segunda-feira, 15 de julho de 2019

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Capa / Bastidores e Notas - Por Aurélio Paiva / Escravidão : Qual foi a época em que a Igreja disse que negro não tinha alma?

Escravidão : Qual foi a época em que a Igreja disse que negro não tinha alma?

Matéria publicada em 5 de julho de 2015, 10:00 horas

 


Quando o jornalismo vira humorismo, o humorismo vira jornalismo; e as versões ganham mais destaque que os fatos

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Há duas semanas o comediante Gregório Duvivier, do portal humorístico “Porta dos Fundos”, escreveu um artigo na Folha de São Paulo sobre a questão da transexual que se “crucificou” (representativamente) na última Parada Gay em São Paulo. O comediante, em um texto sério, imagina Cristo voltando em várias situações da história e sendo perseguido. Chegando na escravidão, Cristo diria, segundo Duvivier:
– Depois voltei negro e fui escravizado. Os mesmos cristãos afirmavam que eu não tinha alma.
Claro, todo mundo sabe disso. Durante a escravidão a Igreja Católica decidiu que os índios tinham alma, mas os negros não. Com isso ela apoiou o tráfico dos escravos africanos para o Brasil. Houve permissão do próprio papa.
Tudo certo?
Tudo errado.
Nunca existiu qualquer manifestação da Igreja de que os negros não teriam alma. Os escravos eram batizados. Não se batizaria quem não tivesse alma. Casavam-se perante a Igreja. Não há um só documento da Igreja Católica, em toda a sua história, que diga que o negro não tinha alma. Muito menos que os negros devessem ser escravizados.
Estranho?
Mas é a História.

A luta contra a escravidão

Na verdade o que ocorreu foi o inverso do que se anda dizendo e escrevendo há muito tempo. Na verdade a Igreja sempre atacou a escravidão negra, índia e de todas as raças.
Parece mentira, um contrassenso em relação ao que ouvimos desde a infância até as universidades.
Não gosto muito de citar a Wikipedia, dada suas imprecisões, mas neste caso vou abrir uma exceção, para evitar discorrer sobre detalhes das inúmeras decisões dos papas sobre o tema.
Vamos à Wikipedia:
“A Igreja Católica desde o século XV, pronunciou sua posição através de vários papas, condenando a escravidão”.
 O primeiro documento que trata explicitamente da questão é do Papa Eugénio IV, que mandou restituir à liberdade os escravos das Ilhas Canárias. Em 1462, o Papa Pio II (1458-1464) deu instruções aos bispos contra o tráfico negreiro que se iniciava, proveniente da Etiópia; o Papa Leão X (1513-1521) despachou documentos no mesmo sentido para os reinos de Portugal e da Espanha”.
“Nos séculos seguintes, contra a escravidão e o tráfico se pronunciam também os papas Gregório XIV (1590-1591), por meio da bula Cum Sicuti (1591), Urbano VIII (1623-1644), na bula Commissum Nobis (1639) e Bento XIV (1740-1758) na bula Immensa Pastorum (1741). No século XIX, no mesmo sentido se pronunciou o papa Gregório XVI (1831-1846) ao publicar a bula In Supremo Apostolatus (1839). Em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica In Plurimis, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio ao Imperador (Dom Pedro II) e a sua filha (Princesa Isabel), na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão”.
Como se vê, não foi bem o que disseram em algumas aulas e em muitos livros.

Guerra entre cristãos e muçulmanos

As posições da Igreja Católica eram, na verdade, muito avançadas para uma época em que a escravidão era considerada uma normalidade pela maioria das pessoas, instituições e religiões.
O Islã, por exemplo, aprovava na época a escravidão de qualquer um que não fosse muçulmano. Fizeram cativas pessoas de todas as raças – dos negros africanos às valorizadas escravas brancas do Leste Europeu, as eslavas (o termo escravo vem de “eslavo”).
Tanto praticantes de culto afro-brasileiros na África quanto cristãos na África e na Europa eram feitos escravos pelos muçulmanos à época. E traficados a bom preço. Milhões deles. Foi quando saiu a única bula papal defendendo a escravidão, em um caso específico: o papa Nicolau V, em 1452, autorizava que fossem escravizados os sarracenos (muçulmanos) e pagãos e que lhes fossem tomados os bens.
A bula é considerada uma reação da Igreja justamente à escravidão e pilhagem dos cristãos pelos sarracenos.
Isto ocorreu antes do descobrimento do Brasil. Após esta excepcionalidade, as bulas papais passaram a condenar a escravidão, antes mesmo de iniciado o intenso tráfico negreiro para as terras brasileiras. E nenhuma destas bulas autorizou o tráfico e, muito menos, sequer cogitou que os negros não tivessem alma.

A feijoada e outros folclores

Há, na verdade, mais desinformação e folclore do que estudos sérios sobre a escravidão no Brasil. Até há algum tempo era claro para todo mundo que a feijoada foi criada pelos escravos. Pegavam as entranhas dos porcos que eram descartadas pelos fazendeiros, misturavam ao feijão e – pimba! – foi criado um novo prato nas senzalas.
O angu à baiana idem: restos de entranhas de boi e porco recusados pela casa-grande foram colocados pelos escravos baianos sobre o angu.
Os donos de fazenda não eram tão bonzinhos assim. Em primeiro lugar as entranhas, na época, eram consideradas uma parte nobre do porco. Não eram dadas aos escravos.
A alimentação dos escravos era basicamente vegetariana. Não, eles não eram hinduístas e nem conheciam Fernando Gabeira. É que a turma da casa-grande não disponibilizava a rara proteína para os escravos. Dava-lhes um angu ralo de farinha de milho ou mandioca (neste caso, o pirão), um feijão também ralo, às vezes com toucinho, e frutas nativas, basicamente. Raramente um pedaço de carne fresca ou salgada era misturada ao feijão – quase dissolvida. Às vezes os próprios escravos mantinham pequenas criações e hortas.
Mas a feijoada, na verdade, provavelmente veio por influência europeia, eis que pratos muito parecidos são encontrados em Portugal e na França (cassoulet), entre outros países daquele continente.
Quanto ao angu à baiana?
Bem, ele não é da Bahia. É do Rio de Janeiro. Uma iguaria que frequentava as mesas da nobreza, como narrou Debret, e era vendido nas ruas cariocas por escravas geralmente baianas, vestidas a caráter. Daí o nome.

Entre o sério e o engraçado

A contribuição dos negros para a culinária brasileira foi algo excepcional.  Assim como para a cultura em geral. Mas devemos tirar da cabeça aquela imagem dos escravos toda noite fazendo batuque, jogando capoeira e as escravas fazendo feijoada. A vida deles era bem mais dura que isso. Festas ocorriam nos dias de descanso e dias santos. Não eram parte do seu dia-a-dia, marcado por muito trabalho e por castigos.
Da mesma forma é preciso desmistificar a questão da Igreja e a escravidão no Brasil. A Igreja Católica já tem um grande peso sobre suas costas, que foi a Inquisição. Não faz sentido atribuir-lhe erros que não cometeu.
Uma piada dos primórdios do jornalismo dizia: se a versão é mais interessante que os fatos, publique a versão.
Era uma piada, pois obviamente os jornalistas publicavam o factual.
Nos dias de hoje a piada está sendo levada a sério: publica-se a versão – por má intenção ou ignorância – e danem-se os fatos.
Talvez isto tenha como origem a constatação de que jornalismo e entretenimento se misturaram.
Programas de humor colocam jornalistas para fazer graça, debochar das pessoas nas ruas e escrachar personalidades.
Como que em represália, agora os jornais passaram a colocar humoristas para escreverem sobre coisas sérias.
Resultado:  o humor vai perdendo a graça e o sério vai ficando ridículo.

O humorista Gregório Duvivier: em coluna (séria) na Folha repete folclore como se fosse verdade

O humorista Gregório Duvivier: em coluna (séria) na Folha repete folclore como se fosse verdade


“Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é plenamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que (…) o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem da religião e do gênero humano”.
Carta de Pio VII a Dom João VI

“Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios e todas as mais gentes (…), ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”.
Bula Veritas Ipsa de Paulo III, 1537

“Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica”
Carta de Pio VII a Napoleão Bonaparte

AURÉLIO PAIVA | aurelio@diariodovale.com.br


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28 comentários

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    Defendo a Monarquia vaza sua anta

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    Teólogo Metodista

    Texto um tanto quanto significativo, de grande relevância. Parabenizo pela redação,pela pesquisa e a ótima conclusão.

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    Esses esquerdistas estão cavando o próprio buraco. Quanto mais se radicalizam e tentam impor as coisas no grito, mais a população está ficando consciente. O povo está aos poucos abrindo mais os olhos.

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    Parabéns pela matéria, e vi que o título despertou muita curiosidade nos leitores. Só para esclarecer um pouco, a feijoada tem origem Francesa e originalmente feita com feijões brancos. Monsieur, a maçonaria tem sim um papel importante e muitas das vezes mal compreendido na historia, mas essas palavras que você escreveu na verdade é o lema norteador da Revolução Francesa.

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    Parabéns Aurélio pela matéria é importante mostrarmos outros ângulos da história. É importante verificar que vc em momento algum negou a Santa Inquisição, apenas apresentou uma ótica desconhecida por muitos.

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    Prezado Aurélio, nada a acrescentar, apenas o seguinte fato: quem merece escrever em um jornal do porte da FSP é você, e não o citado humorista. Se bem que, no ritmo em que anda, a FSP não tardará a desaparecer.

    Grande abraço e, mais uma vez, parabéns pela coluna.

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    Excelente matéria Aurélio. Uma luz nessa escuridão da História.

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    Recomendo a todos a leitura dos livro “Como a igreja católica construiu a civilização ocidental ” deThomas
    E . Woods Jr.
    Livro que acaba com os mitos sobre a igreja católica e o cristianismo.

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    Que matéria maravilhosa, Parabéns ao jornalista e ao Diário do Vale por levantar o nível dos jornais regionais.

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      Os jornalistas ajudam, mas quem eleva o nível dos jornais são os seus leitores.

      Participe mais para vermos ótimas reportagens aqui.

      Por princípio eu só leio jornais de minha cidade e região, e o Diário do Vale está crescendo a cada dia.

      Jornais FORASTEIROS eu desprezo.

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    Porque tinha uma igreja para brancos e outra para negros em Paraty?

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    Excelente texto. Principalmente pela abordagem “fatos x versão”.
    Me fez lembrar de uma publicação recente onde o diário do vale que, tendenciosamente, se refere ao bilhete único de Volta Redonda como bilhete único social. A palavra “social” não consta no decreto que regulamenta o sistema de bilhetagem, portanto podemos dizer que preferiram a versão aos fatos.

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    Gregório Duvivier é além de ateu, um comunistinha caviar. Disso eu já sabia, e não me espanta que ele tenha este tipo de opinião e não dou ibope pra ele. Agora, o que é de causar espanto é que grandes veículos de comunicação em nosso pais ditos “sério” até a pouco tempo atrás, como a Folha de São Paulo / UOL /dentre outros, demonstrarem cada vez mais parcialidade em suas matérias e colunas com um viés ideológico esquerdista. Acorda Brasil! Parabéns pela matéria, foi muito esclarecedora.

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    Parabéns pela matéria. Na região do Saara, no Rio, há uma igreja onde o Padre escondia escravos fugitivos.

    A Igreja é acusada injustamente sobre a Inquisição. Governos e poderosos autoritários da idade média, ateavam fogo, torturavam e enforcava opositores e dasafetos acusando-os de bruxaria em nome de Cristo. Cristo que confundia-se com a Igreja. Igreja que confudia-se com os Governos da época. O Tribunal foi criado pela Igreja para livrar pessoas de serem mortas. A Igreja livrou tantos quantos pode, milhares foram salvos.

    Muitos acusam e protestam contra a Igreja, sem conhecimento, e por achismo, sem estudar a fundo sua história. Um dos maiores protestantes do mundo, o Presidente da Sociedade Biblica Americana, estudou a fundo a Igreja e os escritos de todos os Papas, logo tornou-se Católico.

    Nenhuma organização dura 2000 anos, sendo a maior de todos os tempos, sem a liderança de Deus. Revela milhares de líderes com Jonas Abib e Dom Waldir, no Brasil e no Mundo.

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      Isso mesmo, leitor! Vc foi mais específico.

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      Bem, e o que dizer do Tribunal do Santo Ofício, criado em 1288 para se tornar o que se chamou de A Santa Inquisição posteriormente?
      Negar a existência e atuação da “Santa Inquisição”, mesmo em meio a tanta documentação histórica, é o mesmo que negar que houve o Holocausto na Segunda Guerra!

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      Inquisidor, você não entendeu meu comentário. Quais documentos históricos?? Os mesmos livros de história que foram desmascarados na matéria do Aurélio? O Tribunal do Santo Ofício ou Santa Inquisição foi criado pela Igreja para provar que acusados de bruxaria não eram bruxos coisa nenhuma. Como o próprio nome diz, foi apenas um tribunal. Poderosos estavam usando o nome de Cristo para atear fogo em desafetos, acusando de bruxaria. O Tribunal livrou do fogo TODOS que julgou, milhares, todos quanto pode. O Tribunal foi na verdade advogado vitorioso dos acusados. A Igreja sempre incomodou o mau, e tentam difama-la a todo custo ao longo de 2000 anos, só por Deus pode resistir. Nesse caso, a Igreja por ter entrado no caso para ser advogada levou a fama de executora de pena de morte, isso que é atribuição de governos da época e até recentemente. Nunca ouvi falar de forcas e fogueiras na frente das igrejas ou em seus pátios e praças e porões. Assim como é visivel os locais de açoite de negros em fazendas históricas de nossa região onde possuem até hoje as ferramentas de tortura e o tronco. Cadê os vestigios desses locais nas igrejas antigas?? Não há! Pois nunca existiram. Pura lenda!

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    Os documentos papais eram ignorados pelos governos autoritários. Penso que a igreja sempre foi usada, e hoje percebo isto, pelos governos de plantão. Na Inquisição os governos eram muito dependentes da igreja católica, os quais sempre tinha um padre ou bispo no meio , e para continuarem em harmonia tinha de se submeter ao poder, que fazia o que queria com os opositores (enforcavam em praça pública) e depois jogavam a culpa na igreja. Hoje não é tão diferente como vimos com Frei Beto na implantação do Bolsa Família pelo LULA. Só que o Frei caiu fora quando percebeu a manobra petista.

    Nas eleições de 2009 vimos o candidato Serra e Dilma disputando o apoio da igreja tendo está última se beneficiado diante da promessa registrada em cartório do não reconhecimento do aborto, o que se tornou mentira mais tarde pela petista. Como os críticos da Inquisição, agora os críticos da igreja poderiam jogar a culpa do aborto na igreja por tê-la apoiado na campanha.

    Assim como na Inquisição, atualmente a igreja católica, evangélica entre outras apoiaram o candidato a prefeito de VR, o futuro Neto.

    Por que os críticos da Inquisição tbm não culpam a igreja por termos um governo tão ruim aqui? Ou será que vão ocultar os fatos no futuro como fizeram e ainda fazem os comunistas sobre essa ideologia cancerígena brasileira? Ainda fazem, pois nossas escolas de Ensino Médio, faculdades e universidades estão infestadas desses defensores dos bandeiras vermelhas ensinado o quão bom é o socialismo e ao mesmo tempo apagando de nossas mentes a verdadeira história do Brasil.

    Se querem saber melhor sobre a história do Brasil procurem informações e autores de antes de 1960, pois após essa data, a nossa história está adulterada, tanto pela ditadura quanto pelos comunistas quanto por outras ideologias importadas.

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    Muitas pessoas têm o péssimo hábito de afirmar categoricamente, como se fossem verdades absolutas, coisas das quais ouviram falar, que viram em algum filme hollywoodiano ou leram numa revista sensacionalista. É comum ouvirmos gravíssimas acusações contra a Igreja toda vez que se toca nesse assunto. Muitos acham que a Igreja, cometeu atrocidades no passado. E por puro desconhecimento da História, muitos católicos não sabem o que responder. A primeira pergunta a se fazer para quem critica a Igreja por conta destes rumores é: que livro você leu sobre o assunto? Poucas pessoas conhecem esses detalhes importantíssimos a respeito da História, mas muitos se acham qualificados para criticar a Igreja, imaginando que sabem tudo o que é preciso saber para formar e expressar sua opinião.
    Parabéns pela matéria acima !

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    Excelente e pertinente. Ótima leitura para um domingo.

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    Novamente, matéria de alta relevância social, política e religiosa. Reescrever a história, é impossível. Relatar os fatos verdadeiros, é correto e saudável. Afinal, em um país como o Brasil que nunca teve uma identidade política, religiosa, social e econômica definida, é compreensível as diversas mazelas contra as culturas dos povos das várias etnias, ou nacionalidades. Na própria matéria, há citação dos primórdios tempos em que a subjetividade era a determinante. Tanto fez se por origem religiosa ou política. E olhe que não foi mencionado o Egito antigo. Mas, com certeza, a idade média foi quando muita coisa de atrocidade nasceu e ou aconteceu. Por este motivo, lembrando a situação de D Pedro a própria Princesa Isabel, que alguns movimentos foram criados e fortaleceram. A maçonaria é um exemplo disto. Não deixando de lembrar, os políticos abolicionistas. Aos leitores, leiam com bastante reflexão e sem crucificação. Ainda existe uma conta muito cara sendo paga. Abraços fraternos…

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      Luciano Fernandes

      A Maçonaria teve sim papel fudamental no fim do cativeiro africano no Brasil.

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      Sim, com certeza, entre outros assuntos e áreas. Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

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      A maçonaria representava a elite branca que não queria mais sustentar negro na fazenda. Era muito caro. Ficou MUITÍSSIMO mais barato dando-lhe um salário mínimo para as suas necessidades básicas como moradia, alimentação, saúde, etc Ah, em cima desse salário mínimo o governo ainda tira os impostos.

      Em relação à sustentação, os negros da época eram iguais os assessores, cargos comissionados e RPA dos politiqueiros hoje, mais precisamente iguais os de VR.

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    Vai chegar a época em que as pessoas olharão para o passado (hoje) e também considerarão um absurdo sem tamanho o fato de mantermos cães e gatos presos. Nossos argumentos para tal serão também considerados estapafúrdios e egoístas, já que não precisamos mais deles para caçar, defender casas e eliminar pragas, tampouco se prende quem se ama…

    Quanto à idéia de escravidão apoiada pela Igreja, a mesma analogia faz-se para Monarquia. Muitos hoje pensam que D. Pedro II foi um escravagista, mas pelo contrário, era um fervoroso abolicionista, tanto que ele próprio remiu vários de seus escravos antes de se falar em leis para tal, mas ele sozinho não podia remar contra a maré. A escravidão interessava não só ao setor produtivo como também a alguns clérigos (que nestas terras distantes tentavam conciliar seus próprios interesses com os da Igreja, muitas vezes conflitantes) e membros da Côrte. A economia brasileira era dominada pelos barões escravocratas, eles eram muito poderosos. A situação só começou a mudar quando a sociedade urbana começou a crescer e dali saírem vozes expoentes que levantaram a bandeira contra esse estado de coisas, além obviamente da pressão internacional…

    Eu pessoalmente acho que se o Brasil ainda fosse um império estaríamos numa situação muito melhor do que hoje, por N fatores que não cabe elencar aqui…

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