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Júpiter não vai perder sua famosa mancha

Matéria publicada em 5 de dezembro de 2019, 07:00 horas

 


Nem Saturno corre o risco de ficar sem seus anéis; mudanças observadas pelos astrônomos são apenas um resultado do clima Joviano

As aparências enganam. O planeta Júpiter não vai perder a sua famosa mancha vermelha como andaram anunciando. Pelo menos é o que diz o físico Philip S. Marcus, especialista em mecânica dos fluidos. Ele foi entrevistado pelo jornal americano The New York Times durante um encontro da Sociedade Americana de Física, semana passada. Marcus disse que as mudanças observadas pelos astrônomos são apenas um resultado do clima Joviano. Cuja dinâmica faz com que a mancha, que é um imenso furacão, aumente ou diminua de tamanho ocasionalmente.
Com mais de 16.300 quilômetros de largura, o grande redemoinho poderia engolir o nosso planeta, a Terra, facilmente. Mas, ao contrário dos furacões terrestres, a mancha vermelha de Júpiter é um anticiclone. Um sistema de alta pressão que gira no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Os ciclones da Terra, por outro lado, têm baixa pressão nos seus centros. O que faz os barômetros despencarem nas ilhas do Caribe, sempre que um furacão se aproxima.
A preocupação com a mancha vermelha começou no ano passado, quando observações feitas por vários telescópios mostraram que ela estava ficando menor. No início deste ano outras imagens mostraram nuvens vermelhas se soltando do interior da mancha e sendo arrastadas pelos ventos de Júpiter. Philip S. Marcus e sua equipe, da Universidade da Califórnia, fizeram simulações em computador e concluíram que a aparente fragmentação da mancha se deveu ao seu choque com um ciclone jupiteriano.
Além de ser imensamente grande, a grande mancha vermelha tem sido observada durante os últimos 350 anos. A primeira pessoa que viu a mancha foi o cientista britânico Robert Hooke, em 1664. Ninguém sabe ao certo porque a mancha é vermelha. Acredita-se que seja devido a compostos químicos que se formam dentro do imenso vórtice.
Junto com os anéis de Saturno, a colorida tempestade jupiteriana faz parte das maravilhas do nosso sistema solar. Em uma época como a nossa, em que os empresários começam a falar seriamente em turismo no espaço, Saturno com seus anéis e Júpiter com seu anticiclone colorido serão parada obrigatória das naves de cruzeiro do futuro.
No século passado muitos astrônomos acreditavam que os anéis de Saturno também eram uma maravilha passageira. Formados por milhares de fragmentos de gelo, com tamanhos que vão de uma batata a uma casa, eles seriam gradualmente atraídos pela gravidade de Saturno, que comeria seus anéis lentamente. Mas, as imagens obtidas pela missão da sonda espacial Cassini mostram que os anéis são “reabastecidos”, o tempo todo, por vapor de água e gases gelados que fluem em etéreos filamentos, vindos das luas próximas. Daí que os turistas espaciais do futuro poderão apreciar essas maravilhas sem qualquer problema.
Uma excursão aos anéis de Saturno seria uma experiência fantástica. Eles são tão largos que ocupariam todo o espaço entre a Terra e a Lua. Controlados pela gravidade das luas pastoras eles variam de espessura e as vezes se enroscam em tranças com milhares de quilômetros de comprimento. Vistos de perto eles se pareceriam com uma tempestade de neve suspensa na eternidade, seus fragmentos e flocos girando lentamente enquanto cintilam sob a luz do Sol distante.
Já a mancha de Júpiter terá que ser observada de longe. Talvez de um resort na lua Ganimedes. Devido aos perigosos cinturões de radiação que envolvem Júpiter.

 

Jorge Luiz Calife

Lindo: Júpiter e sua mancha fotografados pela sonda Juno


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