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E o “Exterminador” russo partiu para a Estação Espacial

Matéria publicada em 29 de agosto de 2019, 08:00 horas

 


Robô Skybot subiu em uma nova versão da antiga nave Soyuz

Semana passada a agência espacial russa enviou ao espaço um exemplar do robô humanoide conhecido como Fedor. Criado pelo Ministério de Situações de Emergência, o robô pode ser controlado por um operador humano ou pode realizar funções programadas. O projeto provocou polêmica em 2017, quando o Fedor apareceu disparando duas pistolas com suas mãos mecânicas. O que levou o vice-primeiro ministro Dmitry Rogozin a desmentir que os russos estivessem criando um “Exterminador do futuro”. Mas o estrago causado pela postagem do vídeo já tinha sido feito, e uma empresa que fornecia peças para o robô cancelou sua participação no projeto.
Em sua nova missão o robô foi rebatizado com o nome de Skybot F-850 e partiu do cosmódromo de Baykonur sentado no posto de comandante da nave Soyuz. O principal objetivo da missão é testar um novo propulsor para as antigas cápsulas espaciais russas. O segundo estágio do foguete lançador é um propulsor 2.1, que nunca foi usado em missões com tripulação humana. Se tudo correr bem ele substituirá o atual propulsor FG. Atualmente a Soyuz é a única nave que leva tripulações para a Estação Espacial Internacional devido ao atraso no desenvolvimento das cápsulas espaciais americanas.
Durante a subida até o espaço, sensores instalados no corpo do robô mediram as vibrações e as forças de aceleração. Para que a agência Roskosmos possa verificar como um astronauta humano se sentirá num voo com esse tipo de propulsor. Os russos querem desenvolver uma nova versão da Soyuz que possa voltar a Terra sem tripulantes, carregando o resultado de experiências feitas a bordo da estação espacial.
Embora esteja sentado no posto de pilotagem o Skybot não pilota, a nave é guiada pelo sistema de piloto automático chamado Kurs. Que guia toda a sua trajetória até chegar à Estação Espacial Internacional, se o sistema Kurs falhar a missão é abortada e a Soyuz M-14 será autodestruída numa reentrada na atmosfera.
Desde que foi criado esse tipo de robô já teve vários nomes, no inicio ele era chamado de Avatar, numa referência ao famoso filme de ficção científica do diretor James Cameron. Depois foi rebatizado como o nome Fedor, formado pelas iniciais em russo das palavras “Demonstrador Experimental final”. Depois da mancada do vídeo com o robô atirando com duas pistolas ele recebeu um novo nome, Skybot, formado pelas fusão das palavras sky (céu em inglês) e robô. Atualmente existem dezenas de robôs trabalhando no espaço, mas eles não são humanoides como o Skybot.
A ideia de robôs humanoides ajudando os astronautas (Ou atrapalhando) é um antigo tema dos filmes e romances de ficção científica. Na clássica coletânea “Eu robô”, do Isaac Asimov, existe um conto sobre um robô que salva um astronauta durante uma missão ao planeta Mercúrio. Em 1963 um robô chamado John apareceu como vilão do filme soviético “O planeta das tempestades”. Durante uma missão de exploração do planeta Vênus, John tenta se livrar dos astronautas ao ter sua existência ameaçada por um rio de lava.
Nos estágios iniciais de desenvolvimento do clássico “2001: uma odisseia no espaço” o roteirista Arthur C. Clarke tentou colocar um robô chamado Hugo a bordo da nave espacial Discovery. Mas com o desenvolvimento do roteiro, Hugo, que era um robô amigo, se transformou no computador maligno Hal 9000. E muito antes dos robôs bonitinhos de Star Wars (1977) três simpáticos robôs roubaram a cena no filme “Corrida silenciosa” (1971). E acabaram inspirando o R2D2 da Guerra nas Estrelas.

Skybot: Robô chegou sábado na estação espacial.


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