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Garçom? Água, por favor!

Matéria publicada em 31 de julho de 2018, 07:49 horas

 


Após os incômodos existenciais de uma juventude magricela, logo percebi as vantagens de um metabolismo que não me permitia engordar, a despeito do que quer que comesse ou bebesse.

Não importava muito a natureza do alimento ou a quantidade ingerida que meu peso era rigorosamente o mesmo ao longo dos anos.

Lastreado nessa dádiva metabólica involuntária, era natural que não me preocupasse com o que ingeria. Tinha orgulho de dizer que detestava alimentos diet ou refrigerantes zero. Quando o garçom perguntava se minha Coca seria Diet, eu batia no peito e dizia com orgulho: – Coca “Engordiet”!

Aliás, tomava Coca Cola como se fosse água. No almoço, no jantar, nos lanches da tarde ou nos assaltos à geladeira na alta madrugada.

Mas eis que um dia eu vi a balança ultrapassar o ponteiro dos 90kg, algo não exatamente assustador para alguém de 1,87m, mas ainda assim o maior peso da história da minha vida. O episódio emblemático aconteceu em uma época em que eu estava estudando mais seriamente o fenômeno da Longevidade e dos fatores que fazem as pessoas viverem mais e melhor, onde quase invariavelmente a alimentação aparecia como um fator chave nessa equação. E o açúcar, quase sempre, como um grande vilão.

Ao contrário do que talvez pareça, este artigo não é sobre dieta, mas sobre as dificuldades de mudar os hábitos que temos.

Tomei a decisão de reduzir drasticamente a ingestão de açúcares.

Não tem sido nada fácil vencer um hábito pacientemente esculpido ao longo de mais de 40 anos. Como renegar aquele companheiro que esteve ao seu lado por toda a vida? Qual o sentido de acompanhar uma pizza fumegante com queijo derretido escorrendo pelas bordas com um insosso copo d’água?

Comecei com uma transição gradativa. O mais fácil foi substituir o açúcar cristal com o qual adoçava café e sucos. Primeiro passei para o açúcar demerara, depois para o mascavo e no final o adoçante sucralose, que dizem que é o menos ruim da categoria.

Quanto aos refrigerantes, a luta foi mais inglória. Comecei trocando-o por formas mais brandas: Schweppes, depois H2OH, depois Água Tônica, depois Água Tônica Zero. A meta é chegar na água com gás e então na água pura, ou na taça pequena de vinho tinto nas (raras) ocasiões em que o menu, o clima e o momento justificarem.

Já estou na fase da Água Tônica Zero e isso tudo ao largo de apenas seis meses.

Ocasionalmente, ainda chuto o balde e fraquejo diante de uma Coca borbulhante e o exemplo da pizza fumegante talvez seja o mais emblemático dessa fraqueza. Mas consegui reduzir o protagonismo dos açúcares “ruins” a um papel coadjuvante. A próxima etapa será torná-los meros figurantes na minha vida alimentar.

A missão talvez tenha sido um pouco mais difícil porque à mesa das refeições a garrafa de Coca ainda fica lá, me olhando de soslaio, sedutoramente. Mas isso só reforça a necessidade de perseverar e não fraquejar, mesmo com a tentação lhe acenando a poucos centímetros de distância.

Este episódio (que ainda não se consumou), mostra como é difícil mudar hábitos arraigados, mesmo quando conscientemente sabemos a necessidade de mudarmos. Mas ao mesmo tempo, mostra que é sim possível mudar. Não há ninguém com um revólver na nossa cabeça obrigando a ser do jeito que sempre fomos. É uma luta da gente contra a gente mesmo.

Portanto, quando um garçom perguntar:

– E para beber?

Vença o automatismo e os instintos primitivos daquele ser da caverna que nos habita, abra bem a boca e solte aquelas duas sílabas que você conhece, mas nunca usa nesses momentos: ÁGUA!

Às vezes fico um pouco triste de abandonar a minha velha companheira borbulhante que me acompanhou até aqui (agora na forma de pneus que se incorporaram à minha cintura), mas não nos iludamos: faz algum tempo que a Coca Cola vem comprando fábricas de chás, sucos naturais e minas de água mineral.

Se até a Cola está querendo virar água mineral, porque cargas d’água (mineral) eu não posso mudar também?


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Um comentário

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    A sucralose foi considerada um dos piores adoçantes para a saúde, logo atrás do aspartame.

    Descubra mais sobre os males desta substância.

    Malefícios Da Sucralose
    A sucralose é um adoçante organoclorado sintético (OC), usado como ingrediente comum em muitos alimentos. Derivada do açúcar, e foi originalmente introduzida como um substituto natural dele.

    Na realidade, ela é um derivado de sacarose clorado, ou seja, o cloro. O cloro é um dos produtos mais tóxicos do planeta! A sucralose não contém calorias e é em torno de 600-700 vezes mais doce do que o açúcar (3, 4).

    Inicialmente, a sucralose foi encontrada através do desenvolvimento de um novo composto inseticida, e não era originalmente destinada para o consumo na alimentação.

    Ela é um dos principais adoçantes responsáveis pelo vício em alimentos, e bebidas excessivamente doces.

    Estudos observacionais não encontraram nenhuma relação entre o consumo de adoçante e diminuição de peso corporal. Alguns deles, inclusive, mostraram o aumento do índice de massa corporal. (5)

    Ao cozinhar a sucralose em altas temperaturas, pode liberar no alimento diversos compostos tóxicos. Ela pode alterar os níveis de glucose, insulina e péptido 1 semelhante ao glucagon. (3)

    O Que Fazer?
    Órgãos públicos e de saúde consideram a sucralose um adoçante seguro. Porém, novos estudos levantaram questões sobre os efeitos colaterais, mostrando que ela pode ter efeitos negativos no metabolismo.

    A sucralose é artificial, e traz diversos malefícios para a saúde como foi abordado neste artigo. Escolha outras opções de substitutos naturais do açúcar como a canela e xylitol, ou simplesmente não adoce os alimentos.

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