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Epidemia política

Matéria publicada em 7 de dezembro de 2018, 07:09 horas

 


Já não é de hoje que vivemos uma epidemia política no Brasil. Em alguns estados, como no Rio de Janeiro, o caso é mais grave, uma vez que o número de políticos envolvidos em falcatruas está acima de qualquer suspeita, até porque eles não são mais suspeitos, porquanto já são comprovadamente os autores.
É uma espécie de exército de baratas, que tem ovos espalhados por todo o país, e estes vão eclodindo quase que ininterruptamente, dando vida a novas baratas. Enquanto isso, temos que nos valer de mais e mais inseticidas, além de outros métodos, para tentar acabar com esse foco gigantesco de insetos peçonhentos, hospedeiros de bactérias, fungos, vermes e vírus, e que atacam sem pudor tudo o que é público e parece que nunca estão satisfeitos.
A cada dia somos informados que novos políticos-baratas foram presos. Alguns mais espertos, na tentativa de se livrarem de inseticidas mais potentes, mudam o comportamento e começam a contar, de maneira desenfreada, tudo que sabem a respeito de outros políticos-baratas, promovendo, assim, uma delação de, companheiros, e entregando dinheiro, imóveis, documentos e tudo o mais que possa ajudá-los a se livrar do veneno que os destruiria ou objetivando reduzir ao máximo as penas às quais estão sujeitos.
Em todas as esferas da política brasileira somos “surpreendidos” por novos nomes, personagens que ocupam os mais variados cargos e que, na primeira oportunidade, ao serem descobertos, buscam negar veementemente seus crimes, tentando mascará-los para que tudo não passe de algo simples e sem maiores consequências.
Nosso país vive uma crise que não tem fim. A falta de emprego, saúde, segurança, habitação, educação, cultura, entre outros, perdura, tudo por culpa do descaso e, da inércia de políticos que ainda estão ocupando alguma cadeira, mas que, por falta de dinheiro “por fora” ou vontade, não são capazes de dar solução aos problemas. A corrupção cleptocrata no Brasil é algo generalizado em todos os níveis de governo: federal, estadual, distrital e municipal.
A eleição ou mesmo a reeleição de políticos comprovadamente corruptos, só serve para patentear o quanto acabamos por ajudar a legitimar a desigualdade e, consequentemente, a licença para roubar. Há casos conhecidos em que o político chega a usar seu crime como slogan: “Roubo, mas faço.”
Do financiamento da campanha ao dia a dia do cargo, muito se rouba e se esconde, muito se promete e nada se cumpre. Vivemos à mercê das vontades de homens e mulheres que acreditam estar acima do bem e do mal e que são capazes de se acharem superiores quando revestidos de uma posição política, e imediatamente se sentam em cima do nosso dinheiro, tomando-o para si.
A política não é necessariamente corrupta, certos políticos é que são, exclusivamente, corruptos. Por causa disso, ela ganha ares de nojo, a ponto de muitos não quererem falar de política, ou se chegam até a urna são capazes de anular o voto, acreditando que estão agindo bem que, com isso, não estão elegendo mais um ladrão para um cargo importante em alguma das esferas do país.
Em fevereiro de 1963, o presidente francês Charles de Gaulle, devido a um incidente entre o seu país e o nosso, teria dito: “O Brasil não é um país sério.” A frase correu como rastilho de pólvora, e anos depois o embaixador do Brasil na França, Carlos Alves de Souza, assumiu a autoria, tirando o seu peso de cima do presidente da França. Porém, mesmo com a explicação de que a tal frase tinha sido dita dentro de um contexto, esta passou a ser generalizada: toda a vez que o Brasil cometia uma falha, sobretudo política, ela era lembrada e repetida à exaustão, pois muitos eram os brasileiros que a usavam para se referir a si próprios, autorretratando-se como perfeitamente incapazes. Na verdade, trata-se um perfeito complexo de vira-latas, que, segundo o escritor e jornalista Nelson Rodrigues, criador da expressão, era como o brasileiro se via ou ainda se vê.
Diante de tal descompromisso, esta colocação passou a ser uma espécie de ofensa que sempre nos provocou orgulho; para muitos era uma definição perfeita para explicar o nosso país, uma forma totalmente insana de exaltar tudo o que aqui acontecia.
E como bem disse o maestro Tom Jobim e é bom que sempre nos lembremos disso: “O Brasil não é para principiantes.”


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Um comentário

  1. Eu acho que o brasileiro age com uma MARIA VAI COM AS OUTRAS. Eles ficam esperando as pesquisas eleitorais para ver quem está sendo apontado em primeiro lugar para decidirem seus votos. As eleições deste ano foi um pouco diferente. OS MARIAS VAI COM AS OUTRAS correram para as redes sociais para ver quem estava sendo indicado pelo povão, claro, ainda contaram com a ajuda das pesquisas falsas (fake) para se decidirem.

    Até hoje estou lendo muitos se lamentando do Bolsonaro ter fugido dos debates. Isso demonstra que muitos eleitores ainda não leem os programas de governo dos candidatos. Alguém duvida que eles são diferentes das MARIA VAI COM AS OUTRAS?

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