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O Brasil em clima de fim de festa

Matéria publicada em 30 de setembro de 2016, 13:55 horas

 


Depois das Olimpíadas o povo cai na real e encara a recessão; desemprego já passou dos 11 milhões de trabalhadores demitidos

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A festa acabou. Com o fim dos jogos paralímpicos, encerra-se o trio de megaeventos planejados durante a era Lula. A Copa do Mundo de 2014, e as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016 foram concebidos para mostrar ao mundo que o Brasil era um país próspero e desenvolvido. Uma nação de fartura e modernidade criada pelos governos petistas onde os estrangeiros poderiam investir sem medo. Mas a realidade se mostrou cruel com essa “disneylândia” de araque. Com o fim da festa o povo brasileiro olha em volta e percebe que o país não mudou. Na verdade está pior, com os problemas de sempre se agravando cada vez mais.

Vejam o caso do Rio de Janeiro. Uma estatística divulgada na semana passada mostra que os jogos olímpicos não serviram nem para reduzir a criminalidade na ex-cidade maravilhosa. Na verdade os assaltos aumentaram em 44% durante os jogos. E isso com a Força Nacional de Segurança acampada na cidade. Domingo passado a polícia precisou montar um esquema especial para coibir os arrastões nas praias da zona sul.

Desmontado o circo olímpico o Rio de Janeiro revela sua verdadeira face. Não é aquela cidade ensolarada e alegre que o governo tentou mostrar para o mundo. Parece mais a Chicago na época do Al Capone. Enquanto escrevo essas linhas o presidente de uma escola de samba e candidato a vereador foi morto com mais de trinta tiros. E uma família foi fuzilada pela polícia na Avenida Brasil, depois que o carro entrou por engano em uma perseguição.

No resto do país a recessão se agrava. Segundo a manchete do DIÁRIO DO VALE de domingo passado, a Prefeitura de Barra Mansa precisou recorrer a justiça para garantir o repasse de recursos para a área de saúde. Em Volta Redonda a prefeitura arcou com os custos para manter aberto o Restaurante Popular, que tinha fechado devido a falta de pagamento aos fornecedores pelo Governo Estadual.

Fomos todos olímpicos, agora somos todos falidos. E fica aquela pergunta que não quer calar. Será que não estaríamos em uma situação um pouquinho melhor se todo esse investimento feito em Copa do Mundo e Olimpíada tivesse sido aplicado na segurança, na saúde e na criação de empregos? É verdade que os eventos geraram empregos, mas foram empregos temporários, extintos com o final da festa.

Sediar uma olimpíada nunca foi um grande negócio, nem mesmo para os países desenvolvidos. A cidade de Montreal, no Canadá, foi sede da Olimpíada de 1976 e levou quase vinte anos para recuperar o investimento. E isso em um país do primeiro mundo, onde as finanças e os investimentos são controlados com rigor. No Brasil muitas das obras programadas para o ciclo de megaeventos nunca foram terminadas. Algumas nem começaram como o fabuloso trem bala que o Lula planejava inaugurar para os jogos olímpicos deste ano.

Meus leitores devem se lembrar que aqui mesmo, nesta coluna, eu comentei, em 2009, que o projeto era inviável. Construir uma ferrovia de alta velocidade em uma região montanhosa custaria tanto quanto o projeto Apollo, que mandou os astronautas para a Lua. Nenhum investidor estrangeiro aceitou entrar na concorrência e hoje a ideia, felizmente, está esquecida.

A realidade é outra. Cerca de 45% das máquinas, nas indústrias brasileiras, estão paradas. O desemprego já passou dos 11 milhões de trabalhadores demitidos. Até colégios particulares tradicionais estão fechando por falta de alunos. Sem dinheiro a classe média leva seus filhos para a escola pública. O sonho acabou e agora o país terá que correr atrás do prejuízo. E conseguir sobreviver ao tsunami econômico, aquele que um notório ex-presidente disse que ia ser uma marolinha.

 

Acabou: Depois da Olimpíada, a falência

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JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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2 comentários

  1. Avatar

    Qualquer pessoa que tenha um mínimo de consciência dos fatos sabia onde ia dar esse assistencialismo sem sustentação,com a dívida interna disparando a níveis estratosféricos.Era uma bomba armada para explodir.Enquanto isso o circo era oferecido ao já anestesiado povo brasileiro.Agora vamos todos pagar essa conta amarga.

  2. Avatar

    Disse tudo, Calife.
    O Brasil está uma vergonha. Não devia ter sediado copa do mundo nem olimpíadas, aí não teria tantos gastos com o dinheiro público. Isso sem contar com obras iniciadas e não terminadas.
    Como seria bom se isso fosse só um pesadelo! Entretanto, além de pesadelo e uma realidade. Precisamos de mudanças já.

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