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Engarrafamentos na Terra e no céu

Matéria publicada em 4 de junho de 2019, 08:36 horas

 


Excesso de alpinistas provocou mortes em escalada do Everest

Que tem gente demais nesse planeta todo mundo já sabe. E agora os engarrafamentos estão chegando aos lugares mais inóspitos da Terra, como o cume do Everest, a 8848 metros de altura. No mês passado, um período de tempo excepcionalmente bom fez com que um grande grupo de alpinistas, de várias nacionalidades, tentasse chegar ao pico da montanha. Como o caminho é estreito acabaram entalados, sem poder subir ou descer e sete morreram.

O cume do Everest fica na estratosfera, onde a temperatura oscila entre os 30 e os 40 graus abaixo de zero. Mesmo com equipamentos de proteção as pessoas não podem ficar paradas a uma temperatura dessas. O alpinista argentino Ricardo Birn contou num site da internet que começou a tossir e a cuspir sangue. O ar gelado provocou um edema pulmonar e ele se encontra internado num hospital de Katmandu, no Nepal. Teve sorte de ser resgatado por um helicóptero que subiu até o campo base, a sete mil metros de altura. Outros não tiveram sorte e congelaram lá em cima.

O Everest é uma espécie de objetivo máximo de todo alpinista. Desde que o neozelandês Edmund Hillary conseguiu alcançar o topo da montanha, em 1953, junto com seu guia nepalês, Tenzing Norgay, 219 pessoas já morreram nas encostas da montanha. Com as facilidades fornecidas pelo transporte aéreo, o número de alpinistas no Everest tem aumentado a cada ano. Só em 2017, 648 pessoas escalaram o Everest, que fica na fronteira da China com o Nepal.

Os perigos são muitos. Além do frio, da falta de oxigênio e dos ventos com força de furacão ocorrem avalanches. Em 2014 uma avalanche matou quatorze alpinistas de uma só vez e até recentemente os helicópteros de resgate só podiam chegar nas partes mais baixas. Foi só em 2014 que um helicóptero conseguiu descer no cume.

Além do congestionamento na Terra, o espaço sideral também esta ficando engarrafado. Na semana passada a empresa Space X do empresário Elon Musk lançou 60 satélites de uma única vez. Eles fazem parte da rede Starlink que vai permitir o acesso à internet as pessoas em países menos desenvolvidos. Equipados com propulsores de Kriptônio os Starlinks formarão uma constelação de mais de mil satélites.

Enquanto subiam para sua órbita definitiva os satélites formaram uma longa fila, parecendo um cordão de estrelas brilhantes no céu. O que deixou muitos astrônomos preocupados. Se os lançamentos continuarem no ritmo atual logo vão existir mais satélites do que estrelas visíveis no céu. Para captar aquelas imagens lindas de galáxias e nebulosas, os telescópios astronômicos precisam usar longas exposições. Com o telescópio focalizado num mesmo ponto de céu durante dez minutos ou mais. Se um satélite passar no campo de visão ele vai registrar como uma linha brilhante, arruinando a foto.

Elon Musk, o diretor da Space X, leu os protestos nas redes sociais. E disse que vai instruir aos seus engenheiros que busquem meios de reduzir a refletividade dos satélites Starlink. Os satélites não tem luz própria, eles brilham ao refletir a luz do Sol em suas partes metálicas brilhantes. Se for possível reduzir o número dessas partes refletoras o satélite pode ficar invisível aos observadores no solo.

Musk lembrou que já existem 8100 satélites orbitando nosso planeta, lançados por mais de 40 países. E ninguém percebe sua existência. Na verdade para ver um satélite é preciso olhar para o céu no período que antecede o nascer do Sol ou logo depois do poente. Mais ou menos entre sete e oito horas da noite. É nesse período que os satélites refletem a luz do Sol abaixo do horizonte e cintilam no céu como estrelas.

Por enquanto os únicos lugares da Terra livres de congestionamentos são os grandes abismos marinhos. Como a fossa das Marianas. O cineasta James Cameron desceu lá num mini-submarino que mandou construir especialmente para a façanha. E outros aventureiros já estão fazendo fila para imita-lo.

 


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