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Espetáculo de graça no Teatro de Angra

Matéria publicada em 24 de outubro de 2018, 08:30 horas

 


Foto: Aline Macêdo

No dia 25 de Outubro, às 20h, no Centro Cultural Theophilo Massad-CCTM, centro de Angra dos Reis, será encenado o espetáculo da Companhia Omondé do Rio de Janeiro, “A Mentira” de Nelson Rodrigues, com direção e adaptação de Inez Viana.
Com o espetáculo A mentira o grupo carioca está como um dos indicados ao Prêmio Cenym na categoria melhor Companhia de Teatro, e com esse mesmo trabalho está fazendo uma circulação por vários espaços culturais do Rio de Janeiro através do Prêmio Funarte de Teatro Tônia Carrero 2018.
A mentira é uma tragédia causada por mentiras e segredos que foi escrita em 1953, através de publicações periódicas em episódios escrita a pedido de Samuel Wainer para o Jornal Última Hora, onde Nelson Rodrigues já assina a obra sem o pseudônimo de Suzana Flag.
Na trama, desejos reprimidos dominam o cotidiano familiar e quando verdades inconfessáveis vêm à tona, a loucura contida pelos bons costumes eclode violentamente.
“A Mentira” contém todos os elementos posteriormente chamados de rodriguianos: Lúcia é a caçula de uma família de quatro mulheres e um pai repressor, que vive na Zona Norte do Rio de Janeiro. Aos catorze anos ela sente um súbito mal-estar, que leva à terrível descoberta da gravidez. A suspeita sobre quem seria o pai da criança será o motor de uma sequência de revelações, acontecimentos passados e desejos ocultos sob a aparente harmonia familiar.
A Mentira é uma obra atual, repleta de ótimos diálogos, característica bem ligada à famosa veia dramatúrgica do autor. O lado jornalístico do Nelson também se apresenta através do narrador em terceira pessoa, o que propicia uma encenação dinâmica, épica, num diálogo direto com a plateia, trazendo para os dias de hoje uma crítica sobre o machismo, a misoginia e o aborto, temas de uma época, refletida ainda nos dias de hoje. Questões são levantadas quando nos deparamos com a forma de Nelson Rodrigues tratar as mulheres: seria um pensamento de uma época retratado por ele, ou corroborava desse mesmo pensamento?
Composto por duas atrizes e cinco atores, o elenco se reveza nos vários personagens da trama, formando assim um caleidoscópio de pontos de vista diferentes. Produzido com recursos próprios, “A Mentira” é o sétimo espetáculo da Cia OmondÉ, que em 2019 vai celebrar 10 anos de atividades.

Quem é a Cia OmondÉ?
A Cia OmondÉ surgiu no final de 2009 da vontade da diretora e atriz Inez Viana em formar um grupo com atores e atrizes vindo de várias partes do Brasil, para o aprofundamento de uma pesquisa cênica, onde a diversidade, a brasilidade e o diálogo com a cena mundial contemporânea fossem concomitantemente estudados. “Trata-se de uma busca aos signos do teatro, infinitos se pensarmos na precisão de um gesto ou na magia do aparecimento de um objeto em cena, levando o espectador a ser cúmplice não-passivo, co-autor e não somente voyer do espetáculo”, declara Inez Viana.

O repertório da OmondÉ compõe-se das peças:
– “As Conchambranças de Quaderna” (2009) de Ariano Suassuna, recebeu o Prêmio Shell-RJ de melhor direção musical (Marcelo Alonso Neves), Prêmio APTR de melhor atriz coadjuvante (Dani Barros) e Prêmio Contigo de Teatro para melhor espetáculo de comédia, além de indicações aos prêmios Shell e APTR de melhor direção, APTR de melhor ator protagonista e figurino e Qualidade Brasil de melhor ator de comédia.
– “Os Mamutes” (2011) de Jô Bilac, recebeu Prêmio FITA de melhor direção (Inez Viana), melhor atriz protagonista (Debora Lamm) e melhor figurino (Flavio Souza), além de indicações aos prêmios Shell de melhor figurino, APTR de melhor atriz, Questão de Crítica de melhor atriz e figurino.
– “Nem mesmo todo o oceano” (2013) de Alcione Araújo, foi indicado ao Prêmio APTR de melhor produção e Questão de Crítica de melhor direção e trilha sonora.
– “Infância, tiros e plumas” (2015) de Jô Bilac, recebeu indicações ao Prêmio Questão de Crítica de melhor cenário e CENYM de melhor espetáculo, texto original, cia de teatro, qualidade técnica, cenário, iluminação, trilha sonora original e efeitos sonoros.
– “Os Inadequados” (2016) Criação Coletiva.
– “Mata teu pai” (2017) de Grace Passô, recebeu o Prêmio Cesgranrio de melhor autora (Grace Passô) e indicado ao Shell de melhor cenário e iluminação e ao Prêmio Qualidade Brasil de melhor atriz.

Ficha técnica
Texto: Nelson Rodrigues
Direção e adaptação: Inez Viana
Elenco: André Senna, Denise Stutz, Elisa Barbosa, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Lucas Lacerda e Zé Wendell
Direção de Movimento: Denise Stutz
Iluminação: Ana Luzia De Simoni
Figurino: Virgínia Barros
Ambientação Cênica: Inez Viana
Assistente de Direção: Bruna Christine
Assessoria de Imprensa: Ney Motta
Projeto Gráfico: André Senna
Fotos de Divulgação: Aline Macedo/Elisa Mendes
Vídeos: Elisa Mendes
Produção Executiva: Junior Dantas
Direção de produção: Inez Viana e Douglas Resende
Realização: Cia OmondÉ
Duração: 70 min
Classificação etária: Não recomendado para menores de 14 anos


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