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O problema do lixo espacial

Matéria publicada em 13 de maio de 2021, 14:24 horas

 


Queda do foguete chinês revela a verdadeira dimensão do problema

Depois de deixar o mundo em suspense, durante uma semana, o foguete chinês Longa Marcha5B acabou caindo no oceano Índico, perto das ilhas Maldivas as 23h30 do último sábado. Mas se tivesse entrado na atmosfera com alguns minutos de antecedência poderia ter despencado sobre Lisboa, ou Madri. O episódio levou o novo diretor da Nasa, a agência espacial norte-americana, a pedir que os chineses sejam mais responsáveis com aquilo que enviam ao espaço. Geralmente os estágios gastos de foguetes são direcionados para uma queda em locais previamente programados.

Bill Nelson, o novo chefe da Nasa, disse em sua declaração: “As nações que exploram o espaço  devem minimizar os riscos as pessoas e as propriedades na Terra durante as reentradas de objetos. E devem maximizar a transparência durante essas operações. Esta claro que a China não esta cumprindo os padrões de responsabilidade em relação aos seus resíduos espaciais” disse Nelson. Em 2020, durante o seu primeiro lançamento, um Longa Marcha 5B caiu sobre a Costa do Marfim, na África e restos do foguete de 30 metros e 21 toneladas danificaram prédios na capital daquele país.

Os norte-americanos enfrentaram este tipo de problema em 1979, quando a sua primeira estação espacial, o Skylab, reentrou na atmosfera e os pedaços foram parar no deserto australiano. No caso do Skylab a queda prematura ocorreu devido a um aumento na atividade solar que os engenheiros não tinham previsto. Desde então a Nasa, e sua colega russa, a Roscosmos, tem mantido um registro impecável jogando seu lixo espacial em regiões desabitadas. Foi o que aconteceu com a estação espacial russa Mir, que foi direcionada para um mergulho no oceano Pacífico no dia 23 de março de 2001. Mesmo assim a queda da Mir apavorou o famoso costureiro Paco Rabane, que fechou seu atelier em Paris e se escondeu em uma adega, temendo ser atingido.

Desde que os primeiros satélites foram enviados ao espaço, o problema do lixo espacial vem se agravando. Segundo o site especializado CelesTrak existem 2033 pedaços de foguetes gastos orbitando a Terra atualmente. Desses 2033, 546 foram lançados pelos norte-americanos, 169 pela China e 1035 pela Rússia, que é a recordista quando se trata de deixar lixo no espaço. E o CelesTrak alerta que existem 66 estágios misteriosos, sobre os quais não há informações disponíveis por serem o resultado de lançamentos militares secretos.

A maioria desses 2033 objetos não representa perigo para a humanidade. Não é preciso se esconder no subsolo como fez o Paco Rabanne, temendo ser atingido por um pedaço de foguete. A maior parte do lixo espacial é formada por satélites desativados e estágios pequenos de foguetes. Que devem se queimar totalmente na atmosfera durante a reentrada.

Mesmo assim eles representam perigo para os astronautas e satélites devido a possibilidade de colisões. Durante o lançamento da nova tripulação para a Estação Espacial Internacional, no mês passado, a nave Dragon precisou se desviar de um pedaço de lixo espacial.

Novas  tecnologias tem sido desenvolvidas para retirar de órbita esses resíduos e fala-se em robôs lixeiros. Um passo nesse sentido foi a recente missão bem sucedida da nave robô MEV-2 , da empresa Northrop-Grumman, que conseguiu se acoplar com o satélite de comunicações Intelsat 10-02 na órbita geoestacionária, a 36 mil quilômetros da Terra. O Intelsat estava com problemas e em vias de virar outra peça de lixo espacial. Com o acomplamento bem sucedido o MEV-2 deu nova vida ao satélite, deixando-o em condições de continuar funcionando por um novo período de tempo. É o que os engenheiros espaciais chamam de extensão da vida útil.

No futuro robôs como o MEV-2 poderão tirar de órbita os fragmentos maiores do lixo espacial, direcionando-os para uma reentrada segura sobre o oceano.

 

MEV-2: Acoplamento a 36 mil quilômetros da Terra


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