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Morrendo pela boca

Matéria publicada em 30 de julho de 2019, 08:00 horas

 


Governo já liberou 290 agrotóxicos para as nossas mesas

Venenos: Liberação tornou desnecessária a PL do Veneno

No Brasil de hoje ter uma alimentação saudável está ficando cada vez mais difícil. Primeiro tivemos a Operação Carne Fraca, no governo passado do Michael Temer, que mostrou que a carne que o brasileiro come não é tão confiável quanto dizem os anúncios da televisão. Agora o governo Bolsonaro liberou, de uma só vez, 51 agrotóxicos, sendo que um deles já foi proibido em vários países por ser fatal para as abelhas polinizadoras. Dizem os entendidos que em pouco mais de seis meses o governo do capitão aprovou 290 novos venenos para serem usados nas nossas plantações. Resumindo, além da carne ficou perigoso comer verduras.
Tentando escapar desse envenenamento coletivo tem muita gente que só compra verduras naquelas feiras de alimentos orgânicos. Mas isso não garante que você ficará livre dos agrotóxicos. Imagine um agricultor que tem uma horta cultivada só com adubos orgânicos, sem uso de inseticidas e outros produtos químicos. Mas ele precisa regar as hortaliças e usa água de um rio ou riacho próximo. Que está contaminado pelos agrotóxicos borrifados em uma fazenda da região. Aí não adianta nada preferir o orgânico.
Durante anos a bancada ruralista tentou aprovar no congresso a chamada PL do Veneno, que iria liberar esses agrotóxicos todos. A oposição impediu e não adiantou nada. O agronegócio sabe que tem o governo nas mãos e nem precisa mais de projeto de lei. O Ministério da Agricultura libera tudo numa boa. O que é ruim para o povo e para um monte de insetos que não atacam plantação nenhuma. Como aquelas pacíficas abelhas sem ferrão que costumam fazer suas colmeias no oco das árvores.
Na minha rua, lá em Pinheiral, tem um ninho dessas abelhas em uma árvore velha, do outro lado da rua. Como elas não picam eram importunadas pelas crianças da escola municipal vizinha. Que adoravam enfiar um galho no ninho delas. Até que meu irmão colocou uma proteção de metal em torno da entrada do buraco. Além de não picar ninguém elas desempenham um papel importante na polinização das plantas. Como muitas outras espécies que podem sumir com esse tsunami de venenos que esta invadindo nosso país.
Quando eu era garoto, estudante do primeiro grau, um dos livros de maior sucesso na biblioteca da nossa escola era “A primavera silenciosa” escrito em 1961 pela escritora americana Rachel Carson. Carson foi uma das primeiras pessoas a chamar a atenção do público para os danos que o uso de agrotóxicos estava causando ao meio ambiente. Ela fala de uma primavera onde os bosques estão silenciosos, não se ouve o canto dos grilos, o ruído das cigarras ou o zumbir das abelhas. Porque todos os insetos foram mortos pelo uso indiscriminado dos venenos nas plantações. Naquela época ainda não se falava em meio ambiente ou agricultura orgânica. Mas o livro da Rachel levou o governo norte-americano a banir o uso do DDT em todas as plantações americanas. O DDT foi um dos primeiros agrotóxicos a ser introduzido na década de 1940. De lá pra cá a indústria do veneno criou dezenas de outros, como esses que o governo acaba de aprovar.
Enquanto libera os venenoso para as nossas plantações o presidente da República anda as turras com o Inpe, o Instituto de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos. O Inpe faz a monitoração da Amazônia com imagens de satélites e revelou, no mês passado, que o desmatamento aumentou 88% em apenas um ano. O que já era esperado. Afinal sempre que o governo anuncia que vai perdoar as multas dos desmatadores a turma da motosserra aciona suas máquinas.
Agora o presidente quer que o Inpe submeta seus relatórios a aprovação do Palácio do Planalto. Alguém precisa lembrar ao capitão que ele esta governando um país democrático e não um quartel.


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7 comentários

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    Se estas substâncias realmente forem perigosas, deveriam continuar proibidas ou rigorosamente controladas, mas alimentos orgânicos são fetiche de gente rica. Um luxo reservado somente àqueles que estão com dinheiro sobrando.

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    Hortas orgâncas não podem fazer o uso de rios ou riachos para irrigação, como é dito na reportagem. Se sabe de alguma denuncie. Em Volta Redonda todas as 4° feiras acontece uma linda feira orgânica de baixo da biblioteca, as 16:30h.

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    É um paradoxo tipo o de Gilberto Gil, só que estendido na mesa. Ou ama mas morre de fome, ou come mas frustra sonhos e perspectivas, nesse mundo tão desigual… Fato é que a produção orgânica, além de cara, não tem capacidade para prover a alimentação humana na medida da demanda. Ademais, o potencial deletério de alimentos geneticamente modificados ou produzidos com insumos químicos não tem qualquer estudo conclusivo, tudo é muito vago. Até mesmo essa água tratada que consumimos na cidade tem potencial nocivo, o ar que respiramos, os objetos que tocamos no dia a dia, enfim, tudo!… Quem tem medo de morrer esquece de viver. Pode até durar 100 anos, mas não terá vivido…

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    Dizem que falta plano de governo na atual administração federal, mas na verdade eles têm um: o controle populacional através dessa liberação geral de agrotóxicos, assim como das armas de fogo em grande número, deixar de multar os motoristas que não colocarem as crianças em cadeirinhas nos carros, etc.

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    Viva o agronegócio!!! Bozo vive !!!

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    Apertaram a tecla podre nas urnas, havia outras, agora morram todos pela boca mesmo.

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      Você deve ter apertado a tecla de nº 13. Se a maioria tivesse feito isso acredito que a essa altura até você já estivesse desesperado buscando uma forma de sumir da sua terra natal. Quem sabe poderia fazer um intercâmbio com algum venezuelano ou cubano. Pense no que seria de nós se continuássemos a viver neste país sob o desgoverno do partido político mais corrupto, safado, bandido, ladrão, desqualificado do universo. Reflita antes de falar baboseiras. Estamos vivendo um período de choque cultural. É incômodo, mas necessário. A humanidade anseia por mudanças. Ao ponto que chegou não suportamos mais.

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