlântico Sul, que banha as costas brasileiras. Nos últimos anos têm aparecido fenômenos, como trombas marinhas, junto a costa do Brasil, que eram típicos do Caribe.

O calor crescente também contribui para a expansão das doenças tropicais. Como a malária, a febre amarela e a dengue. Doenças que atualmente estão se expandindo no nosso país. Enquanto o mundo esquenta, as medidas para conter a poluição e o aquecimento vão sendo adiadas. O desmatamento na Amazônia aumentou 30%, o que vai contribuir para o processo de desertificação que já ocorre no nordeste e no sudeste do nosso país. A floresta é um depósito de umidade e sem ela as nascentes dos rios secam e as chuvas diminuem.

Ninguém sabe com certeza quais os efeitos a longo prazo desta interferência humana na atmosfera do nosso planeta. Sabemos que o planeta Vênus, irmão gêmeo da Terra, já teve mares de água líquida e um clima agradável há milhões de anos. Hoje Vênus é um forno, com temperaturas de 400 graus centígrados na superfície e chuvas de ácido sulfúrico que destruíram todas as sondas espaciais que tentaram pousar lá. E foi um efeito estufa descontrolado que deixou Vênus nesta situação.

Geralmente imaginamos o fim do mundo com uma grande explosão, como a provocada pelo impacto de um asteroide. Mas o mundo também pode acabar com um gemido. Como disse o poeta T.S.Eliot em seu poema, “The hollow men” (Os homens vazios) escrito em 1925. Em uma época em que nem se imaginava o aquecimento global.

Calor: Áreas mais quentes aparecem em vermelho

Calor: Áreas mais quentes aparecem em vermelho

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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2 comentários

  1. Avatar

    Se todos que reclamam do calor plantasse uma árvore estaria resolvido esse problema.

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      Tenho várias árvores no meu quintal, no meu jardim e na área verde da prefeitura que fica atrás dá minha casa.

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