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O Futuro já chegou

Matéria publicada em 1 de dezembro de 2018, 09:10 horas

 


O conceito da 4ª Revolução Industrial surgiu em janeiro de 2016, foi o fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial Klaus Schwab que apresentou ao mundo durante o seu discurso na Suíça este conceito. A verdade é que, segundo Schwab, estamos à beira de uma transformação significativa nos modelos de produção e vida social. Essa transformação será promovida por tecnologias capazes de integrar os domínios físicos, digitais, biológicos, cognitivos, entre diversos outros da vida humana. Tudo isso estaria atrelado à inteligência artificial e ao aprendizado da máquina.

Estamos preparados para isso?

A ideia da 4º revolução industrial protagonizou as decisões significativas na feira de Hannover, na Alemanha, em 2011, local onde se definiu o termo “Industria 4.0” para nomear os novos modelos de fábricas automatizadas e inteligentes. Nesses novos ambientes, a presença humana, além de ser reduzida, passará a cumprir um papel de gerência sobre as máquinas e não mais de operação das máquinas. Podemos citar inúmeras novas tecnologias para entender o funcionamento dessa revolução: A internet das coisas, BigData, Hologramas, Robótica, realidade aumentada, Inteligência artificial, impressão 3d e diversas outras. O que parecia ficção, agora é realidade, basta olharmos para trás, com as “lentes” dos filmes da década de 80, o que parecia ser a mais avançada ficção, extremamente importante, impossível e distante de uma realidade, hoje faz parte da nossa realidade.

Mas está na hora da educação?

– Sim, esta coluna é para discutirmos educação, então vamos refletir sobre os impactos da 4º revolução industrial sobre a educação.

– Com tanta evolução, quantos postos de trabalho serão fechados?

– Como as cadeias produtivas receberiam tal impacto, uma vez que postos de trabalhos, funcionários, consumidores, teriam as vidas impactadas pela 4º revolução?

Vamos criar um conceito hipotético após essas informações: Imaginem as produções de marketing como seriam transformadas? Mais uma vez vamos olhar para trás. Na década de 90, do século passado (parece que foi ontem), apareceram inúmeros pequenos escritórios com um digitador, um computador e uma impressora (jato de tinta). Os trabalhos escolares, currículos e os mais diversos impressos eram materiais vendidos para o público consumidor, para obter uma melhor qualificação. Era comum trabalhadores e estudantes se dirigirem às pequenas salas para imprimirem seus currículos e trabalhos em uma impressora jato de tinta e colorida (tecnológica custosa à época, todavia inovadora). O acesso a computadores e a impressoras não era comum a toda população. Atualmente, esse tipo de trabalho sumiu do mercado, mas outras possibilidades, como as gráficas rápidas ainda resistem. Até quando?

Nossa educação aborda essas mudanças práticas e rápidas?

Hoje, a quarta revolução industrial e as novas tecnologias prometem novos arranjos sociais e culturais, já que trazem em sua estrutura um potencial de redução da desigualdade além de oferecerem a possibilidade de inovação, de criação de produtos, de serviços e tecnologias numa escala literalmente domiciliar. Qualquer um que tiver acesso a uma impressora 3d, sensores, conexão de internet e boas ideias poderá inovar para o futuro sem sair de casa. Agora cabe uma pergunta pertinente: As escolas, os educadores, e aos pais, “O que nossas crianças deverão aprender? Como nossas crianças deverão aprender? O que nossas crianças necessitarão aprender?” A educação vai sofrer um enorme impacto.

Não podemos perder de vista, a nossa escola, ainda que se apresente como sendo uma escola do século XXI, foi articulada por um mundo que vivia entre a primeira e a segunda revolução industrial. Ou seja, a escola de hoje ainda repete os modelos do enciclopedismo do século XVIII. Imaginemos que um professor aprende numa semana para ensinar na outra. Ou o que é muito comum, professores que repetem o conhecimento e o aprendizado há mais de 10 anos, ensinando as mesmas matérias com a mesma metodologia e buscando os mesmos resultados. Todavia, o mundo mudou. Vamos entender um apouco esse processo do passado. Produzir livros, produzir material pedagógico para todos os alunos naquela época era caro, então era melhor manter um professor, detentor de “todo” conhecimento, que ditaria para os alunos copiarem. Hoje, isso não é mais necessário, pois 80% do conhecimento do mundo está na internet e digitalizado, basta a internet e um smartphone para que o aluno tenha acesso a uma infinidade de saberes nunca antes imaginados. O mundo mudou, literalmente, e de verdade. Tudo está acessível o tempo todo.

Nossos alunos, nossa juventude, nossos empreendedores sabem selecionar? Sabem buscar a informação?

A quarta revolução industrial oferece tecnologias que poderão individualizar e customizar a experiência de aprendizagem das crianças, além disso, permitirão o monitoramento inédito do processo de aprender dos estudantes, gerando dados profundos e detalhados para professores realizarem avaliação e melhoria das experiências. Pois os estudantes se guiarão mais pelos seus interesses, pelos temas que os motivam do que pela grade imposta por necessidade da escola. Os professores poderão avaliar as próprias aulas, o desempenho do aluno e o que for bom poderá ser replicado e modelado, e o que não produzir resultado poderá ser descartado. Os alunos poderão ter, no futuro, assistentes virtuais, máquinas, robôs comunicativos com inteligência artificial para auxiliar os processos de desempenho, de modelagem de aprendizado e de desenvolvimento da inteligência, uma vez que podemos resumir a inteligência como: “A capacidade de resolver problemas reais”.

E quais serão os novos problemas para este novo mundo que acaba de chegar?

A educação tem que, efetivamente, dar conta disso tudo, e o que é mais importante para que todos os jovens e todas as crianças aprendam? Na verdade, elas precisam aprender a ter autonomia (sou suspeito, pois é exatamente isso que desejo que meus filhos aprendam para a vida), para isso, todas as novas tecnologias e toda a neurociência trabalharão para esse desenvolvimento pleno do individuo. Outro fator importante a ser abordado é o autodidatismo que deverá ser ensinado na escola, pois o mundo vai se tornar obsoleto a cada 10 anos, e, portanto, os indivíduos deverão desenvolver a capacidade de aprender sozinhos para serem capazes de continuar aprendendo ao longo da vida sem a dependência externa de retornar para a sala de aula. Nesse sentido, as escolas devem se transformar em centros de desenvolvimento de competência, abandonando, definitivamente, a posturas de espaços e replicação de conhecimentos.

Conhecemos escolas e cursos com esse tipo de foco?

As tecnologias que estão moldando a 4º revolução industrial se caracterizam pela acessibilidade de custo e manuseio, a cada ano, as novas tecnologias ficarão de mais fácil acesso e utilização.

Cabe, por fim, uma pergunta importantíssima para nosso futuro agora. Estamos educando nossos jovens para as transformações? Estamos nós, preparados, para novos voos, novas descobertas? Toparíamos, nós, que nascemos no século passado, voltar à escola do futuro? Agora?

Nosso dicionário

Klaus Schwab – É engenheiro e economista alemão, mais conhecido como fundador e presidente executivo do Fórum Econômico Mundial ou FEM que é uma organização sem fins lucrativos baseada em Genebra, é mais conhecido por suas reuniões anuais em Davos, Suíça nas quais reúne os principais líderes empresariais e políticos, assim como intelectuais e jornalistas selecionados para discutir as questões mais urgentes enfrentadas mundialmente, incluindo saúde e meio-ambiente.

Feira de Hannover – Hannover Messe é a principal feira do mundo para a tecnologia industrial. Mais rápido, mais eficaz, melhor: para sobreviver e prosperar frente à competição global, as empresas globais necessitam manter e melhorar constantemente seu potencial de funcionamento.

Industria 4.0 – Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial é uma expressão que engloba algumas tecnologias para automação e troca de dados e utiliza conceitos de Sistemas ciber-físicos, Internet das Coisas e Computação em Nuvem.

Internet das coisas – É uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão com a rede e é capaz de coletar e transmitir dados.

Big Data – Em tecnologia da informação, o termo Big Data refere-se a um grande conjunto de dados gerados e armazenados, e que os aplicativos de processamento de dados tradicionais ainda não conseguem lidar em um tempo tolerável.

Holograma – Holografia é uma técnica de registro de padrões de interferência de luz, que podem gerar ou apresentar imagens em três dimensões.

Robótica – Ciência e técnica da concepção, construção e utilização de robôs.

Realidade aumentada – Designa-se realidade aumentada ou a integração de elementos ou informações virtuais a visualizações do mundo real através de uma câmera e com o uso de sensores de movimento como giroscópio e acelerômetro.

Inteligência artificial –  É a inteligência similar à humana exibida por mecanismos ou software. Também é um campo de estudo acadêmico.

Impressão 3D – Também conhecida como prototipagem rápida, é uma forma de tecnologia de fabricação aditiva na qual um modelo tridimensional é criado por sucessivas camadas de material.

Cadeias produtivas – É um conjunto de etapas consecutivas, ao longo das quais os diversos insumos sofrem algum tipo de transformação, até a constituição de um produto final.

1ª Revolução Industrial – A Primeira etapa da Revolução Industrial. Entre 1760 a 1860, a Revolução Industrial ficou limitada, primeiramente, à Inglaterra. Houve o aparecimento de indústrias de tecidos de algodão, com o uso do tear mecânico. Nessa época o aprimoramento das máquinas a vapor contribuiu para a continuação da Revolução.

2ª Revolução Industrial – Iniciou-se na segunda metade do século XIX (c. 1850 – 1870), e terminou durante a Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), envolvendo uma série de desenvolvimentos dentro da indústria química, elétrica, de petróleo e de aço.

Enciclopedismo – Foi um movimento filosófico-cultural originado do iluminismo, desenvolvido na França por Diderot e d’Alembert e que buscava catalogar todo o conhecimento humano a partir dos novos princípios da razão na Encyclopédie, uma obra monumental, que constava de 35 volumes.

Modelagem – A aprendizagem por modelagem também é chamada de aprendizagem vicária ou por observação. Basicamente, consiste em ensinar através do próprio comportamento. Esse aspecto não é próprio dos humanos, mas também pode ser observado em muitas espécies de seres vivos.

Autonomia – É a capacidade de um indivíduo racional de tomar uma decisão não forçada baseada nas informações disponíveis.

Neurociência – É a área que se ocupa em estudar o sistema nervoso, visando desvendar seu funcionamento, estrutura, desenvolvimento e eventuais alterações que sofra.

Autodidatismo – Ato de estudar e adquirir instrução por si mesmo, dispensando a orientação de professores.

 

Inventar – Descobrir, criar (algo que se não havia concebido, fabricado etc.).

Criar – Formar, gerar, dar origem.

Colaborar – Trabalhar com uma ou mais pessoas numa obra; cooperar, participar.

Compartilhar – Ter ou tomar parte em; arcar juntamente.

Divertir – Desviar, distrair a atenção (de alguém ou a própria) de (algo).

 

Boa leitura, TMJ!

Raphael Haussman. É professor, Coach, consultor e apaixonado por educação e desenvolvimento humano e, ainda, pai da Raphaela e do Theo.


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3 comentários

  1. Muito bom o artigo! Parabéns!

    Só me preocupo com a transformação do estudo na escola para o estudo em casa é o desenvolvimento do individualismo. Se antes desenvolvíamos o trabalho em equipe; hoje o trabalho é solitário. As pessoas estão perdendo o senso de coletividade, tão necessário numa sociedade. Para eles é normal comer na frente do computador ou do celular e depois largar a embalagem na mesa ou jogar na rua pela janela do carro. Isso sem contar que jogam o lixo doméstico na calçada na parte da manhã sendo que o caminhão só vai coletar à noite.

    Quanto à tecnologia, o avanço está deixando as pessoas totalmente dependentes por não conseguirem mais pensar por si mesmo. Outro dia vi um ciclista (não sei se mais adequado) meio obeso na rua onde poderia estar aproveitando a declividade para impulsionar a bicicleta, mas não, a bike era elétrica. Ou seja, usando da energia elétrica onde não havia nenhuma necessidade, além claro, de não se exercitar pedalando.

  2. A Educação à distância (EAD) vai trazer mais educação e mais autonômia para as pessoas escolherem seus tutores e o método que elas querem seguir para estudar!
    Essa liberdade que a Internet traz para ampliar o campo de escolha do estudante, sempre é preocupante para os sistemas políticos ditatoriais, tanto é que quando começaram a surgir faculdades de EAD no Brasil no começo do novo século, tivemos uma forte oposição e tentativa de tolher o desenvolvimento da EAD pelo governo Lula e por seu Ministério da Educação, que faziam uma séria de restrições do acesso dos alunos às novas ferramentas de EAD!
    Como diria o jornalista Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”…

    • EAD já existia antes do Lula. Eu mesmo fiz cursos recebendo apostilas e enviando exercícios pelo Correio. Tenho aqui os certificados.

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