O hardcore punk da banda ‘O Inimigo’

by Diário do Vale

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O hardcore punk da banda ‘O Inimigo’ Divulgação

O hardcore punk da banda ‘O Inimigo’
Divulgação

Uma dupla rodada de bandas independentes, undergrounds, alternativas… Ou simplesmente sem rótulo, marcou os dois últimos findes em Volta Redonda, mais especificamente na Toca  do Arigó. Com integrantes de bandas como Ratos de Porão, Discarga, Point of no Return, I Shot Cyrus, Againe, a banda “O Inimigo” lançou recentemente o EP “Personalidades Plásticas”, e eu conversei com o guitarrista Juninho.
Segundo o músico, a banda curtiu tocar em Volta Redonda, foi à segunda vez que se apresentaram na cidade.
“O Inimigo” é formado por: Kalota Fanucchi (Vocal) Juninho Sangiorgio (Guitarra) Fernando Sanches (Guitarra) Alexandre Cacciatore (Baixo) Gian Coppola (Bateria).
Seus integrantes trabalham paralelamente com música fora dos palcos: roadie, técnico de som, loja de vinil. Saca só a entrevista!

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ENTREVISTA
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NA VITROLA – Fale sobre o início, o surgimento da banda “O Inimigo”?

Juninho:
– Inicialmente a banda chamava “Death From Above”, daí veio a ideia de fazer quase tudo em português, então mudamos o nome, e junto veio um texto que saiu no nosso primeiro disco, falando sobre ele, sobre os inimigos que temos que enfrentar todos os dias. Os inimigos que criamos dentro de nossa mente que pode nos destruir com o tempo, o inimigo que é o Estado, e o quanto ele tenta nos diminuir a apenas peças de produção em massa, e nossa personalidade acaba no esquecimento, não temos valor sendo nós mesmos – declara.

NA VITROLA – Quais as principais influências e objetivos da banda?

Juninho:
– Influências principais são bandas brasileiras de punk antigo, em especial aquelas que usavam muito das melodias no meio dos seus protestos, como O Cólera. Também temos uma grande influência das bandas americanas de Washington DC, às quais ouvimos muito em nossa adolescência e continuam até hoje nos nossos toca discos.
Montamos a banda e até hoje nos influenciamos nelas, Dag Nasty, Gray Matter, Fugazi são alguns exemplos. O objetivo da banda é misturar essas influências e criar nosso próprio som, e com isso viajar tocando para levar nossas experiências ao máximo de gente possível. Os planos para esse ano são gravar dois EPs, tocar bastante pelo Brasil e ir para os USA fazer um tour no final do ano – fala o guitarrista.

NA VITROLA – Sobre o trabalho autoral, como são confeccionadas as músicas? Como é o processo de criação?

Juninho:
– Todos nós estamos sempre compondo. Trocamos alguns e-mails com as ideias e ensaiamos uma vez por semana para trazer todas as ideias e juntá-las. As músicas saem na maioria das vezes assim – uma vez ou outra alguém já tem uma ideia mais completa, mas como somos cinco, sempre algum outro adiciona algo e o resultado é pelo trabalho de todos – explica.

NA VITROLA – Quais os principais shows/participações que se apresentaram ?

Juninho:
– Cara, não temos assim alguns shows tão mais especiais, sempre tocamos shows na maioria pequenos, que por sinal são os melhores. E pra falar a verdade, essa nossa penúltima passagem em Volta Redonda foi numa sala, incrível o show!
Shows maiores aqui no Brasil tocamos com bandas como Ratos de Porão, Dead Fish, Garage Fuzz, Title Fight, agora lá fora fizemos um festival grande na Bélgica em 2013, onde tocamos com Black Flag, TSOL, Cro-Mags, Jello Biafra – conta.

NA VITROLA – Como analisa o cenário independente? O que poderia melhorar?

Juninho:
– Vejo o cenário independente bem ativo, muita coisa boa acontecendo por todo país. Existem inúmeras pessoas desenvolvendo tanta coisa legal que seria impossível descrever aqui. Nós estamos sempre rodando por aí e trocando essas figurinhas com cidades diferentes, sempre é uma ótima experiência. Falta mais apoio de todos os lados, as coisas poderiam ser melhores, apoio de verbas para a cultura, apoio do próprio público que às vezes não comparece e acaba fazendo muita falta. Mas independente disso, o Brasil tem história no meio independente, seja ela no rap, no punk, no metal, muita coisa rolou e não irá parar por aqui – salienta.

NA VITROLA – Qual a maior dificuldade das bandas independentes?

Juninho:
– A maior dificuldade é se manter. Para falar a verdade são pouquíssimas bandas que conseguem isso, então é fácil olharmos para trás e vermos inúmeras bandas que acabaram por esse motivo.
“O Inimigo” não tem a pretensão de se manter tocando, todos nós temos outros empregos e gostamos de tocar e viajar para sempre estarmos em contato com a cena, seja ela brasileira ou de fora, mas sempre se consegue um jeito de lançar um disco, de fazer um show, vamos se virando e fazendo história – finaliza Juninho Sangiorgio.

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SE LIGA NO SOM!
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‘O Inimigo’ – ‘Personalidades Plásticas’

A banda tem três discos, uma demo e um EP. Este mais recente tem seis faixas, gravação analógica, capa maneirassa e muitas guitarras! Essencial.  Faixas: 1-Destino fatalidade; 2-Velhas Verdades; 3-Abandonado pelos anjos; 4- personalidades plásticas; 5-Em passos disformes; 6-Racional incerto.

Capa: Arte underground com máscara e ‘caras distorcidas’ Divulgação

Capa: Arte underground com máscara e ‘caras distorcidas’
Divulgação

‘Death Trip ’

Matheus Muniz, vocalista da banda “Deaht Trip” disse que a expectativa para o show que aconteceu ontem era:
– Geral cole e prestigie o DIY de Volta Redonda, tem um monte de galera fazendo o corre corre de organizar evento em qualquer área, não só rock e isso que movimenta a cultura da cidade. O apoio da galera que vem e faz presente é muito importante da para dar continuidade a isso – disse.
E adiantou:
– Lançaremos em breve mais um EP com músicas que já são tocadas nos shows e músicas novas. Pretendemos em 2015 um merch mais descente, essa é a previsão, EP e merch, clipe e outras coisas – adianta Matheus Muniz.

‘Parte Cinza’

Para a galera do “Parte Cinza”, o grande desafio hoje para as bandas independentes é financiar viagens, gravações e materiais. Além disso, a banda  está em um processo de adaptação.
– A turnê do Fase Ruim terminou em setembro de 2014, que foi quando ela aconteceu. Ainda estamos em fase de composição e adaptação à nova formação, e o grande barato é sair por aí tocando e como somos bandas independentes, damos suporte umas às outras – afirma a banda em entrevista.

‘The Alchemists’

Banda disponibilizou quatro sons que irão compor seu disco cheio homônimo prevista ainda para este ano. A gente trocou uma ideia com Edson, o baterista do The Alchemists.
– Vamos lançar um vinil LP 12′ e em seguida tocar o máximo que pudermos. O disco já está gravado, faltando apenas mandar para fábrica prensar. Sairá por selos independentes do Brasil, dentre eles Oxenti Recs (Rio de Janeiro), Raw Recs (Brasília), Punch Drunk Discos (Porto Alegre) – fala.
E destacou ainda a amizade com a banda Death Tripers, Parte Cinza e O Inimigo.
– A relação de amizade existente entre as bandas é antiga, será muito mais do que um prazer. Será pura diversão, festa. A relação de amizade entre nós e os Death Tripers, por exemplo, antecede a existência das bandas, ou seja, antes mesmo de pensarmos em tocar instrumentos à maioria já se conhecia. O Parte Cinza e o Inimigo são amigos que a distância separa. Mas é só uma questão de distância né, cooperação sempre!  Inclusive, neste sábado a festa continua em Cachoeira de Macacu, onde tocaremos com o Parte Cinza e O Inimigo novamente em uma pista de skate. Vai ser bem bacana esse rolê – declara.

GIOVANNI NOGUEIRA | [email protected]

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