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Explosão nuclear no espaço surpreende cientistas

Matéria publicada em 21 de novembro de 2019, 09:42 horas

 


Fenômeno foi provocado por uma estrela de nêutrons; em 20 segundos ela liberou a mesma quantidade de energia que o Sol leva 10 dias para produzir

O Universo em que vivemos é um lugar muito violento. Cheio de fenômenos que reduzem à insignificância a tecnologia criada pelos seres humanos. No dia 21 de agosto passado nosso planeta foi atingido por uma descarga de raios X de uma violência inédita. Ela foi provocada pela fusão de hidrogênio na superfície de uma estrela de nêutrons situada há 11 mil anos luz da Terra. Em 20 segundos ela liberou a mesma quantidade de energia que o Sol leva 10 dias para produzir.
O fenômeno foi detectado por um instrumento chamado NICER, um telescópio de raios X instalado na viga principal da Estação Espacial Internacional. NICER é a sigla de Neutron Star Interior Composition Explorer (Explorador da Composição Interior das Estrelas de Nêutron). As estrelas de nêutron são o resultado do colapso final de estrelas de massa muito maior que a do nosso Sol. O núcleo dessas estrelas é comprimido por uma gravidade tão intensa que faz os átomos desmoronarem. E a estrela vira uma bola de partículas atômicas chamadas nêutrons, do tamanho de uma cidade. Uma colher de chá do material dessas estrelas pesa milhões de toneladas.
A explosão nuclear do dia 21 de agosto aconteceu na superfície de uma estrela binária conhecida pela sigla SAXJ 1808.4-3658. Além de ser uma estrela de nêutrons a J1808 também é um pulsar. Porque seu campo magnético projeta dois jatos de energia de ambos os polos, que podem ser detectados como pulsações na faixa das ondas de rádio. A J1808 já seria uma estrela violenta se estivesse sozinha. Mas, ela forma uma dupla com uma estrela anã marrom. As anãs marrons são astros muito grandes para serem planetas e muito pequenos para se tornarem estrelas. A pressão dentro delas não atinge o nível necessário para criar as reações nucleares que fazem as estrelas brilharem.
A anã marrom encontra-se tão perto do pulsar que seus gases são sugados pela gravidade de sua vizinha. Arrancados da superfície da anã marrom os gases formam um disco de matéria, girando em espiral até cair na superfície da estrela de nêutrons. Lá eles são tão comprimidos pela gravidade que se fundem, transformando-se em átomos de hélio. O que provoca uma súbita descarga de energia, igual a que acontece nas bombas atômicas criadas pelos seres humanos.
A diferença é que a explosão nuclear na superfície de um pulsar é milhares de vezes mais potente do que qualquer artefato já criado pelos seres humanos. Os cientistas do centro espacial Godard, da Nasa, classificaram o fenômeno como Descarga de Raios X do Tipo 1. E o evento registrado no dia 21 de agosto foi um dos mais violentos já registrados. Ele só pode ser observado porque o telescópio NICER foi instalado acima da atmosfera do nosso planeta que, felizmente, para nós, bloqueia os raios X vindos do espaço.
Quando uma estrela tem uma massa muito maior do que a de uma estrela de nêutrons, ela vira um buraco negro, como o Sagitário A, que fica no núcleo da nossa galáxia, a Via Láctea. Em uma região que o pessoal da Nasa chamada de “coração das trevas”. Uma estrela capturada pela gravidade do Sagitário A pode ser acelerada e arremessada para fora da galáxia. É o caso da estrela S5-HVS1. Ela se encontra atualmente na constelação de Grou e viaja com uma velocidade de seis milhões de quilômetros por hora. Mapeando a trajetória da S5-HVS1 os astrônomos descobriram que ela saiu do núcleo galáctico, onde foi acelerada até essa velocidade incrível pela gravidade do buraco negro.
Se tivéssemos uma nave espacial capaz de viajar a seis milhões de quilômetros por hora poderíamos atingir o planeta Marte em poucas horas. E chegar a Saturno em uma semana. No caso da estrela fugitiva ela vai escapar da Via Láctea e se perder na vastidão do espaço intergaláctico.


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