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Mostra de teatro “O Ator E A Cena”

Matéria publicada em 28 de novembro de 2018, 08:05 horas

 


Evento irá marcar o encerramento da Oficina com a apresentação de duas montagens cênicas em homenagem ao grande dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues

Após três meses de encontros semanais que investigaram o aprofundamento no trabalho autoral de cada ator, a Oficina “O Ator e a Cena” chega ao fim com duas montagens cênicas em homenagem ao grande dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues.
O curso foi voltado àqueles que desejavam experimentar o Teatro a partir do contato com as ferramentas básicas da arte da interpretação, buscando ampliar a capacidade expressiva tanto do corpo quanto da voz, visando ainda desenvolver a sensibilidade, a criatividade e a capacidade de comunicação.
Coordenado pelo ator, arte-educador, diretor e produtor teatral João Vitor Novaes, Mestre em Artes Cênicas, Bacharel em Interpretação e Licenciado em Teatro, com mais de 15 anos de profissão, a Oficina vai levar na próxima sexta-feira, dia 30 de Novembro, e no sábado dia 01 de Dezembro, sempre às 20h, no palco do Teatro Municipal de Angra dos Reis, localizado no Centro Cultural Theóphilo Massad – CCTM, centro de Angra dos Reis, os espetáculos “Valsa n° 6” e “O Beijo no Asfalto”.

Valsa N° 6
A peça é um drama psicológico que conta a história de uma menina de 15 anos que foi assassinada. Agora ela luta para, entre um delírio e outro, conseguir montar o quebra-cabeça de suas memórias. O texto de Nelson Rodrigues é centrado na personagem que abandona o lógico e o racional, dando espaço para a emoção doentia da moça.
A Valsa nº6, décima peça escrita por Nelson em 1951, se inspira no título da música de Choppin. Música pela qual a moça é obcecada, tocando-a várias vezes durante a peça de forma compulsiva.
Além da valsa, a adolescente é obcecada por dois nomes: Sonia, uma adolescente com a mesma idade da personagem, e Paulo, que pode ser um namorado ou alguém que ela deseja ou imagina.
O quebra cabeça vai sendo montado numa história de adultério, pedofilia, múltipla personalidade, traumas e alucinações, onde é muito difícil separar o real do imaginário.
O elenco é composto por Antônio França, Flaviana Ayres, João Oliveira, Laís Vicente, Laura Proença, Livia Reis, Luana de Moraes e Mariana Souza.

O Beijo No Asfalto
Escrita em 1960, a peça está na categoria de dramas chamada Tragédias Cariocas e começa quando um desconhecido é morto ao ser atropelado por um ônibus e, agonizante, pede a um bancário que lhe de um beijo na boca. Esse ato de misericórdia, um beijo na boca dado a um homem por outro homem na hora de sua morte, repercute de formas contraditória quando umam repórter sensacionalista e um delegado corrupto fazem do ato um escândalo social, abalando a reputação de Arandir, que diz ter atendido o pedido do moribundo, levando a uma exarcebação dos sentimentos que conduz a um trágico e surpreendente desfecho.
No elenco estão Nanda Neves, Camila Iris, Nina Santos, Cristina Moraes e Emmanuel Vilas.

 

 

Os Atores
A oficina ofereceu bolsas de estudos e vários parceiros como Luiz Alberto da Interação Produções, Vera Gaspar do Núcleo de Referência e Ana Paula Gelpke do Espaço Lê Partie, investiram em outras bolsas de estudos que possibilitaram 6 jovens de Angra dos Reis estudarem gratuitamente.
Laís Vicente, 18 anos, uma das contempladas com a bolsa de estudos, ressalta – Ter acesso, aprender é uma oportunidade ótima e pra nós bolsistas é única. Mesmo com algum tempo de teatro e oficinas, eu tive contato com alguns jogos e exercícios pela primeira vez. A montagem do espetáculo está sendo feita com toda dedicação e esforço, e o público pode se surpreender mesmo com a maior parte dos integrantes estarem pisando no palco pela primeira vez.
Para Mariana Souza, 16 anos, que também integra uma das montagens, diz: – A oficina foi inovadora para mim, e me fez entender e perceber coisas que nunca tinha percebido antes, como consciência corporal e compromisso com a cena e interpretação de texto, foi um trabalho intenso durante toda a oficina até a reta final, toda semana tinha uma proposta diferente para o ator ter um crescimento notável, a criação do próprio espetáculo foi muito intensa, criado em semanas, ensinando os atores a lidar com o tempo e criação. O público verá atores concentrados, conscientes de seus próprios corpos em cena e em sincronia com o texto. Um espetáculo bem organizado e harmonioso.


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