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Fidel Castro, o último líder da Guerra Fria e a crise de 1962

Matéria publicada em 6 de dezembro de 2016, 07:10 horas

 


Ditador cubano foi peão na crise dos mísseis de Cuba; medo de um novo ataque colocou os cubanos em ‘pé de guerra’

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Com a morte de Fidel Castro podemos dizer, com segurança, que o século XX terminou, finalmente. Castro era o último de uma série de lideres mundiais que foram figuras centrais no período da Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. Os outros, como Kennedy, Kruschev e De Gaulle já morreram há muito tempo. A ilha de Cuba foi o centro das atenções mundiais durante a célebre crise dos mísseis de outubro, em 1962. Quando o mundo esteve muito perto de uma guerra nuclear total.

A crise dos mísseis de Cuba foi uma queda de braço entre o jovem presidente norte-americano John Kennedy e o líder soviético Nikita Khrushchov. Fidel Castro estava no meio e se preocupava em não aparecer como “um marionete dos russos”. Mas foi a ameaça de uma invasão americana em Cuba, o que o levou a concordar com a instalação dos foguetes nucleares soviéticos.

Na verdade os fatos que levaram o mundo a beira de uma guerra catastrófica tinham começado no início da década. Quando o governo Kennedy treinou e armou uma força de dissidentes cubanos para invadirem a ilha e derrubarem o governo Castro. A invasão, que ficou conhecida como o “ataque da baía dos Porcos” fracassou e a força de dissidentes cubanos foi aniquilada pelas tropas de Fidel. O medo de um novo ataque colocou os cubanos em “pé de guerra” e abriu caminho para que Moscou convencesse Fidel a aceitar os mísseis nucleares.

A Guerra Fria foi um período de disputas em que as duas superpotências mundiais tentavam equilibrar suas forças. Era como um jogo de xadrez onde cada movimento do oponente precisava ser equilibrado por uma ação contrária do jogador.

Em 1961 o governo Kennedy instalou mísseis balísticos Júpiter, com ogiva nuclear de um megaton em bases instaladas na Turquia e na Itália. O que colocava os soviéticos em desvantagem. Toda a estratégia nuclear se baseava no tempo de 30 minutos que um míssil nuclear leva para voar da América do Norte até a Ásia e vice-versa. Os Júpiter na Turquia poderiam atingir seus alvos na Rússia em 15 minutos de voo, o que não daria tempo aos soviéticos de reagir.

Krushev contra-atacou sugerindo a Fidel Castro que ele aceitasse a instalação de mísseis soviéticos SS-4 e R-12. Os mísseis transformariam Cuba em uma minipotência nuclear afastando de vez a ameaça de um ataque norte-americano. Os soviéticos prometeram que incluiriam no pacote foguetes táticos antinavios que envolveriam Cuba em um “guarda-chuva nuclear” contra qualquer ataque a ilha.

A instalação dos mísseis foi feita em segredo. Um segredo logo revelado pelas fotos dos aviões espiões U-2, que sobrevoavam Cuba regularmente. Furioso, Kennedy ordenou um bloqueio naval completo, com ordens para que os navios abrissem fogo contra qualquer barco soviético que tentasse furar o bloqueio. Os soviéticos enviaram submarinos com torpedos nucleares e o mundo se viu a beira de uma guerra apocalíptica.

A crise dos mísseis de outubro foi o primeiro confronto mundial a ser transmitido pela televisão para todo o mundo. Na época não existiam transmissões via satélite e os telejornais tentavam acompanhar os acontecimentos com boletins e telefotos transmitidas via cabo submarino.

No final venceu a diplomacia. Os soviéticos concordaram em tirar os mísseis de Cuba se os americanos tirassem os Júpiter da Turquia e da Itália. Kruschev, que considerava o presidente americano “fraco e inexperiente” passou a respeitar o seu oponente. E Fidel teve a promessa de que os americanos nunca mais tentariam invadir sua fortaleza tropical.

Pivô: Um míssil americano Júpiter instalado na Turquia

Pivô: Um míssil americano Júpiter instalado na Turquia

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    Líder? Só em Cuba. A nível internacional Fidel foi um produto da Guerra Fria. Enquanto uma nação poderosa alimentar um Fulgêncio Batista haverá a possibilidade de aparecer um Fidel Castro, que poderá se tornar mais radical se combatido por forças de fora de seu país.

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