segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

TEMPO REAL

 

Capa / Colunas / O sonho e o pesadelo da engenharia planetária

O sonho e o pesadelo da engenharia planetária

Matéria publicada em 23 de novembro de 2018, 08:30 horas

 


Técnica de modificação de planetas pode salvar ou acabar com a humanidade

Terraformação: Marte poderia ficar igual a Terra

Os planos recentes de colonização de outros planetas colocaram em foco um ramo pouco conhecido da engenharia. A engenharia planetária. Apesar de inúmeras propostas, a engenharia planetária é uma especialidade tão nova e que ainda não é ensinada nas faculdades. Infelizmente seus princípios vêm sendo aplicados aqui na Terra com resultados desastrosos e no lugar de ser o futuro da humanidade, a modificação de ambientes a nível planetário pode ser a sua ruína.
A ideia surgiu na década de 1960, com uma proposta do astrônomo Carl Sagan, que então trabalhava para a NASA, a agência espacial americana. As primeiras sondas enviadas ao planeta Vênus revelaram um inferno de efeito estufa descontrolado. Vênus, o planeta irmão da Terra, tinha temperaturas de 400 graus centigrados em sua superfície e chuvas de ácido sulfúrico. Os dados da Mariner 2 acabaram com décadas de fantasias, onde Vênus era uma replica primitiva da Terra, com florestas povoadas por dinossauros.
O problema era a atmosfera de Vênus rica em dióxido de carbono, um dos principais gases do efeito estufa. Se fosse possível eliminar esse manto de gás carbônico Vênus se tornaria aquele mundo igual à Terra que aparece nas histórias em quadrinhos do Flash Gordon. Sagan tinha estudado um tipo de alga microscópica, que vive ao ar livre, e que tem um grande apetite por gás carbônico. Como as plantas comuns essas algas absorvem o gás carbônico e emitem oxigênio.
Sagan imaginou sondas espaciais borrifando a atmosfera de Vênus com essas algas microscópicas. Elas ficariam flutuando nas nuvens do planeta e começariam a consumir o gás carbônico e a produzir oxigênio. A temperatura nas nuvens venusianas, a 30 quilômetros de altura é semelhante a da Terra. Depois de um século ou dois as algas teriam transformado todo o dióxido de carbono em oxigênio. O efeito estufa terminaria, o forno venusiano seria desligado e o planeta estaria pronto para se colonizado pelos nossos descendentes.
O plano de Sagan se revelou impraticável devido à alta densidade da atmosfera de Vênus. Sagan achava que a pressão era de alguns bares, mas na verdade é de 90 bares. As algas do Sagan criariam toneladas de pó de grafite e uma atmosfera de oxigênio puro que seria fatal para os seres humanos. Embora impraticável a proposta do astrônomo foi a primeira tentativa séria de modificar a atmosfera de um planeta.
No caso de Marte a “terraformização” do planeta seria mais fácil. Marte tem uma grande quantidade de água congelada no subsolo e em suas calotas polares. Há milhões de anos o planeta teve rios e oceanos onde as ondas se quebravam em câmera lenta devido à baixa gravidade marciana. Para trazer de volta esse Marte primitivo seria preciso aumentar a densidade da atmosfera marciana e liberar a água presa no subsolo e nas calotas polares. Uma proposta, feita na década de 1970 incluía a detonação de bombas nucleares nos polos de Marte, para derreter o gelo.
Uma ideia mais pacífica, sugerida nos anos de 1990 incluía o uso de enormes espelhos solares, orbitando o planeta, para aquecê-lo gradualmente. São projetos que ainda levarão séculos para seres implementados, e o problema é que a humanidade pode não ter esse tempo todo. Porque inconscientemente já existe um projeto de engenharia planetária em andamento, aqui, no nosso planeta Terra.
Nos últimos cem anos a humanidade vem liberando grandes quantidades de gases do efeito estufa na atmosfera do nosso planeta. Cuja temperatura media vem aumentando. Se nada for feito para deter esse processo podemos transformar a Terra numa imitação de Vênus. No lugar de converter Vênus numa réplica da Terra, como sonhava Carl Sagan.

 


Comente com Facebook
(O Diário do Vale não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

6 comentários

  1. Como sempre, uma ótima leitura, um diferencial para este jornal.

  2. Anderson dos Santos Costa

    Por enquanto só podemos acompanhar a engenharia planetária na ficção científica. A prática ficará para os nossos descendentes. Um exemplo muito interessante é o livro/série de TV “The Expanse”, que mostra as implicações políticas e econômicas de um Sistema Solar colonizado pela humanidade em um futuro próximo.

  3. pq mesmo mesmo socorridos pela NCC1701 – USS Enterprise, após a destruição do satélite Praxis que pertencia ao planeta Kronos, os Klingons resolvem assinar um Tratado de Paz. Mesmo com a assinatura do Tratado, eles permanecem distantes da Federação dos Planetas Unidos, considerando-os apenas um aliado. porem resolveram ficar em vénus,e assim nao concordam com a presença de humanos por la, mesmo pq na verdade eles foram proibidos de vir a terra.

  4. o problema seria os Klingons, pois da ultima vez que passamos por vénus a USS Discovery, sofreu muita interferência já que o capitão James KIRC não quis atender um pedido de ajuda dos mesmo, assim criando um clima mais hostil para desligamento de seus Satélites que emitem muita interferência.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Required fields are marked *

*

Untitled Document