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O filho do Krakatoa

Matéria publicada em 28 de dezembro de 2018, 08:20 horas

 


Tsunami na Indonésia tem ligação com a tragédia de 1883

Filho: Anak Krakatau antes de erupção de sábado.

Sábado passado uma erupção do vulcão Anak Krakatau provocou um tsunami que matou mais de 400 pessoas na Indonésia. A tragédia do estreito de Sunda é uma espécie de continuação da maior catástrofe do século 19. A explosão da ilha de Krakatoa, que matou 36 mil pessoas e foi uma dos maiores desastres naturais já presenciados pelo ser humano. Em 1883 a maior parte da ilha virou pó que foi lançado na estratosfera enquanto ondas gigantes devastavam a costa do mar de Java. No lugar do vulcão desaparecido nasceu outro, que os indonésios batizaram de Anak Krakatau, o filho do Krakatoa. Ignorando as advertências, a indústria do turismo continuou a construir hotéis e a promover eventos na região. E o resultado foram os 429 mortos do último fim de semana.
Depois desse último desastre, o reconhecimento aéreo constatou que a maior parte da ilha de Anak Krakatau tinha desmoronado para dentro do mar. A avalanche de terra, equivalente a 36 campos de futebol provocou a onda gigante que atingiu as praias do estreito, incluindo a praia de Tanjung Lesung, onde a banda de rock Seventeen realizava um show para centenas de pessoas. Vários integrantes da banda morreram quando a onda gigante arrastou o palco no meio da apresentação, entre eles o baterista e o guitarrista.
As áreas atingidas pelo tsunami de sábado foram as mesmas arrasadas pela erupção de 1883. Toda aquela região do mar de Java sempre foi geologicamente instável, ela se situa no chamado “cinturão de fogo do Pacífico”, uma região onde fendas na crosta da Terra provocam terremotos e uma atividade vulcânica constante. A maior dessas erupções foi a que detonou com a ilha de Krakatoa no dia 27 de agosto de 1883. A potencia da explosão foi estimada em 200 megatons, equivalente a da maior bomba nuclear já construída pelo homem, a bomba do Tsar, detonada pelos russos na década de 1960. Ondas de 46 metros de altura engoliram a cidade costeira de Merak e muitos vilarejos menores. Enquanto nuvens de gás escaldante, as chamadas nuvens piroclásticas, deslizavam sobre o estreito transformando pessoas em esqueletos.
Calcula-se que o som da explosão atingiu 180 decibéis e foi o som mais alto já ouvido na Terra em tempos modernos. Sabe-se que foi ouvido a cinco mil quilômetros de distância e a onda de choque deu três voltas em torno da Terra. A tragédia foi provocada pela entrada da água do mar na cratera do vulcão. Em contato com a lava a água se transformou em vapor e a ilha explodiu como se fosse uma gigantesca caldeira. Um novo vulcão surgiu no lugar do antigo e como ele continua em erupção é só uma questão de tempo para que aconteça uma nova catástrofe como a de 1883. Nesse aspecto o tsunami de sábado passado foi só um aviso.
Uma das características dos vulcões é que alguns deles entram em erupção depois de ficarem dormentes por mais de um século. O que leva a falsa impressão de que eles estão mortos, quando na verdade estão apenas adormecidos. E como as terras em torno dos vulcões são muito férteis elas atraem os seres humanos que constroem lá suas casas e cidades ignorando que estão vivendo em cima de uma bomba relógio.
Fica o alerta para os brasileiros que adoram viajar para o oriente. O mar de Java é uma região linda, com praias de areia branca orladas por coqueiros que parecem tiradas de um cartão postal. Mas o perigo de terremotos, erupções e tsunamis é constante. É o lado negro daquele paraíso.
A erupção de 1883 já foi retratada em filmes e series de televisão. Com destaque para o sexto episódio do seriado clássico “O túnel do Tempo” e a superprodução em Cinerama, “Krakatoa, o inferno de Java” de 1968. Ambos disponíveis em DVD


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5 comentários

  1. Avatar

    Assim como o comunismo foi um desastre na história da humanidade, levando à morte centenas de milhares de pessoas no mundo inteiro, incluindo no Brasil, que nos últimos 13 anos e meio foi governado pelo PT, apoiado incondicionalmente pelo PCdoB…. Assim também temos os desastres naturais, que não foram criados por comunistas, mas que causam muito menos morte!
    Ou seja, entre os desastres naturais e os desastres causados por comunistas, devemos torcer que o Brasil, se tiver que escolher para o futuro, escolha os desastres naturais!
    O que dizer dos imbecis úteis ou vendidos que não aceitam a verdade sobre o comunismo?!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

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    Belo artigo. Já tinha lido sobre esse fenômeno antes, que aliás deixou o nome “java” em voga ao longo do tempo… Teve também, algum tempo depois, a erupção do Monte Pelé, que devastou a capital da Martinica e fez o dia virar noite em boa parte do mundo…

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    Muito interessante. Nunca nos livraremos dos desastres naturais, apesar de que quanto mais desenvolvida uma nação, menos mortes ocorrem. O pior são os desastres causados pelo próprio homem. Enquanto desastres naturais causam mortes na casa das dezenas de milhares, desastres artificiais como o socialismo matam na casa das dezenas de milhões.

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