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Game over

Matéria publicada em 27 de outubro de 2017, 07:05 horas

 


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Fim de jogo! Para muitos é uma certeza de que é chegado o fim.

Esta expressão “game over” costuma ser utilizada para representar, literalmente, o fim de uma partida de videogame ou mesmo outro tipo de jogo. Simboliza que o jogador não conseguiu concluir o desafio proposto durante o jogo.

Essa é uma expressão que nasceu na década de 1950 em máquinas de pinball eletromecânicas. Quando o jogador deixava a bola cair no buraco, a expressão game over aparecia para indicar o fracasso, o fim da partida.

Com o tempo ela foi recebendo outras interpretações, virando gíria e o sinônimo de fim de alguma coisa que poderia ser do amor a vida, do casamento ao trabalho, da festa aos melhores momentos de lazer, game over passou a ser usada mais amplamente para indicar o fim de algo na vida real.

No conceito de fim de jogo ele permaneceu incluído como um elemento de risco, quando um jogador que não conseguiu atingir o objetivo proposto pela diversão, irá se deparar com um aviso indicando seu fracasso, mostrando que é hora de deixar de jogar, dessa forma ele é forçado a começar tudo de novo.

Quando se trata de jogo isso é totalmente possível, parar e reiniciar, começando uma nova partida, mas, e na vida?

Na vida

Na vida nem sempre esse recomeçar é possível, voltar atrás é algo muitas vezes inadmissível, sendo assim, todos nós jogadores dos verdadeiros jogos da vida, temos que saber administrar muito bem as partidas travadas no dia a dia.

Obviamente que não é nada fácil, saltarmos da ficção, do brinquedo para a realidade crua e muitas vezes dilacerante, onde não há opções, é vencer ou game over.

Mas há quem acredite que a vida real seja, na verdade, um grande jogo, onde sempre existirá ganhadores e perdedores, o que não deixa de ser uma realidade. Imagine se fosse possível viver em um mundo parecido como os dos jogos eletrônicos? Passar de fases ou níveis, vencendo cada um dos obstáculos e superando os desafios, tornando-se cada vez mais forte. Os games sempre apresentam um manual no qual podemos identificar os comandos, as respectivas missões e seus objetivos, o que pode e o que não se pode fazer, sabendo que correremos determinados riscos e que se for dado um passo em falso iremos perder vidas.

Por mais que nossa vida aqui na Terra pareça um jogo, na verdade não é. É realidade. Só temos uma vida. Algumas poucas escolhas e um único Criador.

Veja que cada fase da nossa vida é um nível que temos que passar, os estudos é um deles. Começando lá no jardim de infância até a faculdade e muitas vezes depois, o mestrado, doutorado e outros. Assim como em determinados jogos, as nossas escolhas irão definir quem você vai ser logo a frente. Então, é fato que pode seguir a sua vida do jeito convencional ou fazer escolhas diferentes e viver de uma maneira nada tradicional, mas sempre sabendo que para cada escolha existe uma consequência, boa ou não. Uma resposta as nossas apostas que poderão nos levar ao podium ou ao fracasso, a próxima fase do jogo ou ao game over.

Querendo ou não, vamos todos morrer. Ou seja, é game over na certa, fim de jogo sem direito a um stop de alguns instantes. Isso não quer dizer que perdemos o grande jogo da vida, claro que não.

Para aquele que se conhece e conhece os seus objetivos, tem no coração e na alma um propósito, certamente isso quer dizer que chegamos ao fim com sucesso, que não perdemos o jogo e muito menos o foco e sim que zeramos o game e faturamos o prêmio que foi viver com paz, amor e dignidade. São apenas duas únicas opções: viver intensamente sabendo dividir o tudo e o todo ou jogar sozinho, fazendo do egocentrismo o parceiro invisível, porque viver e saber jogar exige maturidade.

No jogo da vida nem sempre existe espaço para brincadeiras ou amadorismo, mas, com certeza, sempre haverá lugar para o bom humor e a destreza. Temos que trazer para a nossa vida, para o nosso interior os frutos de uma jogada certeira, sabendo que viver é uma arte, um jogo de pura sedução, onde o verdadeiro vencedor é aquele que vence a si mesmo, sem jamais impor derrota a ninguém.

Rogério Flausino, do Jota Quest, resume isso cantando… “Mas tudo que acontece na vida / Tem um momento e um destino / Viver é uma arte, é um ofício / Só que precisa cuidado”.

 

 

 

ARTUR RODRIGUES | artur.rodrigues@diariodovale.com.br


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