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Horário eleitoral bem caro

Matéria publicada em 22 de julho de 2018, 07:47 horas

 


De gratuito, período destinado à divulgação de candidaturas e partidos na TV aberta não tem nada

Engano: De gratuito, horário eleitoral não tem nada – Foto: Marcello Casal Jr. – Agência Brasil

No dia 16 de agosto vai ser dada a largada para a campanha eleitoral, com a permissão para partidos e candidatos começarem a pedir votos. Mas a data em que a população em geral vai tomar consciência das eleições é 31 de agosto, quando começa a propaganda eleitoral na TV, que costuma ser chamado de “horário eleitoral gratuito”. Gratuito pra quem, cara pálida?
Esse horário é destinado aos partidos políticos e aos candidatos para divulgarem suas ideias e plataformas, mas está longe de ser “gratuito”. Partidos e candidatos não pagam nada pelo tempo na TV e no rádio, mas as emissoras têm direito a “compensação fiscal” pelos minutos que destinam, a cada dia, à divulgação de propaganda política.
Assim, se elas deixam de pagar imposto para divulgarem a propaganda, quem paga por ela é a sociedade como um todo, que deixa de receber os benefícios que poderiam ser trazidos por esse dinheiro – que não é pouco. Uma estimativa conservadora é que o tempo de TV e rádio, este ano, vai custar uma cifra de 10 dígitos (mais de R$ 1 bilhão) em compensação tributária.
E isso é só referente ao tempo de exibição.
A criação e produção da propaganda política ficam a cargo de agências de propaganda especializadas, que cobram por isso – e nem poderia ser diferente.
Como a lei agora proíbe doações de pessoas jurídicas, esse serviço tem que ser cobrado. E o pagamento vai sair do chamado fundo eleitoral – aquela grana dos nossos impostos que é destinada às campanhas políticas.
Então, quando você estiver em frente à TV ou ouvindo a propaganda política pelo rádio, lembre-se de que o dinheiro que financia todas aquelas promessas sai do seu, do meu, dos nossos bolsos.

Distribuição justa?

Se somos nós que pagamos pela propaganda eleitoral gratuita, o certo seria que todos os candidatos, independente do número de parlamentares filiados ao seu partido, deveriam ter o mesmo tempo.
“Ah, mas são 35 partidos com representação no Congresso Nacional e isso ou daria um tempo enorme de propaganda ou muito pouco tempo para cada partido”. Então, que se diminua o número de partidos, com um padrão mais alto de exigência, o que forçaria uma reorganização e afastaria as chamadas “legendas de aluguel”.
Talvez a própria disputa ideológica ganhasse com isso. Esquerdistas poderiam se juntar com outros esquerdistas e direitistas com outros direitistas, cada lado defendendo suas ideias mais amplas, em vez de ficarem brigando com seus afins ideológicos por causa de detalhes.

Por que não deixar o horário político ser pago?

Sabe quem paga pela propaganda de um automóvel ou de qualquer outro produto, no rádio, na TV, no DIÁRIO DO VALE ou em qualquer meio? Quem já comprou o produto.
Isso porque parte da receita obtida pela empresa com a venda daquele produto é destinada à propaganda. E aí, quanto mais o produto vende, mais propaganda ele pode fazer, e quanto mais propaganda ele faz, mais ele vende.
Assim, as pessoas que “compram” a candidatura de alguém deveriam poder pagar pela propaganda dessa mesma candidatura.
Poderia haver “bônus eleitorais” que as pessoas poderiam comprar para financiar a campanha.
Quem não conseguisse vender bônus, teria uma indicação de que suas ideias não foram bem recebidas, e poderia tratar de pensar em contribuir para a sociedade de outro jeito (o que é uma forma educada de dizer que essa pessoa deveria enfiar a viola no saco ou ir tocar bandolim em outra freguesia).
Aliás, a própria arrecadação de fundos eleitorais seria uma forma de indicar quem tem mais apoio, principalmente se houvesse uma limitação do valor de bônus que cada CPF pode comprar. Pessoas jurídicas poderiam ser proibidas, ou poderia haver uma limitação por CGC, e essa limitação, assim como no caso das pessoas físicas, deveria ser única. Assim, teria mais dinheiro o candidato que vendesse mais bônus, não o que tivesse apoiadores mais ricos.


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5 comentários

  1. Concordo que quem deveria pagar essas despesas, deveriam ser os políticos. Milhões de reais são distribuídos para os partidos, “trabalharem” a candidatura de seus AFILHADOS. Quanto MAIOR o Partido mais grana ele recebe. Isso é o custo da Democracia, o que não é exclusividade do Brasil. Nós os eleitores é que PRECISAMOS saber escolher melhor.

  2. Meu nome é Zé Pequeno!

    Em minha opinião não existem mais esta definições de “esquerda” e “direita” dos Tempos da “Guerra Fria”.
    O que existe são aqueles partidos “mais” ou “menos” sociais hoje em dia.
    O aumento da população mundial e a crescente automação e mecanização de vários segmentos econômicos estão desempregando cada vez mais pessoas.
    Exemplos? Trocadores de ônibus pois os motoristas passaram a acumularem as duas funções, embaladores de supermercados pois os caixas passaram a acumularem as duas funções, etc.
    Não faltam exemplos e fora aqueles que ainda não chegaram aqui, mas que já são comuns no exterior contudo não citarei para não estimular.
    Mas a pergunta é?
    Por que temos que financiarmos os partidos e os políticos?
    Afinal! São cargos públicos e quando “nós” nos candidatamos a algum cargo público alguém paga um curso preparatório e ou mesmo a taxa de inscrição deles?
    Se querem “moralizar” a gestão pública por que ainda existem cargos comissionados?
    E aí vamos nós…!!!

  3. Isso é sem graça! Lembra os treze anos do PT onde se gastavam bilhões de reais para mostrar como o governo deles era ‘superior’ a todos os outros que já passaram no Brasil…. Era tudo mentira! E levou o Brasil à sua PIOR CRISE ECONÔMICA DESDE A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”

  4. Manter a estrutura operacional de uma rede de tv não é algo barato. Numa campanha presidencial, que envolve o país todo, são centenas, talvez milhares de emissoras de rádio e tv, as quais durante uma parte do dia deixam de arrecadar com seus compromissos comerciais…

    Pode sim haver majoração e favorecimento, afinal falamos de Brasil, mas de qualquer forma o valor a ser desembolsado não seria baixo devido a quantidade de emissoras envolvidas. Rádio e televisão não trabalham de graça, são empresas na maioria dos casos privadas e que têm que manter seus equipamentos, pagar seus funcionários, suas taxas e impostos…

  5. NAO VAMOS AS URNAS

    E A CHATICE SO VAI PORAR COM ESSA TRMA BOLSOMINION X ORFAOSDOLULA X CIROLOIDES

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