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O cachorro cosmonauta no planeta Marte

Matéria publicada em 23 de julho de 2019, 15:19 horas

 


E o herói anônimo que salvou sua dona em Barra Mansa

Na semana passada eu estava assistindo a um filme russo, sobre um cachorro cosmonauta no planeta Marte. De repente a realidade brasileira invadiu a minha fantasia. Com a notícia de que um heroico cão tinha salvo sua dona de uma tentativa de estupro aqui em Barra Mansa. Quantas pessoas já não foram salvas por seus amigos de quatro patas? É por isso que o cineasta soviético, Pavel Klushantsev, imaginou um cosmonauta levando seu melhor amigo para Marte.

Os cães estão conosco há milhares de anos. Eles surgiram de lobos que foram domesticados por caçadores do período Pleistoceno, há mais de 15 mil anos, como mostra aquele lindo filme “Alfa” do cineasta Robert Hughes. Além de proteger seus donos, os cachorros também protegem nossas fontes de alimento e agasalho. Na maioria dos países a criação de ovelhas seria inviável sem a guarda permanente dos cães pastores. E a história está cheia de cães que colocaram a própria vida em risco para proteger seus donos, atacando agressores e dando o alarme em caso de incêndios.

Mas voltemos ao filme soviético que eu estava assistindo, trata-se de um semidocumentário sobre o planeta Marte produzido em 1968 pelo mago do cinema espacial russo Pavel Klushentsev. Na antiga União Soviética o cinema era produzido sob a tutela do estado. E o governo achava que eles deviam ter um papel educativo. Informando ao público sobre as maravilhas da nova era do espaço. É por isso que os filmes do Klushantsev tem um pé na realidade e outro na ficção.

Apenas uma vez, em 1963, o Partido Comunista permitiu que Klushantsev filmasse uma aventura de ficção científica pura. Foi o “Planeta Bur”, que traduzindo se chama “Planeta das Tempestades”. O filme narra a aventura de um grupo de cosmonautas russos explorando o planeta Vênus. Em 1963 já sabíamos que Vênus é um inferno, com temperaturas em torno dos 300 graus centigrados. Mas Klushantsev mantem a imagem que vigorava nos anos 50, de um mundo semelhante a Terra, mergulhado em uma era pré-histórica. Cheio de dinossauros e outros animais primitivos.

O filme é um clássico da ficção científica e influenciou o cineasta americano Stanley Kubrick, que viu “Planeta das Tempestades” antes de filmar seu “2001:uma odisseia no espaço”. O filme soviético tem um robô de fala macia que se rebela e tenta matar os astronautas. Que nem o Hal 9000 americano faria, cinco anos depois. O robô do famoso seriado “Perdidos no Espaço” também é uma copia do robô John do “Planeta das Tempestades”.

Depois do Planeta Bur, Klushantsev filmou dois semidocumentários: “A Lua” em 1966 e “Marte” em 1968. Os dois filmes começam com um resumo do que os cientistas sabiam sobre a Lua e planeta vermelho na época da produção. E terminam com uma visão futurista de como seria a exploração desses mundos pelos cosmonautas do futuro.

“Marte” mostra uma espaçonave entrando em órbita do planeta vermelho com um cosmonauta solitário e seu cachorro a bordo. Antes de descer ele manda o cachorro sondar o ambiente, a bordo de uma pequena cápsula espacial. Equipado com traje espacial, capacete e tanques de oxigênio o cachorro anda no meio da estranha vegetação marciana. (Na época tanto russos quanto americanos achavam que existia vida vegetal em Marte).

Depois de fugir de uma forma de vida marciana o cachorro se junta ao seu dono para assistir a uma colorida alvorada marciana. Na vida real os cachorros espaciais russos não tiveram tanta sorte, e a maioria morreu no espaço. Só dois sobreviveram, as cadelas Strelka e Belka. Mas eu não tenho duvida de que se a humanidade emigrar para outros mundos, no futuro, não deixará de ter seu velho amigo e companheiro ao seu lado.

 


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Um comentário

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    Talvez a única coisa boa que tenha saído da Guerra Fria tenha sido o avanço da astronáutica decorrente da corrida espacial.

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