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O Brasil no fundo do abismo

Matéria publicada em 8 de abril de 2016, 07:05 horas

 


Cinco epidemias assolam este país tropical; tem a crise moral, a crise política, a crise econômica e a crise na saúde

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Caminhando pelas ruas, sob uma noite estrelada, ouvi uma música saindo da janela de uma residência. Era um sucesso antigo, do Jorge Benjor, que dizia assim: “Moro num país tropical, abençoado por Deus, e bonito por natureza”. Foi um sucesso no final dos anos setenta, quando o cantor ainda se chamava Jorge Ben. Não sei se estava tocando em alguma rádio FM ou em um reprodutor de CD, mas fiquei pensando em como o Brasil mudou nesses 35 anos. Continua sendo um país tropical, entretanto, nossa nação parece ter sido amaldiçoada pelos deuses. Todos eles, do Jeová bíblico ao Seth egípcio.

Estamos em 2016, no que era o futuro sonhado quando aquela música foi gravada, em um obsoleto disco de vinil. E o Brasil, no fundo do poço, enfrenta todo o tipo de crise. Tem a crise moral, a crise política, a crise econômica e a crise na saúde. Atualmente existem nada menos do que cinco epidemias assolando nosso país. Tem a gripe H1N1 que está deixando a população em pânico, a dengue, a chikungunya, o zika e sua consequência, a epidemia de bebês com microcefalia.

A gripe já matou 25 pessoas em São Paulo e o inverno ainda nem começou. O governo diz que só vai começar a vacinar a população no final de abril ou início de maio. Vão esperar morrer mais umas 50 pessoas para distribuírem as vacinas. O povo, apavorado, corre para as clínicas particulares onde paga R$ 150, em média, por uma vacina contra os tipos mais comuns de gripe. Incluindo a mortífera H1N1. O problema é que o estoque das clínicas é pequeno e se esgota em um dia. As pessoas formam filas para serem vacinadas e metade volta para casa sem a proteção.

A denque, a chikungunya e o vírus zika resultam da proliferação dos mosquitos, que tornaram o nosso país um lugar insalubre como nos tempos do império. Um simples mosquito derrotou o Brasil e a causa é dupla. O descaso do governo com a saúde pública, e a falta de educação do povo, que acha que jogar lixo na rua é uma coisa muito natural.

O quadro não será revertido se não houver mais investimento em saúde e educação, mas o governo, que tem outras prioridades, anda cortando justamente os investimentos nestas áreas. Para tapar o rombo nas contas públicas que já está chegando a casa dos cem bilhões de reais.

Sem investimento

O resultado dessa falta de investimento pode ser visto quase todo o dia na mídia. Hospitais em ruínas, equipamentos encaixotados, pacientes se acumulando nos corredores. Filas enormes para marcar consultas. Na área da educação o quadro também é preocupante. Nossos estudantes ocupam o 46º lugar em aproveitamento. A maioria termina o segundo grau sem conhecer o básico de matemática. E sem a capacidade de ler um texto e compreender o que está escrito. São analfabetos funcionais.

O resultado são as montanhas de copos plásticos, garrafas pet e embalagens de comida que essa juventude ignorante deixa por onde passa. Criadouros perfeitos para os mosquitos, os ratos e outras pragas. As vezes a presidente Dilma Rousseff me lembra aquele faraó dos “Dez Mandamentos” (Prefiro a versão com o Yul Brinner, não essa da TV Record). O faraó não queria deixar o Moisés partir com seu povo e o resultado foram as pragas que caíram sobre o Egito. A Dilma deve andar batendo pé com algum deus do Olimpo ou do Vahala e o resultado são as pragas que caem sobre o Brasil: zika, chikungunya, gripe mortal, corrupção, roubalheira, crime. É só juntar tudo que deve dar as sete pragas da lenda hebraica.

Neste cenário dantesco o governo vai promover os jogos olímpicos no Rio de Janeiro, daqui a poucos meses. Vai ter que colocar o exército na rua para garantir a segurança dos atletas em uma cidade assolada por tiroteios e balas perdidas. Mas isso não é o pior de tudo. No mês passado um pequeno asteroide caiu no oceano Atlântico, deixando de atingir o Brasil por pouco. Se alguém duvida que os deuses estão furiosos com a presidente fica registrado mais este sinal da ira celestial.

E o pior ainda está por vir.

Gripe: Vacinas já se esgotaram nas clínicas particulares (Foto: Arquivo)

Gripe: Vacinas já se esgotaram nas clínicas particulares (Foto: Arquivo)

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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4 comentários

  1. Avatar

    >>>>>>> E MUDAR PARA MELHORAR!!!!!!!!1 ENQUANTO A GANANCIA E O ODIO PREDOMINAR….. NAO SE DEVE DISCUTIR MUDANÇAS…. E DIZIA GANDI O MUNDO DA PRA TODOS VIVER BEM…. OQUE NAO DA E A GANANCIA DE UNS…. ISTO AQUI E O PAIRAISO…. E O PARAISO TEM QUE SER DE TODOS IGUALITARIAMENTE

  2. Avatar

    Não seriam 10 , as pragas do Egito?

  3. Avatar
    POBRETÃO FUD......

    PODE TER CERTEZA O ABISMO SEM FUNDO É SÓ PARA OS POBRES,É POR ISSO QUE EXISTE A CRISE MORAL OU SEJA O QUE VALE HOJE É DINHEIRO.PARA OS RICOS CRISE É APENAS UMA FASE.

  4. Avatar

    Talvez seja uma boa idéia pedir ao Charlton Heston que se levante de seu túmulo e bata um papinho com o deus de Abraão, e peça-lhe para parar com esta brincadeira de mandar mais pragas para o nosso país. Já temos problemas suficientes com a nossa classe política, majoritariamente corrupta.

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