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Grupo europeu quer fundar nação no espaço sideral

Matéria publicada em 21 de outubro de 2016, 15:12 horas

 


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Um mês depois de o bilionário americano Elon Musk anunciar seu projeto de fundar uma colônia no planeta Marte, um grupo sediado em Paris lançou o projeto Asgardia, uma nação independente no espaço sideral. Ao contrário da colônia marciana de Musk, Asgardia ficará situada em uma ou mais estações espaciais que serão construídas em órbita da Terra ou no ponto de Lagrange, entre a Terra e a Lua. O líder do projeto, Igor Ashurbeyli, anunciou em Paris que os futuros moradores da nação espacial serão selecionados a partir dos voluntários que se inscreverem no site do projeto, o asgardia.space. Cerca de 84 mil pessoas já se candidataram para viver na futura estação espacial.

O projeto lembra filmes de ficção científica como “Elysium” e “Earth II” que já imaginavam a criação de nações independentes dentro de estações espaciais em órbita da Terra. O problema é que o grupo europeu ainda não tem uma estação espacial. Eles planejam lançar o primeiro satélite em 2017 e reunir um número suficiente de cidadãos, cerca de dezenas de milhares antes de solicitarem as Nações Unidas o status de nação independente.

O nome Asgardia, é claro, vem de Asgard, o lar celeste dos deuses nórdicos, como Thor e Odin. Para conseguir o reconhecimento das Nações Unidas, os cidadãos de Asgardia devem vir de países que permitem múltipla cidadania. O objetivo da nação no espaço será “servir a humanidade” e “manter a paz”. Eles planejam criar um sistema de satélites de defesa para proteger nosso planeta do impacto de asteroides e cometas. E criar uma economia independente baseada na exploração dos recursos existentes na Lua e nos asteroides.

Mas antes que a ficção vire realidade o grupo enfrenta dois obstáculos: um de origem legal e outro tecnológico. O problema legal é o Tratado do Espaço Sideral (OST), que foi assinado por muitos países durante a Guerra Fria entre Estados Unidos e União Soviética. O tratado estabelece que nenhum estado nação pode possuir territórios no espaço sideral. E que toda atividade no espaço deve ser liderada por um estado nação. Ashurbeyli acredita que esse tratado é um obstáculo para indivíduos e empresas que desejam agir no espaço independente dos governos. Para evitar problemas o grupo planeja se associar a um país que não seja signatário do tratado, como a Etiópia e o Quênia, e garantir o acesso ao mundo das estrelas para países pobres, que não tem recursos para bancar um programa espacial.

O consultor jurídico do grupo, Ram Jakhu, que é diretor do Instituto de Lei Aeroespacial da Universidade McGill, em Montreal, foi entrevistado pelo site Space.com e disse não ver problemas que impeçam o reconhecimento de Asgardia pela ONU. Para isso ela deve ter um governo, um grupo mínimo de cidadãos e uma estação espacial que chame de território.

“Como a nova nação se dedicará a projetos pacíficos, como o desenvolvimento de tecnologias espaciais e a proteção do planeta contra asteroides, o reconhecimento pela ONU deve acontecer naturalmente”, disse Jakhu.

Outro problema é tecnológico. Uma das estações espaciais de Asgardia vai ficar situada no ponto Lagrange 1, a um milhão e meio de quilômetros da Terra. Para sobreviver lá será preciso criar um sistema artificial de campos magnéticos, para proteger os moradores da radiação produzida pelas explosões solares. Para isso o projeto prevê o uso da energia solar para gerar uma bolha magnética de um ou dois Teslas de potência capaz de desviar as partículas energéticas vindas do Sol.

A estação espacial será feita com módulos infláveis, que estão sendo construídos pela empresa Bigelow Aerospace, de Las Vegas. Mas nem todos os cidadãos de Asgardia viverão no espaço. Muitos continuarão a viver e trabalhar na Terra, como acontece hoje em dia com pessoas que vivem e trabalham em países estrangeiros.

Módulo: Projeto pode começar com estação inflável

Módulo: Projeto pode começar com estação inflável

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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