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Luiz Fernando Guimarães em ‘O Impecável’

Matéria publicada em 5 de outubro de 2016, 07:00 horas

 


Peça será apresentada no Centro Cultural Theóphilo Massad, em Angra dos Reis

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Hoje, dia 5, e amanhã, dia 6, às 20h, no Teatro Municipal Drº Câmara Torres, localizado no Centro Cultural Theóphilo Massad (CCTM), o ator Luiz Fernando Guimarães apresentará o espetáculo “O Impecável”, com texto da dupla de sucesso Charles Möeller e Claudio Botelho, e direção de Marcus Alvisi, amigo de longa data do ator e de outros trabalhos como “Vida ao vivo show” (1999).

O monólogo tem apoio da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e da empresa NET e mostra toda versatilidade do ator na interpretação de oito personagens que estão localizados em um salão de beleza. O público é transportado para uma tarde de sábado na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde conhece uma turma com histórias nada convencionais para contar.

A parceria entre Luiz Fernando Guimarães e os autores, Charles Möeller e Claudio Botelho, surgiu do desejo do ator em ter um espetáculo com o qual pudesse viajar pelo Brasil, então ficou na incumbência da dupla transpor para o palco personagens que arrancassem boas risadas da plateia.

– Havia a ideia de fazer um musical, mas graças ao talento do Luiz Fernando vimos um potencial para que o texto pudesse funcionar também em um monólogo “multipersonagem”, um espetáculo que podia abrir mão da música – explica Claudio Botelho.

Os elementos cênicos dialogam e servem como ferramenta para o primeiro texto não-musical dos autores, onde com uma direção afinada de Marcus Alvisi e poucos recursos cenográficos, consegue dar o clima de burburinho característico dos salões de beleza.

Durante o monólogo, o salão Impecável Beauty recebe pessoas com muitos vícios, poucas virtudes e ótimas histórias. Seus funcionários são personalidades no mínimo exóticas: Seu Francisco, o faxineiro, é um evangélico fervoroso e trabalhador. Já Ednardo, o atendente que deveria dar as boas-vindas, não passa de um preguiçoso que tenta se dar bem enganando a patroa no horário de serviço. Chanderley é a responsável pelas unhas dos clientes, mas parte de sua renda vem de “serviços extras” prestados nas madrugadas em Copacabana. O cabeleireiro Guido vive se gabando dos inúmeros diplomas e de toda sua masculinidade, enquanto Serginho – que não cansa de se autodenominar um hairstylist de mão cheia – passa mais tempo inventando cortes de cabelo inusitados do que realmente atendendo a clientela.

Pelos cuidados dos funcionários passa o Dr. Ivan, um psicólogo boa praça que começou a ser mais vaidoso depois de sofrer a vida inteira com os apelidos ligados à sua aparência nada exuberante. O estabelecimento também recebe Rodolfo, o solteirão que chega para levar a mãe para dar uma repaginada no visual e fica tempo suficiente para trocar dois dedos de prosa com os profissionais. A dona do local, Eleonora, é outra figura nada comum: ex-miss, pouco liga para seu empreendimento, fruto do dinheiro herdado do ex-marido.

Tendo como inspiração os pecados capitais, os dramaturgos criaram histórias que se entrecruzam no ponto em comum dos personagens: o politicamente incorreto. Charles Möeller explica. “Queríamos falar sobre os pecados porque atualmente a sociedade está obcecada pelo politicamente correto. Se ser politicamente incorreto é o novo pecado do mundo atual, precisamos rir de nós mesmos”.

Com uma demanda grande de ensaios, alternados e intercalados com muito trabalho de preparação vocal e corporal para viver os oito personagens, Luiz relembra que “a maior dificuldade dos ensaios é estar sozinho no palco, sendo que ao mesmo tempo preciso interpretar vários personagens que estão em cena e se comunicam. É um monólogo, mas na verdade estou criando um elenco para ele. Não falo diretamente com o público, falo com os outros personagens da história. É como se eu interagisse com um elenco que não está presente, sou só eu mesmo”.

O espetáculo tem duração de 60 minutos, o valor do ingresso é R$ 20 (meia e antecipado) e terá a classificação de 14 anos. O público angrense poderá se deliciar com um texto rico e divertido, onde presenciarão um ator se transformar de um personagem para o outro no palco, sem troca de cenários ou figurino.

– O público vai acompanhar a transformação. É como se ao olhar para um relógio não vissem só as horas, mas também o mecanismo por trás dos ponteiros. Não iludimos ninguém com artifícios, apenas com a interpretação do Luiz Fernando – revela o diretor Alvisi.

 

 

JOÃO VITOR MONTEIRO NOVAES  | joao.vitor@diariodovale.com.br


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