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Mães em todos os tempos

Matéria publicada em 12 de maio de 2017, 08:00 horas

 


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Ser mãe é padecer no paraíso, reza a lenda.

Para muitos essa frase já virou clichê, mas é fato que muitos desconhecem a sua origem. Segundo se fala, São Pedro que amparava Maria no momento difícil da via sacra, quando a Virgem abraçou seu filho completamente ensanguentado e limpou o rosto com uma toalha, ele teria exclamado: “Ser mãe é padecer no paraíso”. Sua frase revela que mesmo com todas as dificuldades, sofrimento, preocupações que temos com os filhos no dia a dia, ser mãe ainda é experimentar o Éden na Terra.

A frase soa pesada e dolorida, parece representar um fardo que não se consegue carregar com facilidade e muito menos com amor e prazer. É bem verdade que muitas mulheres sentem um desconforto durante a gravidez, como os abomináveis enjoos, azia, inchaço, o inegável aumento de peso, estrias aqui e ali, entre outros sintomas. Mas para a maioria das mulheres o fato de estar gerando um filho compensa tantas coisas novas e nem sempre tão agradáveis de se viver e sentir, mas o amor faz superar tudo.

São mil mudanças que começam no corpo da mulher e depois avançam pela casa afora. O lar se transforma por completo, torna-se repleto de fraldas, roupas coloridas, brinquedos, berço, carrinho e por aí vai. Tudo muda para receber o novo morador, já tão amado. Exames e mais exames que vão do sangue a ultrassonografia, acontecem todos os meses, tudo no afã de cuidar daquele pequeno ser que dia após dia vai crescendo no ventre da mãe.

É chegado o momento do parto e uma nova vida começa a mudar a nossa vida.

No passado uma parteira ou mãe de umbigo fazia todo o trabalho, bastava ter à mão uma bacia com água morna, toalhas limpas, uma tesoura e o parto, que era normal, acontecida na própria casa da mãe do bebê que estava chegando.

Hoje…

Hoje, tudo é diferente, quase sempre se conhece nove meses antes quem fará o parto, quando e onde. Muitas vezes se escolhe o hospital e mais que isso, o dia do nascimento do bebê. A vida mudou, tudo foi facilitado ao extremo, mas o que não mudou foi o amor de mãe e o prazer de ter o filho nos braços logo após o nascimento.

Antes o homem deviria ficar a quilômetros de distância na hora do parto, hoje não apenas é importante a sua presença dando segurança à mulher, como nos partos humanizados toda a família participa. Já vi um caso em que até o cachorro estava ali ao lado, dando a sua cota de amor e força.

Tudo evoluiu, do parto fotografado ao filmado via celular, mostrando em tempo real para o pai ou familiar que não chegou, o grande milagre da vida.

Nos dias atuais ser mãe é muito mais light, principalmente quando se acrescenta o ponto com. Sites e blogs como Mãe com Açúcar, Vida de Gestante, Manual da Mãe, Macetes de Mãe, dão as melhores dicas de como ter e cuidar do bebê. Existem ainda os famosos livros, alguns deles estão no mercado há décadas como “A Vida do Bebê”, do Dr. Rinaldo de Lamare, uma verdadeira bíblia sobre esse tema ou ainda “O Que Esperar Quando Você Está Esperando”, de Heidi Murkoff. Temos ainda os moderninhos de última geração, que trazem a criatividade em alta, como os livros da “Encantadora de Bebês”, Tracy Hogg e Melinda Blau, ou ainda “Socorro, tem um Bebê na Nossa Cama”, de Glenn Williams e Natalie Williams e “Crianças Francesas não Fazem Manha”, de Pamela Druckerman.

Mas havia o nicho do pai que nessa história ficou relegado ao segundo plano e foi aí que Renato Kaufmann escreveu “Diário de Um Grávido, “Como Nascem os Pais”. São dois livros que falam da gravidez e da maternidade do ponto de vista de um pai. O texto é muito bem humorado, ideal para os homens que estão começando nesse nobre ofício.

Na verdade existem centenas de livros que vão acompanhando o bebê pela vida afora, passando pela adolescência e seguindo em frente. Tem aqueles que pontuam a educação e os déficits, como muitos da escritora Tânia Zagury e os da Dra. Ana Beatriz Barbosa Silva, que trata sobre o comportamento humano de maneira muito cuidadosa e inteligente.

Ser mãe é muito mais do que essas poucas linhas tentam dizer. Ser mãe é gerar ou não, mas, sobretudo, amar. Mãe é também aquela que acolhe e adota, tomando como seu o filho de outra, pontuando aquela vida que não saiu de seu ventre com um amor que transcende o tudo e o todo. Ser mãe significa mudar a sua vida, seu tempo, seu pensamento, dar todo o seu coração, seu amor para levar seus filhos adiante e ensiná-los a viver.

Ilustra perfeitamente este pensamento sobre o amor, ao vermos a cena da mãe canguru carregando, protegendo e aconchegando em sua bolsa o seu pequeno filhote.

Minha mãe foi assim, altiva e guerreira, mulher moderna que foi para rua junto com meu pai buscar o sustento para a sua casa, mas foi tudo e muito mais no seu lar, perpetuando a sua história com inúmeros poemas que sempre escrevia com amor e emoção. Quanto privilégio ser seu filho. E assim, igualmente ouvi falar de tantas outras, pois não foram poucos os livros que produzi sobre mães de todas as cores e nomes. Inúmeras são as mães que convivi e convivo e que me fizeram amar suas histórias de vida, transcendendo todas as idades, surpreendentemente das mais jovens ainda aos 14 anos, até as que se aproximam dos 100.

A todas, o meu respeito, carinho e admiração representado neste poema de Madre Teresa de Calcutá.

Mãe, ensinará a voar. Mas não voarão o voo dos filhos. / Ensinará a sonhar. Mas não sonharão o seu sonho. / Ensinará a viver.  Mas não viverão a sua vida. / Ensinará a cantar. Mas não cantarão a sua canção. / Ensinará a pensar. Mas não pensarão como você. / Porém, saberá que cada vez que voarem, sonharem, viverem, cantarem e pensarem. / Estará a semente do caminho ensinado e aprendido!

 

 

ARTUR RODRIGUES | [email protected]


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