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O estranho Bennu e a espada de Dâmocles

Matéria publicada em 23 de agosto de 2021, 16:06 horas

 


Chances de impacto de asteroide com a Terra aumentaram ligeiramente

Bennu: Uma ameaça para o século 22

Diz a lenda que Dâmocles era um bajulador que viveu na corte do rei Dionisio II, de Siracusa, aí por volta do século 4 antes de Cristo. Como alguns líderes atuais, naquele tempo os poderosos viviam cercados de admiradores servis buscando compartilhar as benesses do poder. Dâmocles encheu tanto a paciência do rei que ele propôs ao súdito que sentasse em seu trono por um dia, para experimentar os privilégios e os problemas do poder. Dâmocles aceitou prontamente, mas ficou apavorado ao perceber que o rei tinha pendurado uma espada sobre o trono, presa apenas por um fio da crina de um cavalo.

O objetivo do rei era mostrar as ameaças constantes que os poderosos enfrentam. Na era moderna a humanidade tem vivido sob a ameaça de várias espadas, penduradas sobre sua cabeça. São os asteroides, aquelas montanhas de rocha que vivem perambulando pelo sistema solar e frequentemente colidem com os planetas. Um dos mais famosos é o Bennu, uma pilha de pedras soltas com 490 metros de largura e uma massa de 70 milhões de toneladas. Bennu passa perto da Terra periodicamente e existe uma chance dele colidir com o nosso planeta entre nos anos de 2178 e 2290. Nada que preocupe a geração atual. Um problema a ser enfrentado pela nossa civilização nos séculos 22 e 23, isto é, se ainda existir uma civilização humana a essa altura.

Bennu é o mais estudado de todos os asteroides. Ele recebeu a visita da sonda espacial Osiris-Rex, da agência espacial americana, que ficou orbitando a pilha de rochas durante dois anos e meio e colheu uma amostra de sua superfície pedregosa. Agora a sonda esta viajando de volta para a Terra, onde deve chegar com um pacote de pedras do Bennu em 2023, daqui a dois anos. Como resultado das explorações feitas pela Osiris-Rex, a Nasa aumentou levemente as chances de um impacto desse asteroide com a Terra. Antes a possibilidade era de uma chance em 1800 de um impacto no dia 28 de setembro de 2182. Agora aumentou para uma chance em 1760. O problema é que Bennu não é o único asteroide rondando o nosso planeta. Existem outros e os mais perigosos são aqueles que aparecem de repente, vindos das profundezas do espaço, como o objeto interestelar Oumuamua, que passou pelo sistema solar em 2018.Bennu, como vocês podem ver pela foto tirada pela Osiris-Rex, tem a forma de um diamante. Muito semelhante ao asteroide Ryugu que foi visitado pela sonda espacial japonesa Hayabusa 2. A explicação para essa forma poliédrica é que esses asteroides são formados por pilhas de rochas soltas, reunidas por uma fraca força gravitacional.  A medida em que o asteroide gira lentamente no espaço o material solto é puxado para as bordas e forma esse diamante esquisito.

Se um asteroide como o Bennu colidir com a Terra não será exatamente o fim do mundo, mas os estragos serão enormes. A colisão vai produzir uma explosão equivalente a centenas de bombas atômicas juntas. Se acontecer num continente o resultado será uma cratera com cinco quilômetros de largura. E uma tempestade de fogo capaz de incinerar tudo num raio de 40 quilômetros. Se cair no mar os tsunamis ou ondas gigantes também serão devastadores. O maior perigo para o nosso planeta são os impactos de cometas e asteroides grandes, como aquele que levou a extinção dos dinossauros, há 75 milhões de anos atrás.

Nos últimos séculos a humanidade tem devastado o nosso planeta, provocando uma mudança climática global e levando a extinção de centenas de espécies de animais. Mas o paradoxo é que este animal chamado Homem, a espécie mais daninha que já habitou nosso planeta, pode ser a salvação da biosfera terrestre no futuro. Porque só o homem, com sua tecnologia espacial, pode evitar os impactos de asteroides e cometas, que poderiam extinguir de vez com quase toda a vida no planeta. Afinal, os dinossauros foram extintos porque não tinham um programa espacial.

 

Jorge Luiz Calife

 


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