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E o mundo celebrou a ‘Semana Mundial do Espaço’

Matéria publicada em 7 de outubro de 2016, 07:30 horas

 


Evento foi criado pelas Nações Unidas em 1999, mas o Brasil ignorou; ele lembra o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra

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Esta semana que passou foi a “Semana Mundial do Espaço”. Criada pela ONU em 1999, ela lembra o lançamento do primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik russo, em 4 de outubro de 1957. Uma façanha que assombrou o mundo há 60 anos e deu início a esta era de previsões do tempo na TV e comunicações mundiais que faz parte do nosso dia a dia. No Brasil pouca gente festejou a data, que comemora também a assinatura de um tratado internacional do espaço sideral, em 10 de outubro de 1967, e que forma a base da lei internacional do espaço.

A ONU espera que a data seja lembrada com eventos educativos patrocinados por empresas aeroespaciais, planetários, museus e escolas. Mas no Brasil pouca gente se entusiasma com a aventura da exploração espacial desde que o foguete brasileiro, VLS, explodiu lá em Alcântara, no Maranhão, em agosto de 2003 matando 21 técnicos que trabalhavam no projeto. Apesar da tragédia o espaço está nas nossas vidas cada vez que conferimos a previsão do tempo na TV ou assistimos a uma corrida de Fórmula 1 ou partida de futebol na televisão. Aquelas antenas parabólicas, que quase todo mundo tem no teto de casa ou do apartamento, recebem sinais de satélites artificiais, sucessores do Sputnik 1, que orbitam a Terra a 36 mil quilômetros de altura.

Lá em Pinheiral, onde moro, os alunos do CIEP andam construindo pequenos foguetes de garrafa pet para participar de uma competição anual. É um meio de despertar nos jovens o interesse pela ciência espacial e ajudar o Brasil a sair do atraso em que se encontra, em relação a países que enviam foguetes ao espaço como a Índia, e o Irã. Lembro muito bem do dia em que o Sputnik russo virou manchete dos jornais transformando a ficção em realidade.

Até aquela data, em outubro de 1957, as viagens espaciais só aconteciam nos filmes e nas histórias em quadrinhos. As revistas que a garotada lia tinham as aventuras de dois astronautas, ou “homens do espaço” como eram chamados naquela época. Flash Gordon e Buck Rogers. Dois personagens que perderam a popularidade e estão quase esquecidos porque aquilo que eles faziam na ficção passou a fazer parte da realidade.

Nos Estados Unidos foi lançado esta semana um livro de memórias do astronauta Mike Massimino, que participou de duas missões do ônibus espacial. Chama-se “Spaceman” e narra a experiência de flutuar no vazio, vendo a Terra, o nosso mundo, como um globo girando aos seus pés. Uma das partes mais interessantes é quando ele fala da aparência do Sol, visto do espaço.

“O Sol na Terra é filtrado pela atmosfera. Ele parece amarelado ou tem aquele tom dourado do poente. No espaço a luz do sol é puro branco. É uma luz branca perfeita. O branco mais puro que você já viu. Eu me sentia como se tivesse a visão do Super-Homem, as cores eram intensas e vibrantes, o corpo branco do ônibus espacial, o dourado das folhas de mylar nos cobertores térmicos, as cores da bandeira no meu ombro. Tudo era claro, nítido e lindo”.

Infelizmente o único brasileiro que já vivenciou esse ambiente foi o tenente coronel Marcos Pontes, que voou de carona em uma cápsula russa Soyuz em 2006. Foi o primeiro e único astronauta brasileiro. Na época ele treinou para participar de um projeto brasileiro na Estação Espacial Internacional, que acabou sendo cancelado.

Mas é claro que um dia haverá outros. No tempo do Sputnik a exploração espacial era uma corrida entre duas superpotências, os Estados Unidos e a União Soviética. Hoje vivemos na era da comercialização do espaço, com inúmeras empresas particulares investindo no setor. É provável que o próximo brasileiro ou brasileira a ir ao espaço viaje a bordo de uma nave comercial. Enquanto nós aqui na Terra continuaremos a usar a tecnologia dos satélites para o trabalho e o lazer.

 

 Beleza: A nitidez absoluta das cores no espaço


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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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