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Capa / Ciência – Por Jorge Calife / Fracassa o pouso da sonda europeia em Marte

Fracassa o pouso da sonda europeia em Marte

Matéria publicada em 27 de outubro de 2016, 07:10 horas

 


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A agência espacial europeia Esa conseguiu colocar sua sonda espacial Exomars em órbita ao redor do planeta vermelho. Mas perdeu contato com a sonda de pouso, a Schiaparelli, 50 segundos antes de a nave tocar o solo, no dia 19 de outubro. É a segunda vez que a agência espacial europeia tenta pousar um veículo em Marte e fracassa. Em 2003 a Esa perdeu a sonda Beagle 2 que também não conseguiu se comunicar com a Terra depois de pousar em Marte.

Imagens feitas pelo Orbitador de Reconhecimento de Marte da agência espacial americana, Nasa, mostram que o Beagle 2 está intacto na superfície do planeta. Mas dois de seus painéis solares não abriram. O que bloqueou a antena, impedindo o contato com a Terra. No caso da Schiaparelli parece ter ocorrido uma falha nos retrofoguetes que fizeram a sonda, de 1,6 metros de largura, se espatifar na superfície de um dos desertos marcianos. A primeira fase da frenagem da nave foi feita com um paraquedas supersônico que se abriu como esperado. Os problemas aconteceram depois que a nave se separou do paraquedas, a uma velocidade de 200 quilômetros horários e acionou os retrofoguetes para reduzir a velocidade. Um ou mais motores não funcionaram e o pouso ocorreu com uma velocidade excessiva.

O Schiaparelli foi batizado em homenagem ao astrônomo italiano Giovanni Schiaparelli, que observou canais na superfície de Marte no século XIX. O engenho, de 600 quilos de peso, em forma de disco voador, testou tecnologias que serão usadas para pousar um veículo robô em Marte, no ano de 2020. Apesar do fracasso do pouso suave a sonda transmitiu muitas informações importantes durante a descida.

O projeto Exomars é um esforço conjunto da Esa com a agência espacial russa. A sonda foi lançada por um foguete russo Proton, disparado do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, no dia 14 de março, e levou sete meses para chegar em Marte. Até hoje só a agência espacial americana Nasa conseguiu pousar veículos robôs em Marte. O planeta vermelho está cheio de veículos americanos, começando com as sondas Viking 1 e 2 em 1976 e continuando com a Pathfinder e o robô Sojourner em 1996 e com as missões dos robôs Spirit, Opportunity e Curiosity na década passada. O Opportunity e o Curiosity continuam ativos, explorando os desertos e crateras marcianas.

Mesmo assim a Nasa também teve seus fracassos, perdendo as sondas Mars Explorer e Polar Lander nos anos de 1990. A dificuldade de pousar em Marte se deve a atmosfera extremamente rarefeita do planeta. Na Terra as cápsulas que retornam do espaço conseguem pousar usando um sistema de paraquedas. Como as naves Apollo, que visitaram a Lua no século passado. Elas desciam no mar sustentadas por três enormes paraquedas. Em Marte o paraquedas só consegue reduzir a velocidade de queda para duzentos quilômetros horários, o que ainda é uma velocidade muito alta. As sondas americanas, como a Viking e o Curiosity, usaram retrofoguetes na fase final da descida. Mas o comando deve ser automático e ocorrer no momento preciso.

Marte fica tão longe que os sinais de rádio levam mais de dez minutos para atingir a Terra. O acionamento dos motores precisa ser feito pelo computador da nave a partir de dados de um altímetro de radar. Apesar da perda da Schiaparelli a equipe da Esa continua confiante de que conseguirá solucionar os problemas e fazer seu robô descer com sucesso em 2020.

Na época da extinta União Soviética os russos também fracassaram em suas tentativas de enviar naves para o planeta vermelho. O último fiasco aconteceu em 1989, quando duas sondas, enviadas para fotografar o planeta e suas luas, se perderam por falha nas comunicações. A parceria com a Esa tenta superar essa deficiência dos russos. Eles fornecem a força bruta, os foguetes Proton e os europeus a tecnologia robótica.

 

 Pane: Problemas ocorreram depois da descida de paraquedas


Pane: Problemas ocorreram depois da descida de paraquedas

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br

 


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