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O pragmatismo na política internacional brasileira

Matéria publicada em 13 de novembro de 2018, 08:30 horas

 


Presidente eleito provoca danos ao comercio antes mesmo de tomar posse

Exportações: Brasil pode perder mercados importantes – Foto: Arnaldo Alves / ANPr

“O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. A frase foi dita nos anos 60 por Juracy Magalhães, então embaixador do governo Castelo Branco nos Estados Unidos. De lá pra cá virou piada e sempre foi contestada pelos nossos especialistas em política internacional. Infelizmente o presidente eleito, Jair Bolsonaro (que não esconde sua admiração pelos governos militares) virou seguidor da máxima do Juracy Magalhães e anda causando estragos a nossa política externa antes mesmo de tomar posse.
Na semana passada o governo do Egito cancelou uma visita que o ministro das relações exteriores, Aloysio Nunes faria ao Cairo. Depois que Bolsonaro imitou Donald Trump e anunciou sua intenção de transferir a embaixada brasileira de Telaviv para Jerusalém. Com a medida vinte empresários brasileiros, que já estavam no Cairo, pensando em fazer negócios com os árabes, tiveram que voltar para o Brasil.
Bolsonaro queria agradar a bancada evangélica, que ajudou muito na sua campanha, mas pode acabar causando um estrago enorme na nossa economia. Mais de 40% das exportações de carne do Brasil vão para os países islâmicos, que defendem a intenção dos Palestinos de instalarem sua capital na Jerusalém oriental. Até hoje só a Guatemala seguiu o exemplo de Trump, que transferiu a embaixada dos EUA para Jerusalém. Se os países árabes retaliarem, cancelando seus negócios com o Brasil o prejuízo será enorme. Podemos perder o mercado árabe da carne para outros países como a Turquia.
Durante a campanha Bolsonaro prometeu que ia “libertar o Itamaraty das relações internacionais com viés ideológico”. Parece que na prática ele só quer mudar de ideologia. Será que agradar a um grupo de evangélicos, que ainda vive há três mil anos atrás, é mais importante do que cancelar negócios no valor de 13,5 bilhões de reais? Sem falar que um alinhamento do Brasil com Israel pode colocar nosso país na mira de grupos terroristas islâmicos. E detonar com as antigas pretensões do nosso país em conseguir um assento no conselho de segurança da ONU. E o que vamos ganhar com isso? Nada?
Mas o atrito com a China ainda é pior. Antes de ser eleito Bolsonaro visitou Taiwan, que o governo de Pequim considera uma província rebelde. O Brasil não tem embaixada por lá já que reconheceu a soberania chinesa sobre a antiga China Nacionalista. A visita, e as declarações do presidente eleito de que suas visitas internacionais “mostram de quem o Brasil quer ser amigo” irritaram o governo de Pequim. E levou importantes autoridades chinesas a ameaçarem nosso país com “a perda de um grande negócio”.
E que negócio. Atualmente a China é o maior parceiro comercial do Brasil. Que exporta para a China cerca de 47,5 bilhões de dólares (176 bilhões de reais) todo o ano, principalmente em soja e ferro. Imagine o estrago para a economia brasileira, já em recessão, se os chineses resolvem retaliar e cancelam essas compras. Teremos mais desemprego e mais encolhimento da nossa já combalida economia. E a pequena ilha de Taiwan não vai compensar a perda desse mercado bilionário.
Alguém precisa dizer ao presidente eleito porque a frase do Juracy Magalhães é uma ilusão. Nem tudo o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil simplesmente porque eles são uma superpotência e nós somos um país do terceiro mundo. Os Estados Unidos podem absorver os prejuízos provocados por uma guerra comercial com a China. Nós não. Trump pode romper com os árabes para agradar aos evangélicos americanos. Nós não podemos nos dar ao luxo de perder mercados importantes para a nossa economia.
Como no caso da fusão dos ministérios da agricultura e meio ambiente, o presidente já anda tentando recuar em suas declarações. Esse é o momento. Antes que os danos sejam irreversíveis.


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15 comentários

  1. O cúmulo do preconceituoso.
    Será que agradar um grupo de evangélico que vivem a mais de 3 mil anos é mais importante que 13.5 bilhões.
    Sera que fossem negros ou índios ou um animal pré histórico. Este jornalista teria a coragem de divulgar uma reportagem deste jeito. Sera de onde veio a descendência deste cidadão.

  2. VOCÊ está pior do que o HITLER. Vendendo um punhado de cristãos que vive a mais de 3 mil anos atrás por 13.5 bilhões. ISTO talvez não chegue nem aos pés do que foi roubado do povo brasileiro neste último anos
    Você deveria ter vergonha de escrever tal coisas como estas pois fique sabendo que cristãos existe em todos País do mundo..voce esta muito errado em publicar uma coisa desta isto não é assunto para um jornalista profissional publicar. Que DEUS TE PERDOEM.

  3. Os bolsotralhas e afins estão impetrando habeas corpus preventivo para as lambanças futuras,gentalha,gentalha,gentalha…………

  4. O agronegócio já mandou o papo, não bata de frente com os árabes,tudo hoje em dia é interesse financeiro, ideologia é para pé inchado e angustiadas.

  5. As vivandeiras serão abandonadas pelo caminho,usadas,desiludidas ,boquirrotas e nauseabundas.Me procurem, pois depois de dar ruim em abrir o seu negocinho eu irei curar todas as suas feridas.

  6. As pessoas são considerados Boas guando elas fazem a vontade dos outros.
    Mas guando ela passar a fazer o que ela gosta ela ja não presta mais. Para os outros.
    Deixa o homem trabalhar aliás ele nem tomou posse ainda. Ficaram 13 ANOS no governo com o PT .e a eleição acabou não tem terceiro turno então vamos ser democráticos e torcer por coisas boas para o nosso País que crescemos Independentemente.

    • É anos 60 parece que foi ano passado ta de brincadeira né. Mas a coisa é séria para de olhar para o passado e traga notícias da nossa época vivam o presente. Água passadas não movem moinhos .estamos na era Digital. A fila anda e bola pra frente

  7. Vocês já se livraram do PT ,desde quando o malvado favorito iniciou o processo de deposição da estocadora de ventos.

  8. Perfeita análise, mas, em alguns aspectos Bolsonaro está certo, por exemplo, em fechar dezenas de embaixadas, que geram um gasto da ordem de milhões para o Brasil ao ano, em países minúsculos, como ilhas no pacífico e Atlântico e outros países da América Latina, que não tem nenhum comércio com o Brasil, e só serviam para gerar emprego para os companheiros, com salários muito acima do que é ganho pela média dos brasileiros! E não faziam nada nessas embaixadas! Coisa de petista!

    • Anderson dos Santos Costa

      A luta dos próximos anos vai ser desPTizar o Estado brasileiro e superar o maior período de destruição moral e econômica que este país já viu. Torço para que o presidente Bolsonaro consiga superar todos os obstáculos que virão.

  9. Anderson dos Santos Costa

    Agora que finalmente nos livramos do PT e das besteiras ideológicas de sua política internacional, o governo do novo presidente terá que tomar muito cuidado para não se tornar um simples governo do PT de sinal trocado. Os melhores interesses do Brasil devem ser considerados sempre.

    • Perfeita análise, no entanto, por mais erros que Jair Bolsonaro cometa na sua gestão, será muito pouco comparado com os erros petistas, pois os petistas são comunistas ateus, só fazem decisões que beneficiam os companheiros no curto prazo, mesmo que no longo prazo prejudique toda a populaçõa brasileira!!!

    • Concordo. O lema que ele leva deve respeitado à risca: Brasil acima de tudo… Não quero um lambe-botas dos EUA, China ou qualquer outro país, o Brasil sempre foi uma potência. Um país gigantesco, cheio de problemas, porém altivo e com alternativas ímpares no mundo…

    • Anderson dos Santos Costa

      Concordo. Eu também acho que não vai ser pior que os governos do PT, mas tempos difíceis virão. O estrago de 13 anos vai ser muito difícil de superar.

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