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O sétimo guardião

Matéria publicada em 23 de novembro de 2018, 08:35 horas

 


Na última semana, a televisão recebeu mais uma trama, dessa vez foi “O Sétimo Guardião”, novela escrita pelo veterano Aguinaldo Silva, a sua 21ª novela, trama que chega à TV 66 anos depois da primeira, que foi exibida em 1952 pela TV Tupi, chamada “Sua Vida me Pertence”, escrita por Walter Forster.
Mais do que conhecer o que será esta novela de realismo fantástico, em que um gato preto é a personagem central, vale destacar o seu título e tudo o mais que marca o mistério através do número 7. Temos, com a marca deste número, os sete pecados capitais, os sete dias da semana, os sete anões, as sete cores do arco-íris, as sete maravilhas do mundo [antigo e moderno), as sete virtudes divinas, as sete notas musicais, os setes mares, as sete propriedades da matéria, os sete chacras, entre outros.
O nome “Sete” é um nome bíblico, originado do hebraico “Sheth”, oriundo de “shith”, que quer dizer “definido”. Sete é mencionado, no Antigo Testamento, como sendo o terceiro filho de Adão e Eva, nascido logo após a morte de Abel, provocada por Caim.
O número sete significa vitória; já, na numerologia, ele representa a espiritualidade e o misticismo, algo que a novela que acaba de começar promete trazer do primeiro ao último capítulo. No tarô, o sete é a carta que revela o domínio das energias, o Carro do Triunfo, o homem exercendo a função de Deus e, consequentemente, do Criador. É o número da Criação: 3 [Céu] + 4 [Terra] = 7.
Sete é o número da perfeição, haja vista que Deus abençoou o sétimo dia e reservou-o como um dia sagrado. É também o número da plenitude cíclica no hebraico antigo, número mencionado 323 vezes na Bíblia.
As expressões populares: “fechado a sete chaves” e “debaixo de sete palmos” marcam o universo humano como algo que fala de segurança e de morte. A primeira expressão, de acordo com registros históricos, teria se originado a partir de um hábito muito comum entre a realeza portuguesa, durante o século XIII: as joias e objetos de importância para a Coroa eram muito bem guardados em baús especiais com inúmeras fechaduras, todas, diferente umas das outras. Naquela época, esse era considerado um dos modos mais seguros de se guardar os tesouros e as informações secretas.
Já “debaixo de sete palmos”, segundo a sabedoria popular, sinaliza falecimento ou, de forma metafórica, a ida da pessoa para “outro mundo”. Essa expressão vem de um velho padrão: a necessidade de se enterrar o morto nesta exata medida, pois algo menor que isto causaria exalação de odores maléficos de toda ordem. Essa medida corresponde ao padrão de enterro.
Na arte, precisamente no ano de 1911, o teórico e crítico de Cinema Ricciotto Canuto estabeleceu publicamente o chamado “Manifesto das Sete Artes”, que foi publicado somente em 1923, listou o Cinema como a Sétima Arte.
O número sete é visto como um número de enorme espiritualidade, representa o número da perfeição e é considerado símbolo da totalidade do Universo em ininterrupta transformação.
Na China, a alma precisa de sete unidades de tempo para ficar livre do corpo. Na Alemanha, se você quer assar um bom bolo, precisa de sete ingredientes. Para os egípcios, o sete é o símbolo da vida eterna. Não tem múltiplos nem divisores. É, por isso, puro e essencial.
O sete representa o triunfo do espírito sobre a matéria. São os sete anjos diante do trono de Deus a nos proteger: Gabriel, Miguel, Haniel, Rafael, Camael, Zadquiel e Zafiel.
Para muitos, pular sete ondas durante a passagem do ano ajuda a trazer sorte e prosperidade. E não são poucos os que respeitam a última frase dita por Jesus antes de morrer na cruz, e que tinha sete palavras: “Pai, em tuas mãos, entrego meu espírito.”
Verdade ou não, tudo o que foi dito aqui faz parte do mistério que carrega este número e que é alimentado por aqueles que acreditam no seu poder e força; aos que não acreditam, fica este texto apenas como um mero e despretensioso momento de ficção. Ou de reflexão, talvez.


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