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Nos infinitos caminhos do tempo

Matéria publicada em 19 de julho de 2016, 13:41 horas

 


Seriado do ‘Túnel do Tempo’ está fazendo 50 anos; história dos dois cientistas, perdidos nos infinitos caminhos do tempo, continua atual

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O tempo passa para todo mundo. Até o seriado do “Túnel do Tempo” está fazendo 50 anos. E resistiu muito bem a este meio século. Sou da geração que assistiu a estreia da série na TV, em 1966. Era uma série barata, mas parecia uma super produção graças ao uso de imagens de arquivo de filmes da Fox. A história dos dois cientistas, perdidos nos infinitos caminhos do tempo, continua atual, mas sou totalmente contra a ideia de um remake. Não teria o charme da produção original, que está disponível em DVD.

Irwin Allen, o produtor da série, inspirou-se no projeto Apollo. Que estava consumindo bilhões de dólares para enviar dois americanos até a superfície da Lua. Ele imaginou um projeto secreto ainda mais gigantesco, construído em um subterrâneo embaixo do deserto do Arizona. O objetivo era ainda mais ambicioso, deslocar pessoas não apenas através do espaço, mas através do tempo. Que a relatividade de Einstein garante que são coisas interligadas.

Na época era pura fantasia. Hoje sabemos, em teoria, como funcionaria o túnel do seriado. Ele seria o que os físicos do século XXI chamam de wormhole. Um buraco através da nossa dimensão de tempo e espaço.

James Darren e Robert Colbert interpretavam os dois intrépidos cientistas. Que ficavam perdidos em um labirinto de épocas passadas ao testarem a imensa engenhoca antes dela ficar pronta. No primeiro episódio eles iam parar dentro do Titanic, algumas horas antes do navio colidir com o iceberg em 1912. E tentavam sem sucesso convencer o capitão Smith a mudar o curso. Acabavam presos por espalhar o pânico entre os passageiros. Depois participavam do cerco de Tróia, encontravam Napoleão Bonaparte e iam parar no tempo dos dinossauros.

A maioria dos episódios lidava com viagens ao passado. Que permitiam usar imagens e cenários de outros filmes da Fox. Mas o túnel também servia para viajar ao futuro, e mostrar como seria o mundo daqui a décadas ou séculos. Um dos equipamentos mais fascinantes do túnel do tempo era o espelho magnético. Que permitia ver o que estava acontecendo no passado ou no futuro enquanto a equipe permanecia em segurança dentro do laboratório, no século XX.

Em 2006, quando a série fez quarenta anos, escrevi uma fan fiction sobre o seriado, para um fanzine virtual. Imaginei como seria se um brasileiro de 1966 pudesse visitar o laboratório do seriado e usar o espelho magnético para olhar o futuro do Brasil. Meu personagem não era muito corajoso. Ele não queria ver séculos no futuro. Se contentava com uma visão do Rio de Janeiro aí por volta de 2006. Sempre gentil a doutora Ann MacGreggor atendia ao pedido e deixava o brasileiro perplexo.

Ele via tiroteios com balas traçantes sobre os morros da cidade. Uma Baía de Guanabara poluída e cheia de lixo. Velhos ônibus trafegando por avenidas engarrafadas e cheias de buracos. Confuso o meu personagem não acreditava que estava vendo o país do futuro no século XXI. E sugeria que a visão decepcionante era o resultado de algum defeito nos mecanismos do túnel do tempo. O que deixava indignado o assistente da doutora Ann, Jerry Olson.

– Posso garantir que o túnel está funcionando perfeitamente. Se há alguma coisa errada é com o seu país, não com o nosso equipamento.

No final da visita Ann MacGreggor tentava levantar a moral do visitante dando-lhe um souvenir do futuro. Um CD de música que o Túnel do Tempo tinha trazido do Rio de Janeiro de 2006. Era um disco da Zizi Possi, cantando canções em italiano.

E o herói do meu conto concluía que, no futuro, os brasileiros iam falar italiano.

 

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Cult: O túnel do tempo na série de 1966

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JORGE LUIZ CALIFE | [email protected]


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Um comentário

  1. Prezado Jorge Calife, Boa Noite! Sou um admirador da sua coluna e quero parabeniza-lo ! Sou frequentador de PINHEIRAL e, observei que há uma placa na frente de um terreno enorme que fica perto do CENTRO ESPIRITA ALAN KARDEC.
    Na placa há a informação de futuras instalações de uma fábrica de cerâmica. como não sei que impactos pode causar. Estranhei o fato de escolherem como local para a construção o centro da cidade. Caso seja possível gostaria que escrevesse na sua conceituada coluna.
    GRATO PELA SUA ATENCÃO.
    ABRAÇO BRUNO MORELLI.

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