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O hambúrguer impossível

Matéria publicada em 19 de novembro de 2019, 09:47 horas

 


Uma forte tendência, no Brasil e no mundo, é o aumento do vegetarianismo, em suas diversas modalidades.
Uma pesquisa conduzida pelo IBOPE em maio de 2018 mostrou que 14% dos brasileiros se declaram vegetarianos, o que equivale a mais ou menos 30 milhões de pessoas e esses números vem crescendo ano a ano.
A mesma pesquisa, realizada em 2012, apontou apenas 8% como vegetarianos, ou seja, o índice quase dobrou em apenas 6 anos. E é possível que continue crescendo nos próximos anos.
As pessoas têm se tornado vegetarianas por diversas razões: por acreditarem que é uma dieta mais saudável, com menos impacto ambiental e que não submete os animais a nenhuma forma de sofrimento.
Essa não é apenas uma tendência brasileira, mas mundial.
Historicamente o Vegetarianismo sempre existiu, e sempre foi a dieta de uma minoria. Mas essa minoria está ficando cada vez menos minoritária, principalmente nos países desenvolvidos e esse índice é puxado pelas novas gerações. Em 2015 menos de 4% dos americanos se declaravam vegetarianos, mas um em cada quatro americanos da chamada geração Millenial, aqueles com idade entre 25 e 34 anos à época da pesquisa, se declararam vegetarianos ou veganos.
Segundo a revista The Economist o consumo de produtos vegetarianos cresce 10x mais rápido do que o consumo das outras categorias de produtos.
Cresce tanto que até mesmo o McDonald’s lançou o seu McVegan, olha que loucura!
Falando nisso, se você quer se tornar vegetariano mas é apaixonado por um suculento hambúrguer, deve estar se lamentando o fato de não ser possível conciliar as coisas.
Mas será mesmo uma missão impossível?
Não para a impossible burguer, uma firma da Califórnia fundada em 2011 e que hoje tem seu valor de mercado estimado em bilhões de dólares, mesmo sem ainda vender tanto assim, ou seja, o mercado, que não é bobo, já está embutindo no valor de mercado dela, o provável crescimento que ela terá nos próximos anos.
O impossible burguer é um hambúrguer que tem aparência de hambúrguer, nome de hambúrguer, cheiro de hambúrguer, sangra como hambúrguer e segundo a lenda até mesmo gosto de hambúrguer, mas é feito de plantas.
Durante uma viagem tive a oportunidade de provar o tal hambúrguer impossível. Foi uma experiência interessante, o sanduíche estava saboroso, lembrava de fato um hambúrguer mas para um paladar mais atento dá para perceber que não é a mesma coisa. Além disso, se por um lado ele não usa carne de verdade, por outro lado, para simular o sabor e a textura da carne ele precisa usar alguns complementos, como gordura, conservantes e sal, que o afastam da meta de ser um produto natural ou plenamente saudável.
Mas se você é um vegetariano que sente saudades do velho e bom hambúrguer essa pode ser uma boa maneira de conciliar essas duas coisas, porque ser vegetariano e comer hambúrguer, de agora em diante não é mais uma missão impossível.
Dizem que no futuro teremos cada vez mais alimentos sintéticos, criados em laboratório por cientistas com o objetivo de emular quimicamente aroma, sabor e textura. Soa um pouco bizarro, mas depois do Impossible Burguer não me parece um futuro tão distante, nem muito menos impossível.

 

Alexandre Correa é professor da FGV, escritor e palestrante corporativo. Ele está no YouTube, no Facebook, no Linkedin, no Instagram, no SPC e no Serasa. E não está no Tinder porque sua mulher não deixa.


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