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O furacão e a tragédia no Haiti

Matéria publicada em 18 de outubro de 2016, 07:20 horas

 


Americanos mandam porta-helicópteros para ajudar o povo; não dá mais para fazer graça com as tragédias daquele país

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Há muitos anos assisti a uma comédia sobre um casal que queria passar férias no Taiti. A mulher acabava comprando um pacote mais barato para o Haiti e explicava para o marido que era bem parecido. Também ficava em uma ilha, cercada de mar azul turquesa, e as pessoas falavam francês. Isso foi há muito tempo, quando o país do Caribe sofria com as ditaduras do Papa Doc e do Baby Doc. Hoje não dá mais para fazer graça com as tragédias daquele país. Depois das ditaduras o terremoto, depois do terremoto o furacão Matthew. Só falta um asteroide cair em cima dos pobres haitianos.

Recentemente as Nações Unidas divulgaram uma pesquisa mostrando que sete mil grandes desastres naturais atingiram nosso planeta durante os últimos 20 anos. E os países que mais sofrem com isso são os países pobres e sem recursos como o Haiti. O mesmo furacão que passou sobre o Caribe também atingiu os Estados Unidos. Mas lá o número de mortos ficou em torno de dez, enquanto no Haiti foram mais de mil mortos. Isso já tinha sido previsto pelos teóricos do aquecimento global. Há mais de dez anos eles dizem que as tempestades estavam se tornando mais violentas e iam afetar mais os países pobres.

Desde o fim da ditadura do Baby Doc que o Haiti é uma terra sem lei, controlada pelas tropas das Nações Unidas. Que incluem um contingente brasileiro. Mas os soldados da ONU não puderam fazer nada para proteger o povo quando o furacão se aproximou. Os americanos reagiram a tragédia com o seu poderio militar. E mandaram para lá um enorme navio porta-helicópteros, o USS Iwo Jima. Que tem enfermarias, carrega médicos e possui um hangar cheio de helicópteros e barcos hovercraft para levar socorro para as áreas de difícil acesso. O problema é que o navio levou quase uma semana para chegar lá.

Navios como o Iwo Jima são muito úteis em áreas de tragédia e não existe uso melhor para essas belonaves, construídas no tempo da Guerra Fria com a União Soviética. Hoje em dia, no século XXI, só não morre mais gente devido aos furacões devido a outro subproduto da tecnologia militar. Os satélites meteorológicos, que detectam os furacões aonde eles se formam, no meio do Atlântico, e acompanham sua rota. Semana passada, depois do Matthew arrasar o Haiti, tivemos o Nicole, que atingiu as ilhas Bermudas.

O primeiro satélite meteorológico, o Tiros 1 americano, foi lançado ao espaço em 1960 por um antigo míssil nuclear, o Thor. Hoje existe uma frota de satélites desse tipo orbitando a Terra e vigiando a formação de tempestades. Mas os satélites podem detectar os furacões, não podem mudar ou impedir sua trajetória. Eles são o produto da máquina climática do nosso planeta. Em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, a população é alertada para sair de perto das praias e se abrigar em construções seguras, como estádios, até os ventos destruidores passarem.

No Haiti não havia abrigos nem refúgios disponíveis. O olho do Matthew passou bem em cima dele o que aumentou ainda mais o número de vitimas. O olho é uma região de calmaria com algumas dezenas de quilômetros de largura, que fica no centro de uma espiral de nuvens em redemoinho com mais de mil quilômetros de diâmetros. Quando o olho passa em cima de um local os ventos são interrompidos e ocorre uma breve calmaria. Mas a fúria da tempestade recomeça logo depois.

Ninguém explicou isso para os haitianos. Eles acharam que o olho era o fim da tempestade e saíram para as ruas. Onde a fúria da tempestade os atingiu em cheio logo depois. Não sei se teria morrido menos gente se eles tivessem recebido algum tipo de orientação das tropas da ONU. Afinal, aquelas pessoas não tinham para onde correr. É um problema que terá que ser enfrentado antes que novas tragédias aconteçam no nosso tempestuoso planeta.

 Olho: O centro do Matthew visto da estação espacial internacional


Olho: O centro do Matthew visto da estação espacial internacional

 

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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Um comentário

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    Mil quilômetros de diâmetro, Calife? Acho que vc quis dizer metros, não?… Mil quilômetros de diâmetro arrasaria todo o Caribe de uma só vez, o furacão poderia ficar até estacionado…

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