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Explosão em estrela próxima surpreende cientistas

Matéria publicada em 5 de maio de 2021, 15:09 horas

 


Próxima Centauri tem um planeta semelhante a Terra na zona habitável

Explosão: Brilho da estrela aumentou 14 mil vezes

Vários observatórios astronômicos detectaram uma enorme erupção solar na estrela Próxima Centauri, a mais próxima da Terra depois do Sol. A erupção de plasma e energia foi 100 vezes mais poderosa do que as labaredas solares que costumam acontecer no Sol. O evento compromete as chances de existir vida no planeta Próxima b, que orbita essa estrela. Em alguns segundos o brilho da estrela aumentou 14 mil vezes o que seria fatal para criaturas vivendo em um planeta próximo.

O evento em Próxima Centauri foi testemunhado por três observatórios importantes. O telescópio espacial Hubble, o grande telescópio de Atacama no Chile e o Satélite de Transito de Exoplanetas da Nasa. Próxima Centauri fica a apenas 4,25 anos-luz da Terra e é a estrela mais próxima de nós, depois do Sol. Diferente do Sol, Próxima Centauri é uma estrela anã vermelha, com um tempo de existência centenas de vezes mais longo. O que em teoria aumentaria as chances da vida ter se desenvolvido em planetas próximos.

Próxima Centauri passou a ser observada intensamente pelos astrônomos depois da descoberta, em agosto de 2016, de um planeta orbitando dentro da zona habitável. Chamado de Próxima b o planeta tem 1,3 vezes a massa da nossa Terra. E gira ao redor de Próxima a uma distancia que permitiria, em teoria, a existência de água líquida e gelo em sua superfície.  Ele fica a 0,05 unidades astronômicas da estrela, o que é muito perto. A Terra fica a uma unidade astronômica do Sol. Mas como Próxima é um sol vermelho e apagado a temperatura em sua superfície pode ser amena.

Mas o que compromete a existência de vida nesse mundo próximo é a radiação emitida pela estrela. Só a quantidade de raios X é 400 vezes mais intensa do que a recebida pela Terra. E as explosões e labaredas solares, como a que foi observada no dia 1 de maio de 2019, emitem uma quantidade muito grande de raios ultravioletas e partículas atômicas que poderiam destruir a vida como a conhecemos. Como disse o astrônomo Meredith CcGregor, no site Space.com, se existir vida em Próxima b ela terá que ser muito diferente de tudo o que existe aqui na Terra.

O projeto Brewkthrough Starshot, do bilionário Yuri Milner pretende enviar uma frota de sondas, impulsionadas por velas fotônicas para observar Próxima b. Na série de televisão “Cosmos: Mundos Possíveis” o astrônomo Neil deGrasse Tyson imaginou até uma nave tripulada, levando colonizadores humanos para este mundo. Mas por enquanto isso é pura ficção científica. Qualquer colônia humana que se instalasse em Próxima b, um mundo onde o ano dura apenas 11 dias, seria exterminada pela radiação da estrela vizinha.

Por enquanto os seres humanos do planeta Terra estão tentando se instalar em nossa vizinha Lua. Na semana passada a China enviou ao espaço o primeiro módulo de sua nova estação espacial, a Tianhe. Ao contrário dos módulos Tiangong, lançados na última década, a Tianhe será uma estação espacial permanente. Ela deverá ser usada tanto pelos astronautas chineses quanto pelos russos. Os dois países assinaram um acordo de cooperação, recentemente, visando a construção de uma base na Lua até o final desta década. A Lua também é o objetivo do projeto Artemis que envolve a agência espacial americana Nasa, a empresa Space X do bilionário Elon Musk e a agência espacial europeia Esa.

 

Jorge Luiz Calife

 


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