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O Brasil, voltando para trás no tempo

Matéria publicada em 13 de janeiro de 2017, 07:05 horas

 


Depois da dengue e da zika, agora temos mortes por febre amarela; hoje vivemos a realidade de estados falidos

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O Brasil sempre me surpreende com sua capacidade de andar para trás que nem caranguejo. A última novidade nesta terra de palmeiras e sabiás é o surto de febre amarela em Minas Gerais. Até agora já morreram 14 pessoas com essa doença, que pode ser transmitida por vários tipos de mosquito, incluindo o nosso conhecido Aedes aegypti. Os casos aconteceram no leste de Minas Gerais, o que é muito perto da nossa região. Felizmente existe a vacina, que imuniza por dez anos, mas se houver uma epidemia os estoques podem não darem conta.

É triste perceber que de nada valeram os esforços de sanitaristas como Oswaldo Cruz, que lutaram para erradicar a malária e a febre amarela no século passado. Depois de treze anos de governos petistas, e de seus antigos aliados do PMDB, estamos de volta à insalubridade do século XIX. Quando os navios estrangeiros evitavam ancorar no Rio de Janeiro por temor das doenças tropicais.

É claro que não é culpa só dos nossos governantes. O povo brasileiro, com sua notória falta de educação, é um dos maiores aliados dos mosquitos. No ano passado fiz um Espaço Aberto falando da quantidade de lixo e recipientes plásticos que as pessoas jogam nas ruas e nos terrenos baldios. As professoras das escolas municipais ainda não conseguiram convencer seus alunos de que lugar de lixo é na cestinha. É só caminhar pelas ruas, perto das escolas, para contar os copinhos plásticos e garrafinhas de refrigerantes que a garotada atira na linha do trem ou nos terrenos em volta.

O povo ignora e ninguém faz um mutirão para limpar as cidades e tirar o lixo dos terrenos baldios. Estamos na época das chuvas e esse calor infernal, que anda fazendo, favorece a proliferação dos mosquitos. Já tivemos epidemias de dengue, febre chikungunya e zika. Vem aí a epidemia de febre amarela. Uma doença perigosa, que ataca o fígado e pode provocar a morte por insuficiência hepática.

No passado

Quando eu era criança, aí por volta da década de 1960, os professores ensinavam que o Brasil ia ser “o país do futuro”. Um país rico e poderoso, exportando alimentos e bens de consumo para o mundo inteiro. Naquela época o presidente Juscelino Kubitschek tinha acabado de inaugurar Brasília, o protótipo da cidade do futuro, capital do país do futuro. Infelizmente, o sonho do progresso e da prosperidade acabou ficando ali mesmo. Os militares tomaram o poder em 1964, com o apoio de boa parte da população, e decretaram que o futuro era agora.

Começaram a abrir uma estrada no meio da Amazônia e a investir em outras obras gigantescas, como a ferrovia do aço. E o resultado foi um país falido e endividado, com uma inflação de três dígitos.

Aí veio a democracia e a Nova República. Com governos de esquerda que tinham a mesma mania de grandeza dos seus antecessores fardados. Lula queria construir um trem bala, ligando o Rio de Janeiro a São Paulo, para acabar com o problema dos aeroportos superlotados. O projeto, feito sem nenhum estudo de viabilidade, acabou não saindo do papel.

Depois teve a descoberta do óleo no pré-sal. E o governo de esquerda acenou com o sonho de uma Arábia Saudita fluminense. Viveríamos em um mar de prosperidade, nadando nos royalties do petróleo que nem o Tio Patinhas nadava no dinheiro da sua caixa forte. Os prefeitos da nossa região discutiam quem ia ficar com a parte do leão.

Foi outra ilusão. Hoje vivemos a realidade de estados falidos, municípios decretando estado de calamidade e o sistema público de saúde em ruínas. Ótimo para os mosquitos e outras pragas que têm condições perfeitas para se espalharem.

Prometeram um futuro de sonho, mas o sonho acabou.

Bem vindos ao pesadelo.

 

Mosquito: A nova ameaça é a febre amarela

Mosquito: A nova ameaça é a febre amarela

 

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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10 comentários

  1. Avatar

    O cara solta a tijolada “os estoques PODEM NÃO DAREM CONTA “, atropelando uma regrinha elementar de locução verbal.
    Ora, apenas o primeiro verbo faz a concordância com o sujeito, ou seja, é flexionado. O certo seria “podem não dar conta”.
    No ENEM, levaria um ZERO!

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    Tenho dito que os empresários, assim como os brasileiros que aprenderam política com politiqueiros, só olham para o umbigo; são incapazes de olharem para o horizonte.

    pelo gráfico da economia percebe isso muito bem. São vários os anos em que a linha do gráfico fica no rodapé e poucos anos em ascensão. O famoso voo de galinha.

    Em ano de melhora todo mundo se endivida e em ano de perrenha todo mundo come angu com farinha por falta produção e empregos.

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    E por isso não há perspectiva de que o país vá melhorar. O governo, com ajuda da mídia e da igreja, incute a idéia de que o brasileiro é o mais ordeiro, bonito, feliz, solidário e trabalhador povo do mundo, e todos acreditam. Se o pai diz que o filho é bonito, pra que espelho?…

    Nós somos como a raposa: no anedotário é sempre esperta, passando a perna nos outros e se saindo bem de situações adversas. Na vida real, uma predadora (capitalista) do nicho mais baixo da cadeia alimentar, muitas vezes vivendo das sobras dos carnívoros de topo de cadeia (grandes potências). Pelo menos ninguém pode contestar sua resiliência…

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    Texto com a profundidade de um pires… como analista político, o autor é um ótimo escritor de ficção científica.

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    É triste, mas é verdade.

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    “Voltando PARA trás”??!kkk jornalista tem que prestar atenção!!!

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      Já ouviu falar de pleonasmo literário? Também denominado pleonasmo de reforço, estilístico ou semântico, trata-se do uso do pleonasmo como figura de linguagem para enfatizar algo em um texto. Grandes autores, como Machado de Assis e Gonçalves Dias já usaram esse recurso. Os autores de canções, poemas e crônicas brincam muito com as figuras de linguagem.

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    Meu nome é Zé Pequeno!

    Faltou acrescentar que “aquele” partido maravilhoso e que está “escondido” e que “resolveu” e vai “resolver” os problemas brasileiros está na concha.
    O autor do artigo esqueceu-se que nossos principais produtos tirando o “petróleo” que é verdadeiro em suas reservas continua ainda sendo o mesmo de 500 anos atrás …Um país exportador de produtos agrícolas e de commodities pois possui poucas tecnologias de ponta. Ora se nossos compradores estão em crise eles não adquirem produtos logo quem os vendem entram em crise e assim vai.
    O mercado interno não possui “vigor” suficiente para consumir e ai a roda gira amais uma vez.
    Os “governantes” não estão nem ai com a “educação” do povo porque sabem que assim é mais fácil governá-lo e em relação e volta dos vetores são necessárias obras de infra-estrutura, mas sem “grana” ou com a má gestão desta e impunidade vai dar nisso que estamos vendo.

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    Muito bem escrito, seguindo uma linha simplista e bastante realista na análise dos fatos… só uma coisa não muda nesse país! O povo não tem vergonha de ser mal educado!

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    Quanto tempo de governo Temer golpista será necessário para que finalmente o Donald Trump do Brejo (esse que já disse que a culpa da crise dos refugiados da Europa é de Saddam e que encarou com seriedade a suposta ideia de Crivella murar o Rio) cure esse Complexo de Vira-Latas, mal brasileiríssimo quanto ele?

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