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O país das crises

Matéria publicada em 30 de junho de 2017, 08:00 horas

 


Os problemas da democracia de Getúlio a Temer; aliás, é difícil de lembrar uma época em que o Brasil não estava em crise

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Além de enfrentar a pior recessão de sua história o nosso jovem país passa por uma de suas piores crises políticas. Nunca antes em sua história um presidente da República foi acusado de corrupção pelo Procurador Geral da República. É mais uma crise em nossa longa rotina de crises. Temer conta com seus aliados na Câmara para arquivar essas e outras denúncias. Mas não importa, o presidente já perdeu toda a credibilidade e virou um cadáver político, um morto vivo, como sua antecessora.

Brasil, sempre em crise

Nas minhas seis décadas de vida já assisti muitas crises. Aliás, é difícil de lembrar uma época em que o Brasil não estava em crise. Eu tinha três anos incompletos em agosto de 1954 quando o presidente Getúlio Vargas se suicidou depois de uma crise que começou com o atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, na Rua Toneleros em Copacabana. Era muito jovem para perceber o que estava acontecendo, mas meu pai falava muito dessa crise.
A tentativa de assassinato de Lacerda foi uma gigantesca trapalhada daquelas que só acontecem no Brasil. Descobriu-se que o assassinato fora encomendado por Climério Euribes de Almeida, homem da guarda pessoal do presidente.
Os militares exigiram a renúncia de Getúlio que, como todos sabem, se matou com um tiro no peito, deixando uma famosa carta testamento. Onde dizia que deixava a vida para entrar para a história. A autenticidade dessa carta é muito discutida, mas ela me deixa a impressão de que já não se fazem mais presidentes como os de antigamente. Na época a capital do Brasil ficava no Rio de Janeiro e tudo aconteceu ali no Palácio do Catete, sendo amplamente coberto pelos jornais da época. Mas, como já disse, eu era muito pequeno para me lembrar da confusão toda.

Governo JK

Morto Getúlio assumiu seu vice, Café Filho que ficou só um ano no poder, sofreu um enfarto e renunciou. Foi eleito Juscelino Kubitschek e aí começou outra crise. Uma tentativa de golpe de estado para impedir a eleição de JK que teve lances cinematográficos. Como a batalha naval da baía de Guanabara, do qual me lembro muito bem, afinal morava em Niterói, relativamente perto da fortaleza de Santa Cruz;
Já contei essa história aqui no Espaço Aberto. Resumindo, com a saída do Café Filho assumiu o governo o presidente da Câmara, Carlos Luz. Que tentou impedir a posse do Juscelino alegando que o presidente eleito “simpatizava com os comunistas”. O golpe não deu certo e Carlos Luz fugiu com seus simpatizantes no navio Tamandaré, um imponente cruzador que os americanos tinham vendido para o Brasil no final da Segunda Guerra Mundial. O navio partiu para Santos, sendo alvejado pelos canhões do forte de Copacabana e da fortaleza de Niterói.
A casa onde eu morava ficava em São Gonçalo, mas deu para ouvir os tiros de canhão. Juscelino assumiu o poder com seu lema de fazer o país progredir “cinquenta anos em cinco”. Comparado com seus antecessores o governo JK foi mais tranquilo apesar de duas rebeliões de militares da aeronáutica, que tomaram as bases de Jacareacanga e Aragarças, em Goiás. Na revolta de Aragarças eles sequestraram um avião Constellation e levaram para lá. Foi o primeiro sequestro de avião acontecido no Brasil, e a essa altura eu já tinha uns seis, sete anos de idade, era fascinado por tudo o que dizia respeito a aviação e lembro da crise só por isso, por causa do sequestro do Constellation.

Presidente Jânio Quadros

Depois do Juscelino veio o governo do presidente Jânio Quadros que terminou com a renúncia do presidente, que se dizia pressionado por “forças ocultas”. Na verdade eram forças bem conhecidas. E houve outra crise quando os militares não aceitaram que o vice, João Goulart assumisse a presidência. Foi preciso adotar o regime parlamentarista para permitir a posse do Jango, como era chamado.
Depois teve o golpe de 64, os 20 anos de Ditadura e a Nova República. E o Brasil continuou em crise como nos velhos tempos.

Palacio do Catete - Museu da Republica

Catete: O cenário das crises de outrora
(Foto: Divulgação)

JORGE LUIZ CALIFE | jorge.calife@diariodovale.com.br


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27 comentários

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    64 não foi golpe

    Foi movimento contra revolução totalmente apoiado pela população e aprovado no congresso

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    As crises mesmo acontecem no Brasil a partir da morte de Getúlio Vargas, nem a crise de 1929 que abalou o mundo ou a crise do café teve tanto impacto ao Brasil.

    Após GV acontece um fenômeno que está mais feroz hoje que é o poder econômico dando suas ordens. A Reformas Trabalhista e Previdenciária é uma prova. A outra prova é o tamanho de nossa dívida monstruosa. Os investidores (grandes bancos e países) que tem títulos não querem saber do povo, mas somente de seus lucros.

    Nenhum candidato que entrar no governo ficará imune a essa pressão, seja eu, você, o senador Álvaro Dias, o Bolsonaro e até o Samuca. Aliás o Samuca que era uma alternativa contra a politicagem se rendeu aos tubarões dos empresários. Não tem força nem para dizer não ao grupo do Nelson Gonçalves ou aos assessores do Neto.

    O que precisamos fazer é NUNCA REPETIR O VOTO. O poder econômico vai investir e nós o derrotamos, até eles perceberem que estão perdendo.

    Só para lembrar: é justamente os capitalistas que causam as crises econômicas para assim lucrarem mais e mais. É a única oportunidade que eles têm de demitir e recontratar trabalhadores pagando menos.

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      Só para lembrar: dias desses foi divulgado que o Japão está há 43 anos criando mais empregos e do que procura.

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      Quem causa as crises são os governos, em especial governos intervencionistas em excesso como o brasileiro. Sofremos de “crony capitalism”, o capitalismo de compadres, em que empresários inescrupulosos desistem de competir no mercado para competir pelos favores de políticos para conseguir reservas de mercado, subsídios e regulações que prejudiquem os pequenos concorrentes. Tudo sob o pretexto de beneficiar o consumidor, justamente o maior prejudicado nestas falcatruas. Não somos o Japão, somos o Brasil. Não temos a produtividade do japonês, os valores; o capital humano; desprezamos a meritocracia e o capitalismo, e ainda deliramos que o socialismo é uma maneira viável de se conduzir uma economia. O Brasil precisa de um choque de capitalismo, pois do jeito que está, não corre o menor risco de se tornar um país próspero e desenvolvido.

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      Parece que o Delfim Netto anda lendo esta coluna, ou então o Calife enviou a ele.

      Depois dessa minha fala sobre o poder econômico parece que o ex-ministro copiou e correu para dar entrevista. rsrsr

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    Há graus maiores e graus menores de crises, pois com os militares não havia corrupção econômica como prática de política de preservação do poder adotada no Brasil pelos comunistas petistas, ou seja, na época dos militares tínhamos o milagre econômico, agora na era dos comunistas tivemos o milagre de ainda estarmos vivos, depois de tanta lambança e roubalheira na Petrobrás; BNDES; Eletrobrás; obras faraônicas superfaturadas da Copa e das Olimpíadas; etc… que custaram o desperdício de bilhões de reais e a perda de milhões de emprego.
    Ainda bem que temos oportunidade no ano que vem de votar em pessoas éticas, que não estão nem ligadas às esquerdas nem aos militares, como o Senador Álvaro Dias, que nunca teve seu nome envolvido em nenhuma irregularidade, e, para a alegria dos moradores de Volta Redonda, é amigo pessoal de nosso prefeito Samuca!

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      “guto” novamente esqueceu de tomar os remedinhos…

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      Não estou tão otimista com 2018, pois Lula poderia ser eleito. Ainda bem que sequer correremos este risco, pois até lá ele estará preso, e detentos não podem disputar a presidência. Este Senador parece ser um bom nome, ainda mais diante dos candidatos da esquerdolândia que estão por aí.

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    >>>>>>> ONDE EXISTEM O BEM EXISTE O MAU

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      الفتح - الوغد

      Não. Onde existe o bem, existe o mal…

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      Eu uso uma regra infalível para não errar com o MAL e MAU. A regra é submeter a ajuda da ordem alfabética. Veja como estão na ordem essas duas palavras o MAL advérbio e MAU adjetivo. O mesmo ocorre com as palavras contrárias, ou seja o BEM e BOM.

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    Viva 64!!!! Bolsonaro presidente!!!!

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    O golpe civil-militar, com o decorrente período da ditadura, é uma página infeliz de nossa República.
    Ao lixo da história para com os entulhos autoritários.

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      Vai dormir, melhor momento do Brasil

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      Só se for para quem jamais leu um livro de história na vida, como parece ser seu caso.

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      Outros que vão para a lata de lixo da história são Lula, Dilma e o PT!

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      Rocinante qual livro de história você leu sobre 1964 ? Só para seu conhecimento, 90 % dos professores de história, são esquerdistas de carteirinha. Essa Comissão da Verdade, cujos integrantes são pilantras e boa vida filiados (tem boquinha) a Partidos de Esquerda, que existe em nível Nacional, Estadual e Municipal só conta e divulga o que interessa. Porque eles não apuram por exemplo quem matou militares, quem assaltou bancos, quem atacou quarteis, quem partiu para a Clandestinidade e participou de guerrilhas armadas no Araguaia ? Ou seja só mostram um lado. Ninguém quer Ditadura mais não. Mas essa bagunça que está no País, tem que ser controlada, pois nós que somos cidadãos de bem, temos que ficar dentro de casa, enquanto a bandidagem está a vontade nas ruas.

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      Falando em entulho autoritário…

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      الفتح - الوغد

      Acho que a opinião de quem VIVEU uma época vale muito mais do que a de quem apenas LEU sobre ela… Muitos dos que converso e que viveram no período militar sentem saudades do período (da vida que tiveram, não do regime em si). Para alguns outros, foi indiferente. Poucos (geralmente ativistas sociais, religiosos e políticos de qualquer ramo) possuem verdadeira ojeriza à ditadura…

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      É curioso como os esquerdistas falam tão mal da ditadura brasileira, mas costumam falar tão bem da ditadura cubana, a mais longa do continente. A comissão da Verdade revirou o país do avesso e descobriu umas 450 mortes suspeitas, enquanto só nos primeiros anos da revolução em Cuba morreram mais de 20.000, em um país com a população mais de 10 vezes menor que a brasileira. Esquerdistas, vão estudar um pouco e ler coisas fora de sites como o Brasil 171 e outros blogs sujos.

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      الفتح - الوغد

      Anderson, não tente entender. Tem gente que é igual trem, ou melhor, equino com antolhos…

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      Tudo o que eu peço é que os esquerdistas deixem o capim de lado, levantem as patas dianteiras um pouquinho e peguem um livro para ler, de preferência um de história ou de economia. Que mal tem isso?

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    Meu caro colunista Jorge. Quero apenas acrescentar que os Militares tomaram o Poder em 1964, após o Sr. João Goulart, comuna de carteirinha, tentar implantar o Comunismo no Brasil juntamente com seu cunhado Leonel Brizola. E quem pediu a intervenção Constitucional foi o povo através de passeatas por todo o Brasil. Hoje em dia a mídia, principalmente a TV GLOBO, só mostra um lado, vide a novelinha OS DIAS ERAM ASSIM. Ninguém mostra os ataques terroristas a Embaixadas, Aeroportos, Quarteis, Repartições públicas, os assaltos a bancos, etc. Ou seja só mostram um lado. Apenas gostaria de esclarecer que não sou militar, não tenho parente militar, mas tenho 78 anos e vivi essa época, ninguém me contou, EU VI.

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      Por terem nos poupado do destino de países como Cuba, China, Coréia do Norte, Camboja; e terem eliminado na raiz organizações terroristas como VAR-Palmares, ALN e tantas outras, do mesmo tipo das Farc, Sendero Luminoso, MIR, etc, que tanto sofrimento causam até hoje na América Latina; os militares que assumiram o governo em 1964 merecem nosso respeito e gratidão. Apesar de termos vivido sob um governo autoritário, deixamos de ter sobrevivido sob um regime totalitário.

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    Aí veio a operação Lava Jato e a crise política após a descoberta do maior escândalo de corrupção já registrado na história da civilização ocidental. O segundo impeachment de um presidente eleito e a continuação da crise com o sucessor, que vice de quem era, não podia prestar de jeito nenhum.

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    Aparentemente, desde aquela época muitos cuja casa ficava em São Gonçalo diziam morar em Niterói. E a Fortaleza de Santa Cruz é longe de São Gonçalo pra dedéu…

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