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Laços e nós

Matéria publicada em 14 de setembro de 2018, 08:00 horas

 


Qual será, na verdade, a grande moral da história do por que de estarmos aqui? Acredito que seja para se criar laços ou fazer nós, ou desfazer laços e nós? Creio que enquanto estivermos por estas paragens, seremos de tudo um pouco, viveremos realidades e ficções, isto porque somos mortais, seres capazes de erros e acertos.
A vida é cheia de possibilidades, são portas e mais portas que se colocam à nossa frente. Sendo assim, acredito que seja humanamente impossível abrir cada uma delas de maneira correta, sem que provoque barulho.
A todo tempo, testamos e somos testados, vivemos numa expectativa frenética do que virá e, nesse momento, deparamo-nos com os laços e os nós com os quais acabamos amarrando ou sendo amarrados. Às vezes, temos que dar corda para que se possa criar um laço ou, quem sabe, um nó.
Laços e nós são feitos da mesma fonte, do mesmo material, mas com objetivos muitas vezes diferentes. Obviamente, existem momentos em que damos laços, para no momento seguinte, finalizarmos com um nó, aquele que nos manterá preso a algo ou mesmo àquela pessoa a quem desejamos.
Na concepção de alguns, laços são para serem desfeitos, já os nós são eternos, já para outras é totalmente o contrário. Quem tem razão, a palavra final? Existem até orações, simpatias, rituais para se desfazer nós, e outros para se enlaçar, objetivando chegar ao nó. Veja que nos alternamos entre um e outro, em um jogo sem fim, um somatório de desejos, uma conexão que vai ao longo de toda a vida e, até muitas vezes, transcendendo-a, sendo com isso capaz de provocar em nós algum sentimento, seja ele bom ou não, quando se soma ou subtrai.
Vivemos em busca de laços, de conexões, então, quando por algum motivo temos que desatar os nós, nem sempre fazemos esta tarefa de maneira fácil, muitas vezes ela é triste e dolorida. No entanto, nossas relações estão permanentemente em processo de transformação e, consequentemente, de evolução, pois à medida que vivemos caminhando ao encontro de novos encontros, novas sensações e desejos, novos laços são feitos e desfeitos, o mesmo acontece com os nós.
Um relacionamento pode ser um laço ou um nó, só depende de nós, e isso, acredite, pode até ser bom de ambas as formas. Penso que, em um relacionamento, os dois devem existir de verdade, de maneira igual, com seus desejos, mas também com suas entregas. A tradução de tudo isso cada um saberá dar ao seu modo, sem que haja a obrigação, a dependência, sobretudo, emocional.
Não comungo de relacionamentos que são o tempo inteiro nós, nos quais não se pode viver a individualidade, sem espaços para certos instantes que permitam ao outro exercitar seu tempo. Amor não combina com prisão, mas sim, com liberdade e uma generosa dose de respeito. Um relacionamento não pode ser posse, e por estar juntos a opção é o laço terminado em nó, uma junção harmônica de ambos. Sendo assim, quanto mais liberdade, mais unidos se estará, simplesmente, porque tudo foi feito em um consenso de livre e espontânea vontade.
Ser laço ou nó, tanto faz, tenha ele a cor que tiver ou o material com o qual tenha sido feito, o importante é que seja suficientemente forte para suportar chuvas e sóis, as erosões do tempo, a intempéries do dia a dia. Reza a lenda que o laço é uma espécie de nó, que quando visível, enfeita, e quando invisível, estreita.


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