domingo, 17 de novembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Ciência – Por Jorge Calife / O fogo na Amazônia e a biodiversidade no Universo

O fogo na Amazônia e a biodiversidade no Universo

Matéria publicada em 5 de setembro de 2019, 09:20 horas

 


Instrumento da NASA mostra que chamas torraram o solo nas regiões atingidas

Dados obtidos pelo sensor Ecostress, instalado a bordo da Estação Espacial Internacional, mostram que a temperatura do solo nas regiões atingidas pelos incêndios da Amazônia atingiu valores inéditos. Ecostress é a sigla do Radiometro Termal Espacial, que pode medir a temperatura do solo do nosso planeta. Ao ser focalizado nas áreas incendiadas, o aparelho registrou temperaturas acima de 104 graus centigrados, que é o máximo que o aparelho consegue registrar. Na verdade a temperatura foi muito maior do que isso e indica que a terra, nas regiões do norte do Brasil e leste da Bolívia, está sendo praticamente esterilizada pela temperatura dos incêndios. Todas as bactérias e organismos responsáveis pela fertilidade do solo estão sendo eliminados e o que vai restar é solo de deserto.

Na semana passada o astronauta italiano Luca Parmitano, que se encontra a bordo da estação espacial, postou imagens dos incêndios vistos do espaço no twitter e comentou: “A fumaça se espalhou por milhares de quilômetros. São dezenas de incêndios provocados pelo homem. E nós não temos um planeta B.” Numa referência ao fato conhecido de que a Terra é o único mundo onde a espécie humana pode viver.

A incrível quantidade de formas de vida que o nosso planeta abriga é chamada de biodiversidade. Um novo estudo produzido pela Universidade de Chicago sugere que podem existir planetas, em órbita de estrelas distantes, com uma diversidade de vida ainda maior que a da Terra. Durante uma conferência em Barcelona, na Espanha, a pesquisadora Stephanie Olson mostrou que a diversidade de vida em um planeta depende da circulação da água em seus oceanos. O fluxo de água das profundezas marinhas traz água rica em nutrientes para a superfície, o que provoca uma explosão de vida. É por isso que as baleias vão se alimentar na Antártida, cujas águas frias estão ricas em krill, o camarão que as baleias comem. E é bom lembrar que toda a vida na Terra surgiu nos oceanos e depois migrou para os continentes.

Esse fluxo de água das profundezas para a superfície depende de fatores como a presença de continentes, uma atmosfera densa e uma lenta velocidade de rotação do planeta. A pesquisa feita pelo satélite Kepler, da NASA, mostrou que uma em cada quatro estrelas possui planetas semelhantes à Terra. Mundos rochosos, colocados a uma distancia media de seu Sol onde a água líquida pode existir. E como existem bilhões de estrelas somente na nossa galáxia a quantidade de mundos habitáveis é quase infinita.

O problema é que todos esses mundos encontram-se a centenas ou milhares de anos-luz de distância. E não existe tecnologia capaz de nos levar até lá. A Teoria da Relatividade de Einstein mostra que nenhum objeto sólido pode atingir ou ultrapassar a velocidade da luz. E mesmo que tivéssemos uma nave capaz de se aproximar da velocidade da luz, uma viagem até as terras distantes, dos sistemas estelares pesquisador pelo Kepler, levaria séculos.

Aqui no nosso sistema solar a vida pode existir nos oceanos cobertos de gelo que existem nas luas de Júpiter e de Saturno. Mas seria uma vida semelhante a que existe nos abismos marinhos. Seres adaptados para viverem na escuridão, se alimentando do enxofre que escapa de vulcões no solo oceânico. Viver lá também seria muito difícil para os seres humanos. Sem falar que a nave mais rápida que temos atualmente levaria quatro anos para ir da Terra até as luas de Saturno.

É por isso que a atual destruição do meio ambiente é uma espécie de suicídio coletivo da espécie humana. Que esta mudando o clima do planeta de modo imprevisível e transformando as florestas em desertos.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document