sábado, 21 de setembro de 2019

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / O maior espetáculo da terra vai começar

O maior espetáculo da terra vai começar

Matéria publicada em 1 de março de 2019, 08:19 horas

 


Chegou finalmente o Carnaval, uma das festas mais populares e esperadas do ano, em que a liberdade impera e a libido muitas vezes perde a compostura. Há muito tempo o Carnaval virou marca, sinônimo de Brasil, atraindo turistas de todo o mundo. Atualmente, uma festa que se industrializou e se contextualizou, e que não lembra em nada os Carnavais do passado, em que batalhas de confetes e fantasias, notadamente de colombinas e de arlequins, ganhavam as ruas e os salões dos clubes, que lotavam; hoje, tudo isso não passa de saudosismo de velhíssimos foliões.
O nome “Carnaval” vem de “carne vale”, e o seu significado está ligado ao fato de essa festa dita pagã acontecer durante os dias que antecedem a Quaresma, que deveria ser um período de total privação, uma verdadeira despedida dos pecados da carne. Assim, esse nome surgiu depois que a celebração foi “legalizada” pela Igreja Católica, a qual proibia o que se dizia ser uma festa plena de pecado. Então, em 1545, após o Concílio de Trento, mudou-se o calendário Juliano para Gregoriano, e o Carnaval passou a ser uma data oficial para os cristãos. Mas, na verdade, ele começou por volta de 520 a.C., na Grécia; era uma festa em que o vinho tornou-se fundamental e as pessoas se reuniam em nome do deus Dionísio com a intenção de se divertirem com a chegada da primavera e da fertilidade.
Passados muitos e muitos séculos, ela continua a existir, só que agora são centenas de blocos seguidos por milhares e até milhões de pessoas. Há inúmeras escolas de samba espalhadas pelos sambódromos oficiais e oficiosos de todo o país, onde o que vale é pular sem parar nos quatro dias ao som de músicas que, muitas vezes, nada têm a ver com a festa, como, por exemplo, o funk. Porém, com o velho jeitinho brasileiro, essas músicas já foram incorporadas à folia. O Carnaval, por ser uma festa popular, é tão forte que hoje ele não se resume mais há quatro dias; de alguns anos para cá, ele passou a começar na sexta-feira e vai atravessando a semana inteira, não parando mais na terça-feira e muito menos na Quarta-Feira de Cinzas, ganhando praticamente, assim uma semana inteira.
Nesse período, as fantasias, todas, as de vestir e as que passam pela cabeça do mais animados, ganham as ruas; até porque bailes em salões estão cada dia mais raros e a liberdade a céu aberto faz o folião “criar asas”, muitas vezes somente cortadas ou reprimidas com a ajuda de algum aparato policial.
Cidades como Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, entre outras vestem-se para receber os turistas e faturar, porque o momento é de ganhar dinheiro. Nada de confete e serpentina, artigos que a cada dia ficam mais raros; na verdade, o faturamento vem com as bebidas que são vendidas em bares e nas ruas, além dos indefectíveis abadás, peças-chaves que permitem acompanhar bem de perto os trios elétricos, verdadeiras casas de shows hospedadas em enormes caminhões.
Nem só de alegria, loucuras e bebidas vive o Carnaval; seria um crime não enxergar o seu valor histórico e tudo o que ele nos deu ao longo dos anos. Indiscutivelmente, um dos pontos altos do Carnaval são as marchinhas, gênero que se originou na Europa, oriundo das antigas marchas, aquelas feitas por militares ou até mesmo as das procissões religiosas. Já de influência africana vem o contagiante samba-enredo, que faz uso de vários instrumentos em sua musicalidade. No século XIII, os nobres franceses promoviam luxuosas festas, em que era obrigatório o uso de máscaras e roupas ricas em cores e brilhos; nascia aí os bailes, algo que talvez tenha dado origem aos desfiles de fantasias acontecidos nos salões de grandes hotéis, sobretudo os do Rio de Janeiro e de São Paulo, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, e que revelaram nomes como Clóvis Bornay, Wilza Carla, Mauro Rosas, Evandro Castro Lima, entre outros. O nosso Carnaval sofreu, com certeza, muitas influências. Destaca-se uma festa de rua de origem portuguesa, conhecida como Entrudo, que consistia em jogar farinha, ovos e tinta nas pessoas. Assemelha-se ao trote praticado com os calouros recém-chegados às faculdades.
Enfim, a história do Carnaval é imensa e rica, motivo de orgulho para nosso país, uma vez que sabe como fazê-lo. Ele movimenta uma indústria dos mais variados seguimentos, em que, tudo somado, resulta no “Maior Espetáculo da Terra”, na concepção de muitos nomes que o tornam uma realidade a cada ano. E, para não perder o hábito, vale lembrar que o Carnaval de 2020 será na terça-feira, dia 25 de fevereiro.


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)
Untitled Document