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Em busca do lado oculto da Lua

Matéria publicada em 30 de abril de 2015, 07:25 horas

 


Apesar do disco do Pink Floyd o lado escuro não existe

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Americana: A Pioneer 1 não atingiu velocidade de escape (Foto: Divulgação )

Americana: A Pioneer 1 não atingiu velocidade de escape
(Foto: Divulgação )

Se o céu estiver claro, hoje à noite, dê uma olhada na Lua. Ela vai atingir a fase cheia segunda feira que vem e encontra-se no final da fase crescente. Por isso podemos ver uma parte iluminada e outra na escuridão. A expressão “o lado escuro da Lua” deu nome a um famoso álbum do conjunto Pink Floyd, mas na vida real ele não existe. Como a Terra, a Lua tem dias e noites que duram quatorze dos nossos dias. Mas tanto o lado que podemos ver, como o outro lado da lua, o lado oculto, passam por períodos de claridade e escuridão.

Devido à força da gravidade da Terra a Lua ficou com um lado permanentemente voltado para o nosso planeta. Ele tem manchas escuras, que são grandes planícies de lava e regiões mais brilhantes, que são planaltos e cadeias de montanhas. Esta é uma boa ocasião para olhar a Lua com um telescópio ou um binóculo. Perto da linha do terminador, que separa a região iluminada da região sombria, o relevo se destaca, e podemos ver melhor as montanhas e as famosas crateras da Lua.

 Outro lado da Lua

Parece incrível, mas até a metade do século passado ninguém sabia o que existia no outro lado da Lua. Aquele que não podemos ver aqui da Terra. A ficção imaginava as fantasias mais loucas. Em uma história em quadrinhos o herói Dick Tracy viajava até lá e descobria uma civilização escondida em uma profunda fenda. Eles eram humanos como nós, só que com antenas que emitiam raios magnéticos.

Quando a corrida espacial começou, em 1957, uma das primeiras tarefas dos cientistas espaciais foi acabar com essas fantasias. E descobrir, realmente, o que existia no lado oculto da Lua. De um lado a equipe da Força Aérea americana, incorporada a recém-criada agência espacial Nasa. Do outro, o engenheiro espacial russo Sergei Korolev e sua equipe do cosmódromo de Baikonur. Depois de orbitar os primeiros satélites eles se prepararam para revelar a face oculta de Selene.

Os russos tinham um míssil potente e rústico, o R-7, que podia lançar sondas enormes. Os americanos só contavam com um foguete pequeno, o Thor Able, mas tinham uma tecnologia eletrônica mais avançada que a russa. Enquanto os satélites russos eram grandes, e com tecnologia analógica, os americanos construíam sondas minúsculas, recheadas de transistores e microeletrônica.

Os americanos partiram na frente. No dia 11 de outubro de 1958 eles instalaram uma pequena sonda, em forma de pião, no topo de um foguete Thor Able. Construída pela empresa TRW a Pioneer 1 tinha 74 centímetros de largura e 76 cm de comprimento, pesando 38 quilos. Levava um magnetômetro, um medidor de radiação, um detector de micrometeoros e uma microcâmara de televisão para captar imagens do lado oculto da Lua. Entusiasmados os técnicos de Cabo Canaveral escreveram mensagens no cone do foguete. E um deles colocou o nome da mulher amada.

 Luna 3

Mas a Pioneer fracassou e não atingiu a velocidade necessária para chegar à Lua. Retornou do meio do caminho, e se queimou na atmosfera. Os russos fizeram sua primeira tentativa em janeiro de 1959. Sua nave, a Luna 1, batizada erradamente de Lunik pela imprensa ocidental errou o alvo e se tornou o primeiro objeto feito pelo homem a entrar em órbita em torno do Sol. Os americanos tinham feito nova tentativa em Novembro de 1958, mas o segundo estágio do foguete falhou, a Pioneer 2 subiu até uma altura de 1500 quilômetros e caiu no noroeste da África.

Com a Luna 3 os russos tiveram sucesso. Em outubro de 1959 eles lançaram sua Luna 3 com 1,30 m de comprimento e 278 quilos de peso e tiveram sucesso. A câmara analógica a bordo da sonda enviou a primeira fotografia do lado oculto da Lua. Não havia cidades nem donzelas lunares. Só crateras, montanhas e planícies, como o lado que vemos da Terra.

Jorge Luiz Calife/ jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    CELSO EDUARDO FERNANDES DA SIhttp://diariodovale.com.br/policia/internos-do-degase-provocam-tumulto-na-instituicao/#respondLVA

    Eu assisti pela TV Globo em 1969 a chegado do homem a lua.

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