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O crime e o castigo

Matéria publicada em 9 de setembro de 2016, 07:15 horas

 


Certeza de impunidade favorece o aumento da criminalidade no Brasil; cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, viveu dias de terror

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Apesar dos jogos olímpicos, que continuam esta semana com a Paralimpíada, o Brasil vive uma onda de crimes sem precedentes. Três episódios recentes levaram este cronista a meditar sobre o assunto. O primeiro aconteceu no início de agosto, um pouco antes dos jogos do Rio de Janeiro. A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, viveu dias de terror com uma série de ataques de criminosos. Trinta e cinco ônibus foram incendiados, prédios públicos foram metralhados e bombas detonadas em um espaço de poucos dias. E tudo porque o governo do estado tentou instalar bloqueadores de celulares em um presídio.

Os bandidos botaram fogo até no Morro do Careca, um dos pontos turísticos da cidade. Foi preciso transferir presos para penitenciárias de segurança máxima e pedir intervenção de tropas federais para restaurar a ordem. Controlado o problema em Natal foi a vez de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, pedir socorro. Em meio a outra onda de crimes que a polícia local não conseguia conter. As tropas da Força Nacional de Segurança, que ficaram no Rio de Janeiro durante as Olimpíadas, foram deslocadas para Porto Alegre para controlar a situação.

Os dois episódios, em pontos extremos do país, mostram a falência das políticas de segurança pública. Os bandidos não se intimidam mais. De telefone celular na mão eles ordenam ataques e assassinatos de dentro dos presídios e o governo não consegue detê-los. É preciso pedir a intervenção de tropas porque a polícia militar e a civil ficam impotentes. Como deter criminosos que já estão presos e contam com meios modernos de comunicação? É uma coisa que só acontece no Brasil. Tente explicar para um correspondente estrangeiro como é que um criminoso, chefe de quadrilha, continua a comandar sua quadrilha mesmo depois de preso e condenado? Os gringos não vão entender nada.

No início do ano, li perplexo o artigo de um jurista que propunha o fim das penitenciárias. O raciocínio do articulista era que, como esta provado que a prisão não recupera os criminosos eles deviam ficar soltos, cumprindo penas alternativas. Parece loucura, mas tem gente que pensa assim. Eles não percebem que uma das funções da prisão é proteger a população dos sociopatas. Dos indivíduos que têm uma compulsão para cometer crimes e atos violentos. Impedindo que eles continuem atacando a sociedade.

Semana passada, no Rio de Janeiro, aconteceu um caso que ilustra bem esse aspecto. Uma mulher foi morta a facadas, dentro de casa, em um bairro da zona norte. O principal suspeito é o ex-marido dela, que já tinha várias passagens pela polícia. O homem fora condenado por crime de extorsão e agressão. Mas estava solto, cumprindo pena em liberdade, com uma tornozeleira eletrônica que não funcionava. E o resultado foi a morte de mais uma cidadã indefesa. Se estivesse na prisão a mulher dele continuaria viva.

Branda

Nossa justiça é muita branda e tolerante com os criminosos. E isso é consequência de uma ideologia política equivocada. Na maioria das sociedades, sejam elas capitalistas, socialistas ou islâmicas, o criminoso é visto como um agente patogênico que ataca o tecido saudável da sociedade. E, portanto, deve ser contido ou eliminado para proteger as células saudáveis do organismo. Em países como a China e Cingapura os criminosos são simplesmente executados. Nos Estados Unidos eles ficam isolados em prisões, sem contato com o exterior.

No Brasil, entretanto, temos uma visão pseudo socialista, onde o bandido é visto como uma vítima da sociedade. Ele mata e rouba porque não teve oportunidade. Coitado, foi vítima de injustiças e deve ser perdoado.  E com isso dá-se uma segunda chance ao criminoso. Chance que ele usa para matar mais gente e cometer novos crimes.

A consequência disso é que vivemos em um dos países mais violentos do mundo. Onde mais de 40 mil pessoas são assassinadas todo o ano. E como nada é feito para reverter esse quadro ele só tende a piorar. Chegando ao ponto de paralisar a vida em capitais como aconteceu este ano em Natal e Porto Alegre.

 

Terror: A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, teve uma série de ataques de criminosos; 35 ônibus foram incendiados (Foto: Divulgação)

Terror: A cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, teve uma série de ataques de criminosos; 35 ônibus foram incendiados (Foto: Divulgação)

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    CALIFE VC NÃO VAI FALAR DE OVNI?

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