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O futuro da humanidade no Salão do Livro de Paris

Matéria publicada em 21 de abril de 2015, 15:06 horas

 


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No mês passado aconteceu o Salão do Livro de Paris, lá na França. Que ao contrário da nossa bienal acontece todo o ano. Este ano o Brasil foi o país tema, e, este que vos escreve acabou participando ainda que de longe. Fui entrevistado e cedi um conto para a revista francesa Galaxies, cuja edição número 34, foi lançada durante o evento parisiense. O tema era o futuro da humanidade a longo prazo e o editor, Jean Pierre Laigle fez dezessete perguntas sobre o tema de alguns dos meus romances. Foi uma espécie de higiene mental, esquecer por alguns minutos os problemas do nosso Brasil e da realidade presente e olhar para as profundezas do espaço e do tempo. Só mesmo uma revista francesa para se preocupar com essas coisas um tanto exotéricas.

 Simbiose espacial

Laigle é fascinado pela ideia dos humanos que podem viver no vácuo do espaço, graças a simbiose com uma forma de vida sintética. Eles aparecem em vários romances da minha série “Padrões de Contato”. Cuja capa, do artista paulista Vagner Vargas, virou capa da revista francesa. Não sou o inventor da ideia, os simbiontes espaciais também aparecem nos romances de outros autores, como Spider Robinson e John Varley, escritos na mesma época da minha série futurista brasileira. É uma daquelas ideias que surgem na ciência e são adotadas por vários autores.

Talvez o pai dos meus moradores do espaço seja o físico americano Freeman Dyson. Em uma palestra no MIT (Massachusetts Institute of Technology) ele sugeriu que os seres humanos do futuro poderiam colonizar os núcleos dos cometas que perambulam pelo espaço. Eles poderiam criar um vegetal, uma espécie de árvore gigante, capaz de viver no vácuo e crescer nos núcleos gelados dos cometas. Essa “trepadeira de cometas” criaria uns bolsões de ar onde os humanos do futuro poderiam viver, entre seus ramos.

 Traje espacial vivo

Na minha história fui um pouco além e imaginei uma pele sintética que envolveria as pessoas. Uma espécie de traje espacial vivo, que permitiria a vida no espaço. Como expliquei na Galaxies este seria um passo importante na evolução da vida, tão importante quanto foi a passagem da vida dos oceanos para a superfície da Terra há milhões de anos. A vida surgiu no fundo do mar, mas só se tornou capaz de inteligência e civilização quando migrou para a superfície dos continentes. Há quem diga que os nossos corpos, cheios de líquido, são um traje espacial natural, que nossos antepassados aquáticos desenvolveram para viver na superfície da Terra. O passo seguinte seria fazer isso no espaço, sem meios mecânicos, usando tecnologia biológica.

 Vida no espaço

Porque a vida precisa conquistar o espaço sideral? Porque a superfície de um planeta como a Terra é um espaço muito limitado para uma civilização se desenvolver. Lá em cima existe energia e matérias primas ilimitadas. E um complexo industrial orbital não polui o meio ambiente. A vida no espaço também daria aos nossos descendentes uma perspectiva cósmica. Enquanto viverem em planetas os seres humanos terão seus horizontes limitados, ainda estarão presos aos seus instintos de agressão e territorialidade. Vivendo no espaço eles estarão cara a cara com o infinito do tempo e do espaço e poderiam se tornar uma espécie mais pacífica e sociável.

 Próximas edições

Larry Niven, outro autor de ficção espacial, costuma dizer que os dinossauros foram extintos porque não tinham um programa espacial. Nós temos e podemos usa-lo para escapar das fronteiras limitadas e dos perigos do meio ambiente terrestre. O pessoal da revista gostou da ideia e já me encomendou uma nova história sobre o assunto, para uma das próximas edições.

Vai ser uma grande viagem.


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Um comentário

  1. Avatar
    Alexssandro Duarte

    Sou fascinado com a ideia que a evolução humana vai se encaminhar para alguma especie de junção com as máquinas e computadores. Quem sabe daqui a alguns séculos será possível digitalizar toda a consciência humana e coloca-la em uma máquina, de certa forma seria alcançar a imortalidade. Tais seres poderiam colonizar até planetas ou luas hostis a vida biológica. Claro que até lá varias questões tecnológicas teriam que ser resolvidas e ainda por cima teriam fatores éticos profundos envolvidos. Fico pensando se a virtual imortalidade não serviria para déspotas se perpetuarem no poder, imaginem um Stalin, cujo poder só foi ser derrubado com sua morte, tendo em mãos uma tecnologia como esta.

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