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O mistério da estrela que pisca

Matéria publicada em 15 de junho de 2021, 20:17 horas

 


Astro fica perto do centro de nossa galáxia, a Via Láctea

Estranho: Objeto escuro esta ocultando a luz da estrela

Astrônomos europeus estão intrigados com uma misteriosa estrela que pisca, situada perto do centro da nossa galáxia, a Via Láctea. E daí? Diria um leigo no assunto. Todas as estrelas não piscam? Não leitor, as estrelas que vemos no céu, a olho nu, parecem piscar devido a agitação do ar na atmosfera da Terra. Acima da atmosfera, no espaço sideral, as estrelas nunca piscam. Se forem observadas com telescópios espaciais, como o Hubble, todas as estrelas parecem pontos de luz fixa e geralmente uniforme. Exceto uma categoria especial, de estrelas variáveis, cujo brilho parece aumentar e diminuir periodicamente. E foi uma estrela assim que a equipe do projeto Variáveis VISTA detectou a 25 mil anos-luz da Terra, perto do centro da nossa galáxia.

Um dos diretores do projeto, o astrônomo inglês Philip Lucas, da Universidade de Hertfordshire, declarou que: “Ocasionalmente encontramos estrelas variáveis que não se encaixam em nenhuma categoria conhecida, nós chamamos essas estrelas de objetos WIT.” WIT no caso vem da sigla em inglês de What is This, ou seja O que é isso? O projeto VISTA usa a técnica da lente gravitacional para observar astros muito distantes. É o Optical Gravitaional Lensing Experiment, ou OGLE (Os astrônomos adoram batizar suas experiências com nomes estranhos).

A lente gravitacional é um fenômeno produzido pelo desvio da luz nos campos de gravidade. Ele foi previsto pela teoria da relatividade de Einstein, e comprovado em 29 de maio de 1919, durante um eclipse do Sol observado da cidade de Sobral, no Ceará. Desde então os astrônomos tem aprendido a usar esse efeito para ampliar a luz de objetos distantes. A gravidade de estrelas ou de galáxias provoca uma curvatura na estrutura do espaço-tempo que age como se fosse uma lente de aumento gigante.

Mas voltando a estrela misteriosa, ela foi batizada com a sigla VVV-Wit-08 e os dados obtidos indicam que se trata de uma estrela gigante vermelha 100 vezes maior do que o Sol. Existem muitas estrelas desse tipo em nossa galáxia mas a novidade é que o brilho da VVV-Wit-08 parece aumentar e diminuir de um modo incomum. Os astrônomos concluíram que o fenômeno não é provocado por algum problema na estrela em si. O que acontece é que ela esta sendo eclipsada por um objeto menor, cercado por um enorme disco de matéria opaca.

Mas os cientistas não sabem o que é esse objeto menor. Eles ficam admirados ao ver a estrela ter sua luz bloqueada pelo que parece ser uma coisa alongada, grande e escura.

É a segunda vez que um astro com essas características é observado. A primeira estrela desse tipo a ser descoberta foi a Epsilon da constelação do Cocheiro, que também tem sua luz bloqueada, periodicamente por uma espécie de disco de matéria escura. A Epsilon do Cocheiro vem sendo estudada desde o século 19. Ela fica a 1350 anos-luz da Terra (um ano luz é igual a 9,4 trilhões de quilômetros) e até hoje os astrônomos não puderam determinar com certeza a natureza do astro que faz Epsilon do Cocheiro variar seu brilho a intervalos de 27 anos.

Outra estrela variável que causou sensação há alguns anos é a famosa estrela de Tabby, na constelação do Cisne. Em 2015 alguns pesquisadores fizeram especulações sobre a existência de uma estrutura artificial, chamada de Enxame de Dyson, que estaria ocultando o brilho dessa estrela. Mas observações posteriores mostram que a causa mais provável é uma nuvem de gás produzida por cometas.

 

Jorge Luiz Calife

 

 

 


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