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Enquanto isso… Em Pinheiral

Matéria publicada em 2 de maio de 2017, 13:05 horas

 


Vacinação começa tarde e em doses homeopáticas; cidade já está praticamente morta

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O inverno está bem perto e na semana passada já tivemos uma mega frente fria assolando a região. Como sempre acontece, nessa época do ano, a campanha de vacinação contra a gripe vem sendo realizada com vigor na maioria das cidades. Basta dar uma olhada na primeira página do DIÁRIO DO VALE nos últimos quinze dias. Na terça-feira, dia 18 de abril, a matéria de capa dizia: “Campanha de vacinação contra gripe tem início na região”. No dia 25, uma semana depois, o título da matéria era “Oito mil já foram imunizados contra a gripe em Volta Redonda”.

Na maioria das cidades não foi diferente. No dia 26 de abril a secretaria de Saúde de Barra Mansa informou que 11 mil pessoas já tinham sido vacinadas contra a influenza. Infelizmente, em Pinheiral, a realidade é bem outra. Até o dia 24 de abril as vacinas ainda não tinham chegado à cidade. No dia seguinte, terça-feira, anunciaram que, finalmente, o posto de saúde que fica no Centro de Pinheiral, ali perto da Praça Teixeira Campos, recebera as vacinas. Onze horas da manhã fui lá conferir. O posto estava vazio e uma funcionária que matava o tempo diante de uma mesa avisou: “Vacinação só depois de uma hora da tarde”. Perguntei a ela sobre as pessoas que trabalham a tarde, como é o meu caso, quando iriam se vacinar. Ela foi perguntar à enfermeira e a resposta foi que ainda não podia vacinar ninguém porque a caixa com as vacinas não fora aberta. Imagino que iam fazer alguma cerimônia oficial, talvez com a presença do prefeito e do secretário de saúde. E isso no dia 25 de abril, quando Volta Redonda já tinha vacinado oito mil pessoas. E Pinheiral ainda não vacinara ninguém.

Jornalista é naturalmente curioso e no dia seguinte voltei lá na mesma hora e a resposta foi a mesma. Vacinação só depois de uma hora da tarde. Mas não tem vacinação na parte da manhã? Insisti. Os funcionários, que não estavam fazendo nada, como de costume, explicaram. “Tem, mas a gente distribui quarenta números, vacinou quarenta a vacinação acaba e só recomeça a tarde”. Só para comparação, meu irmão, que é funcionário aposentado da prefeitura de Volta Redonda foi naquele posto de saúde que fica perto do estádio Raulino de Oliveira e vacinou na hora. Não entrou em fila, não teve que pegar número e foi atendido com todo interesse pelos funcionários do posto. É a diferença entre o atendimento em uma cidade onde a prefeitura trata a população com seriedade e atenção e Pinheiral, onde tudo é feito com má vontade e da pior forma possível.

Esse pessoal que trabalha com a saúde em Pinheiral ainda não entendeu o significado do termo “servidor público”. Como diz o nome o servidor público está lá para servir a população, para ficar à disposição do cidadão que paga imposto, não é para o cidadão ficar à disposição do funcionário que decide a hora que quer ou não quer atender. Saúde é coisa séria na maioria das cidades, mesmo em um país assolado pela corrupção como o nosso triste Brasil. Há algum tempo comentei aqui sobre o dia em que tentei aferir a pressão naquele mesmo PS do Centro de Pinheiral e não fui atendido porque “era hora do almoço”.

Foi esse tipo de comportamento dos nossos “servidores públicos” que levou o Gilberto Gil a compor aquela canção “Se eu quiser falar com Deus”. Na verdade o Deus na letra do Gil é uma metáfora para as autoridades brasileiras, que gostam de humilhar o cidadão que precisa de um serviço público. Como os idosos de Pinheiral, que precisam acordar as cinco horas da manhã e fazer fila, em pé, na porta do posto para conseguir um número. Do contrário não conseguem nem marcar uma consulta.

Ai de ti Pinheiral. Mês que vem tem aquela papagaiada anual da “Festa de Aniversário de Pinheiral”. Quando o governo municipal contrata até artistas de fora para animar a festa. Deviam era fazer um velório, porque Pinheiral já está praticamente morta. Vítima do descaso e da incompetência.

Volta Redonda: Mais de oito mil já foram imunizados (Foto: Paulo Dimas)

Volta Redonda: Mais de oito mil já foram imunizados (Foto: Paulo Dimas)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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6 comentários

  1. Avatar

    Levei terça feira minha esposa para yomar vacina de gripe e foi suoer bem atendida sem filas e suoer trankilo…

    Acho que as pessoas falam muito mal de sua cidade,pq esse jornalista não entra para a politoca e tenta mudar algo?

    Reclamar não significa mudança em nada…

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    PINHEIRAL = PARAISO NA TERRA.

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    Pagador de impostos

    Milhares de cidades nesse país não se sustentam economicamente. Só sobrevivem graças ao Fundo de participação dos municípios, verba federal, carimbada, que garante a existência delas nesse Brasil afora, ou adentro, como preferirem. Haja estrutura de poder para ser sustentada, prefeitos, vices prefeitos, câmara de vereadores e seus assessores, etc….E com salários, na imensa maioria dos casos, totalmente incompatíveis com os rendimentos do restante da população desses municípios.

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    Al Fatah, o Horrendo

    Pinheiral é um caso típico de lugar que só virou município devido à farra emancipacionista que ocorreu no período Pós-Constituição, principalmente até meados dos anos 90. É um lugar não autossustentável…

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    Temos reclamado tanto da corrupção do serviço público que nos esquecemos de algo ainda pior: a incompetência e o descaso. Todos os bilhões desviados pela corrupção são troco perto das centenas de bilhões, quase metade de nossa renda, que nos são tomados pelos os impostos e jogados no ralo sem fim da incompetência do nosso estado paquidérmico e ineficiente. E o que fazemos? Odiamos silenciosamente os políticos mas clamamos por mais estado para resolver nossos problemas, este administrado por quem? Pelos políticos! Por que somos maltratados por servidores públicos? Por que eles podem, pois trabalhando ou não, o dinheiro é o mesmo no fim do mês, afinal sua estabilidade é garantida por lei. Os incentivos estão todos errados; contrários à lógica e ao bom senso. Mas infelizmente quando se fala no Brasil sobre liberalismo, liberdade econômica, meritocracia e estado mínimo, você é visto como um leproso.

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    É a mais pura verdade. Observando-se sempre a estrita exceção, os servidores públicos são uma classe altamente desrespeitosa com o público. A minha opinião é de que ao se tornar funcionário público, o elemento tem que passar por um curso intensivo de relações humanas, a fim de que tome conhecimento do seu real papel junto à população. Fica aí uma sugestão ao Sr. Prefeito!

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