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O pulsar da Mosca e as teorias de Einstein

Matéria publicada em 7 de fevereiro de 2020, 14:20 horas

 


Estrela morta está deformando a estrutura do espaço-tempo; constelação da Mosca fica perto do nosso conhecido Cruzeiro do Sul

A famosa Teoria da Relatividade de Einstein ganhou mais uma prova. Observando uma estranha estrela dupla, situada na constelação da Mosca, a 25 mil anos-luz da Terra, os astrônomos comprovaram que ela está torcendo a estrutura do espaço-tempo ao seu redor. Um fenômeno que os físicos chamam de Arrasto de Referencial, ou frame-dragging em inglês. Este fenômeno foi previsto por Einstein em uma época em que ainda não existiam radiotelescópios, nem detectores de ondas gravitacionais e os pulsares ainda nem tinham sido descobertos.
A estrela dupla é formada por uma anã branca com a mesma massa do nosso Sol e sua companheira. Uma estrela de nêutrons com 1,27 vezes a massa do Sol. Uma estrela de nêutrons é o núcleo colapsado de uma estrela que explodiu como supernova. Sua gravidade é tão forte que a estrutura dos átomos desmorona e só restam nêutrons. Elas são tão densas que uma colher de sua matéria pesaria milhares de toneladas aqui na Terra.
Conhecido pela sigla PSRJ 1141-6545, o pulsar dá uma volta em torno da anã branca a cada cinco horas viajando com uma velocidade de um milhão de quilômetros horários. A constelação da Mosca fica perto do nosso conhecido Cruzeiro do Sul e pode ser vista da nossa região. Mas, o pulsar e sua companheira são muito apagados para serem observados com instrumentos comuns.
Para descobrir o fenômeno os astrofísicos do Instituto Max Planck, da Alemanha, usaram as antenas dos radiotelescópios de Parkes e UTMOST situados na Austrália. Durante um período de 20 anos eles mediram com precisão as pulsações de rádio que a estrela enviava para a Terra. O forte campo magnético do pulsar emite pulsos ou descargas de rádio a intervalos regulares. Monitorando essas pulsações eles detectaram um desvio na órbita das duas estrelas.
Depois de eliminar outras causas possíveis, a equipe do cientista Vivek Venkatraman Krishnan determinou que a distorção no espaço-tempo provocada pelas duas estrelas está mudando a orientação de suas órbitas. Eles determinaram que a anã branca gira em torno de seu eixo 30 vezes em uma hora. Para entender essa descoberta temos que relembrar os conceitos de espaço-tempo da Relatividade, que revolucionaram a física no início do século XX. O físico inglês Isaac Newton tinha explicado, no século XVII, que a gravidade é a força responsável pela queda dos corpos e pelo movimento dos planetas e estrelas pelo espaço.
No século XX, Albert Einstein propôs que a gravidade é na verdade uma deformação na estrutura do espaço provocada pela presença de corpos dotados de massa. Imagine um pano esticado e uma série de bolas de bilhar e de boliche colocadas em cima. Quanto maior o peso e a massa dessas bolas, maior é a cavidade que elas provocam nesse pano esticado. Uma bola de bilhar seria o equivalente a um planeta, a de boliche uma estrela. Acontece que o espaço está ligado ao tempo, que passa mais devagar perto de objetos de grande massa. Por isso que falamos em estrutura do espaço-tempo.
No caso de objetos de grande massa, que rodopiam velozmente, como o pulsar e a anã branca da constelação da Mosca, a estrutura do espaço tempo é arrastada como o leite dentro de uma batedeira. É o que a equipe de Krishnan observou com os radiotelescópios da Austrália.
Esse fenômeno já tinha sido detectado, em uma escala muito pequena, por satélites em órbita da Terra. E agora foi comprovado, em grande escala, nas profundezas do espaço.

 

Fantástico: O pulsar gira em torno da estrela anã branca


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Um comentário

  1. Avatar

    Se eu casar com mulher gorda, o tempo vai passar mais devagar?

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