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Europa lança sonda para procurar vida em Marte

Matéria publicada em 24 de março de 2016, 07:30 horas

 


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Semana passada a agência espacial europeia Esa, lançou com sucesso sua sonda espacial para procurar indícios de vida em Marte. A nave, de 4,3 toneladas, foi impulsionada para fora da órbita da Terra por um foguete russo Proton, lançado da base de Baikonur, no Cazaquistão. Chamada de Exomars (Exobiologia em Marte) a sonda leva uma série de espectrômetros para tentar detectar a presença de gás metano na atmosfera marciana. O metano pode ser produzido por organismos vivos. A sonda também leva uma cápsula de pouso, a Schiaparelli, que vai testar tecnologias para o pouso de um carro robô que a Esa pretende enviar para Marte em 2018.

A missão é uma parceria dos europeus com a Rússia, que não envia sondas para Marte desde a década de 1980. Atualmente a agência espacial americana, Nasa, explora Marte com um carro robô, o Curiosity. A cápsula de pouso da sonda europeia foi batizada em homenagem ao astrônomo italiano do século dezenove, Giovanni Schiaparelli. Foi ele que observou linhas parecidas com canais na superfície de Marte, o que impulsionou a crença na existência de uma civilização marciana.

Até a década de 1960, muitos astrônomos acreditavam que Marte tinha vida vegetal e talvez animais de grande porte. Em 1962 a agência espacial americana Nasa apresentou uma proposta para enviar três astronautas para Marte em 1975. De acordo com a descrição do projeto os astronautas pousariam em Marte em uma pequena cápsula cônica, sustentada por paraquedas. Sua primeira tarefa, depois do pouso, seria olhar pelas escotilhas da nave e “avaliar os perigos locais, incluindo a existência de formas de vida inamistosas”. O que mostra que, mesmo em 1962 ainda se admitia a possibilidade de animais de grande porte em Marte.

Mudança

Em 1964 a sonda americana Mariner 4 sobrevoou Marte e suas fotos mudaram nossa visão do planeta vermelho. Marte não tinha os canais imaginados por Schiaparelli, nem sinais de vida inteligente. Era só um deserto frio e morto. Em 1976, depois de vários fracassos soviéticos, a Nasa pousou duas sondas Viking em Marte. Que enviaram para a Terra as primeiras fotos da superfície marciana. As fotos da Viking mostram um deserto avermelhado, coberto por pedras de todos os tamanhos.

Apesar de todas essas decepções a ideia da vida marciana ainda não morreu. Na década de 1990 um meteorito que veio de Marte revelou formas microscópicas que parecem fósseis de bactérias. De 1996 até hoje a Nasa conseguiu pousar com sucesso quatro carros robôs para explorar o deserto marciano. Primeiro foi o pequeno Sojourner, depois o Spirit e o Oportunity. Atualmente o Curiosity percorre as dunas e crateras marcianas. Todos esses robôs são equipados com câmeras de TV estereoscópicas e nunca detectaram a menor folha de grama na superfície marciana.

Resta a possibilidade de que exista uma vida microscópica no solo de Marte. Bactérias, vírus ou protozoários. Daí a missão europeia que vai analisar a atmosfera marciana em busca de traços de gás metano, produzidos por micro-organismos. A Exomars leva câmeras de alta definição para produzir mapas mais precisos da superfície marciana. E três espectrômetros, sendo um ultravioleta e dois infravermelhos, para analisar a atmosfera em busca de metano. Outro instrumento é um detector de nêutrons que vai procurar por depósitos de água no subsolo marciano.

Além de ser um dos planetas mais próximos da Terra, Marte é o único que poderia ser colonizado com a tecnologia atual. Tanto a Nasa, quanto a agência espacial europeia, tem planos de enviar astronautas para Marte em 2035. Mas antes é preciso enviar robôs para esquadrinharem o planeta detectando possíveis riscos.

 Partida: Foguete russo enviou a sonda ao espaço


Partida: Foguete russo enviou a sonda ao espaço

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

  1. Avatar

    não conseguimos cuidar da vida que temos aqui. Ainda queremos procurar vida em outro lugar

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