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Novas descobertas no mundo das estrelas

Matéria publicada em 23 de março de 2017, 07:10 horas

 


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A busca de uma resposta para a antiga pergunta, “será que estamos sós no Universo”, continua a produzir novas descobertas. No início do mês passado a agência espacial americana, Nasa, anunciou a descoberta de matéria orgânica no asteroide Ceres. A detecção da matéria orgânica foi feita pelo espectrômetro de mapeamento infravermelho da sonda espacial Dawn, que continua a orbitar o pequeno planeta. A matéria orgânica é um dos componentes para a existência de vida. Mas sua descoberta não significa que exista vida em Ceres, um mundo gelado e sem atmosfera.

A matéria orgânica foi detectada perto de uma cratera chamada Ernutet e já era esperada. Ceres, o maior asteroide do cinturão que fica entre Marte e Júpiter, tem uma composição semelhante a dos meteoritos conhecidos como condritos carbonados. Onde matéria orgânica semelhante já foi detectada há muito tempo. Outras observações feitas pela sonda mostram a existência de um tipo de argila e compostos carbônicos que se formam na presença de água e calor. Pode ser que Ceres seja o fragmento de um mundo que teve água em um passado distante.

Os fãs de “Guerra nas Estrelas” se lembraram certamente de uma cena do filme “O império contra ataca”. Onde o herói Han Solo esconde a nave Millenium Falcon em uma cratera de um asteroide. E depois descobre estar no estômago de um imenso verme dos asteroides. Por enquanto isso é ficção e ninguém espera que um bicho daqueles apareça para engolir a sonda da Nasa. Enquanto a Dawn mapeia Ceres, os telescópios encontraram mais um sistema de planetas onde a vida pode existir.

No dia 22 de fevereiro uma equipe internacional de cientistas anunciou a descoberta de sete mundos semelhantes a Terra que ficam na órbita da estrela Trappist 1. Desses mundos três se encontram na faixa que permite a existência de água líquida e de vida como a conhecemos. São os planetas d, e e f. A estrela Trappist 1 é um sol anão, um pouco maior do que o planeta Júpiter que fica a apenas 38 anos-luz da Terra. Novos telescópios, como o James Webb, que será lançado ao espaço em 2018, vão observar esse sistema em busca de sinais de água e da existência de vida.

Com tantos mundos com água e matéria orgânica a existência de vida lá fora parece inevitável.

Mas a maior descoberta de todos os tempos seria a de vida inteligente, semelhante a nossa. O que também pode não estar muito distante de nós no futuro. Desde 2007 que astrônomos do mundo inteiro vêm detectando misteriosos relâmpagos de energia entre as estrelas. Eles são conhecidos como FBRs, sigla em inglês de Descargas rápidas de rádio. Na semana passada o cientista Avi Loeb, do Centro Harvard Smitsonian de Astrofísica, sugeriu que essas descargas de energia podem ser o sistema de propulsão de espaçonaves extraterrestres.

Aqui na Terra já existe um projeto, o Starshot, que propõe lançar ao espaço pequenas sondas impulsionadas por descargas de raios laser. O laser refletiria em uma enorme vela refletora, circundando a nave. E poderia acelerá-la até velocidades próximas a velocidade da luz. Avi Loeb e seu colega Manasvi Lingan sugerem que os extraterrestres podem ter naves semelhantes e que os FBRs seriam produzidos pelas descargas de seus laseres propulsores.

Pela potência dos sinais captados os dois cientistas calculam que ele poderia impulsionar naves gigantescas, com um milhão de toneladas de peso. A frequência com que os FBRs ocorrem levou os pesquisadores a deduzirem que podem existir mais de 10 mil civilizações de navegadores espaciais somente na nossa galáxia.

Por enquanto é tudo uma hipótese. Pode ser que o fenômeno seja o resultado de algum processo natural. Como foi o caso dos pulsares. De qualquer forma, dizem os cientistas, essa é uma possibilidade que vale a pena ser investigada.

Possível: Laser impulsionaria nave de um milhão de toneladas

Possível: Laser impulsionaria nave de um milhão de toneladas

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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3 comentários

  1. Avatar

    Excelente artigo. Muito didático e de fácil compreensão, assim como os demais de sua produção. leitora assídua de sua coluna.

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    Muito interessante. A busca por vida fora da terra é a pesquisa mais instigante de nosso tempo!

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    O COSMOS FICA CADA VEZ MAIS INTERESSANTE!! COM O LANÇAMENTO DO TELESCÓPIO JAMES WEBB, EM 2018, TEREMOS SURPRESAS INIMAGINÁVEIS.

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