quinta-feira, 2 de julho de 2020

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / O recorde espacial da Christina Koch e seu significado

O recorde espacial da Christina Koch e seu significado

Matéria publicada em 18 de fevereiro de 2020, 09:26 horas

 


Astronauta passou 328 dias no espaço a bordo da estação ISS; homens já ficaram um pouco mais

A astronauta americana Christina Koch voltou ao planeta Terra depois de passar quase um ano vivendo na gravidade zero do espaço sideral. Foram 328 dias a bordo da Estação Espacial Internacional, período em que o laboratório espacial deu 5.248 voltas em torno da Terra, percorrendo uma distância de 139 milhões de milhas. O equivalente a 291 viagens à Lua. Esse é o recorde feminino de permanência no espaço. Os homens já ficaram um pouco mais, como foi o caso do astronauta Scott Kelly, que ficou 340 dias.
Ao contrário de Kelly, que teve sérios problemas para se readaptar a gravidade da Terra, Christina Kelly disse em uma entrevista, no centro espacial da Rússia, que não sentiu tonteiras nem ficou desorientada. Mas, ela revelou que precisa se lembrar de manter a cabeça erguida contra a força de gravidade da Terra. E o esforço provoca dores no pescoço.
Koch já tinha ficado famosa ao participar do primeiro passeio espacial de uma dupla feminina do lado de fora da estação espacial. Foi no dia 18 de outubro do ano passado, quando Koch e sua colega Jessica Meir realizaram reparos na estrutura da ISS. O retorno à Terra foi feito a bordo de uma nave russa do tipo Soyuz, já que as naves de transporte americanas, Dragon e Starliner, ainda não passaram da fase de testes. A Soyuz pousou nas estepes do Cazaquistão, e como é costume no caso de astronautas que passaram longos períodos no espaço, a americana saiu da nave amparada e ficou algum tempo sentada em uma cadeira, para se acostumar com a gravidade terrestre.
Esse é o ponto fraco dessas provas de longa permanência no espaço. Seu objetivo é simular uma viagem ao planeta Marte. Mas, em Marte não vai ter ninguém para amparar os astronautas e carregá-los em uma cadeira. Eles terão que andar e realizar tarefas assim que a nave pousar. É por isso que muitos especialistas defendem a construção de naves com sistemas de gravidade artificial por rotação.
Em uma entrevista coletiva no Centro Espacial Johnson, no Texas, a astronauta comentou que achou mais fácil se adaptar ao espaço do que se adaptar a Terra. Depois de alguns dias no espaço ela nem percebia que estava flutuando. E achou natural ter que se alimentar sem usar pratos ou xícaras como aqui na Terra. Depois de mais de dez meses longe de casa ela adorou a reunião com seu cachorro, o LBD (iniciais de little brown dog, ou pequeno cão marrom em português).
Outra coisa que todos os astronautas sentem falta é da comida temperada aqui da Terra. A ausência de gravidade costuma deixar os viajantes espaciais sem paladar. Ao contrário de muitos astronautas que têm formação militar, Christina Koch trabalhou na Administração Nacional de Atmosfera e Oceano, que monitora o clima, antes de se tornar astronauta.
Este ano a Nasa, a agência espacial americana, vai abrir inscrições para uma nova turma de astronautas. Que serão treinados para as futuras missões de pouso na Lua, que devem começar em 2028. A Nasa pretende montar uma pequena estação espacial em órbita lunar para servir de ponto de baldeação para as tripulações do projeto Artemis. O Artemis pretende colocar as primeiras mulheres na superfície lunar antes do final desta década.
Serão usadas duas naves. A Orion, que levará as tripulações até a estação orbital lunar. E um módulo de pouso que fará o resto do percurso até a superfície lunar. Os chineses têm planos de construir uma base no polo sul lunar e os americanos, que foram os pioneiros nas missões lunares, não querem perder a dianteira.

 

Christina: Ajuda para sair da Soyuz


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

Um comentário

  1. Avatar

    Pelo menos ela ficou longe do Trump, e nós aqui , que estamos neste país desgovernado por alienígenas loucos.

Untitled Document